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Japão reabre maior usina nuclear do mundo em decisão estratégica

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 22/12/2025 às 09:55 Atualizado em 22/12/2025 às 09:56
Decisão do Japão sobre a Usina Kashiwazaki reforça a energia nuclear como pilar da transição energética nacional.
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Decisão do Japão sobre a Usina Kashiwazaki reforça a energia nuclear como pilar da transição energética nacional.

O governo do Japão autorizou, nesta semana, a retomada das operações da Energia nuclear na Usina Kashiwazaki, a maior do mundo, após mais de dez anos de paralisação causada pelo Desastre de Fukushima.

A decisão, aprovada pela assembleia da província de Niigata, permite que a concessionária TEPCO religue um dos reatores ainda em janeiro, como parte da Transição energética do Japão, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis caros e altamente poluentes. 

A medida ocorre em um momento estratégico para o país, que enfrenta custos elevados com importação de energia, aumento da demanda elétrica e pressão internacional para cortar emissões de carbono. 

Retomada da usina marca mudança na política energética japonesa 

A aprovação do projeto de lei pela assembleia local de Niigata representa um passo decisivo na reintrodução da Energia nuclear na matriz energética japonesa.

Usina Kashiwazaki, localizada no litoral do Mar do Japão, estava totalmente inativa desde 2011, quando o terremoto e tsunami que atingiram o país levaram ao colapso da usina de Fukushima Daiichi. 

Com a decisão, a TEPCO planeja religar o reator número 6 por volta de 20 de janeiro, segundo informações da emissora pública NHK.

Trata-se da primeira reabertura de um reator sob a gestão da empresa desde o Desastre de Fukushima, o que torna o movimento ainda mais sensível do ponto de vista político e social. 

Impactos do desastre de Fukushima ainda moldam decisões 

Desastre de Fukushima, ocorrido em março de 2011, foi considerado o pior acidente nuclear desde Chernobyl, em 1986.

Na época, o Japão desligou todos os seus 54 reatores nucleares, incluindo a Usina Kashiwazaki, localizada a cerca de 320 quilômetros de Tóquio, na ilha de Honshu. 

Desde então, o país reiniciou apenas 14 dos 33 reatores considerados tecnicamente operacionais, segundo a Associação Nuclear Mundial.

A retomada gradual reflete uma postura cautelosa, influenciada tanto por exigências regulatórias mais rígidas quanto pelo trauma coletivo deixado pelo acidente. 

TEPCO promete segurança reforçada e aprendizado com Fukushima 

Responsável pela operação da usina, a Tokyo Electric Power Company tem intensificado esforços para reconquistar a confiança da população local.

Em comunicado, a empresa afirma que a Usina Kashiwazaki passou por diversas inspeções técnicas, além de melhorias estruturais significativas. 

“Continuamos firmemente comprometidos em nunca repetir tal acidente e garantir que os moradores de Niigata nunca passem por algo semelhante”, disse o porta-voz da TEPCO, Masakatsu Takata, à Reuters. 

Segundo a companhia, foram instalados novos muros de contenção e portas estanques para reforçar a proteção contra tsunamis.

Além disso, a planta passou a contar com geradores móveis, mais caminhões de bombeiros e sistemas de filtragem atualizados para conter a liberação de materiais radioativos em situações de emergência. 

Dependência de combustíveis fósseis pressiona economia 

Antes do Desastre de Fukushima, a Energia nuclear respondia por cerca de 30% da eletricidade gerada no Japão. Com o desligamento das usinas, o país passou a depender fortemente de combustíveis fósseis importados, como carvão e gás natural. 

Atualmente, entre 60% e 70% da eletricidade japonesa vem dessas fontes, o que gerou um custo de aproximadamente 10,7 trilhões de ienes.

Esse cenário elevou tarifas, pressionou a inflação e ampliou o déficit comercial. 

Transição energética e metas climáticas entram no cálculo 

O país é o quinto maior emissor de dióxido de carbono do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos, Índia e Rússia. 

Apesar de investir em fontes renováveis, como solar e eólica, o governo reconhece limitações geográficas e de escala.

A demanda por energia deve crescer ainda mais com a expansão de data centers e da infraestrutura de inteligência artificial. 

Resistência local permanece forte em Niigata 

Mesmo com as garantias técnicas, o receio da população local segue evidente.

Pesquisa divulgada pela prefeitura de Niigata em outubro mostrou que 60% dos moradores acreditam que as condições para a retomada da Usina Kashiwazaki ainda não foram plenamente atendidas.

Quase 70% demonstraram preocupação específica com a atuação da TEPCO

“Sabemos em primeira mão o risco de um acidente nuclear e não podemos descartá-lo”, disse Ayako Oga, 52 anos, à Reuters.

Então ela se mudou para Niigata após fugir da zona de exclusão de Fukushima e afirma ainda sofrer com sintomas semelhantes ao estresse pós-traumático. 

Decisão sinaliza novo capítulo para a energia nuclear no Japão 

Ao autorizar a retomada da Usina Kashiwazaki, o Japão dá um sinal claro de que pretende reequilibrar sua matriz energética.

Embora o peso do Desastre de Fukushima ainda influencie o debate público, a combinação de custos elevados. 

Assim, a reabertura do reator 6 poderá servir como teste decisivo para o futuro do setor nuclear japonês e para a credibilidade da TEPCO

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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