Com 39 anos de obra parada e R$ 1 bilhão saindo por ano sem gerar um único watt, Angra 3 virou uma bomba-relógio para a Eletronuclear — enquanto a China colocou 20 reatores novos em operação no mesmo período.
Segundo a Câmara dos Deputados e o Governo Federal, Angra 3 está com 66% das obras concluídas e parada há 39 anos, consumindo R$ 1 bilhão anuais apenas em manutenção.
Portanto, a usina nuclear que deveria ser um marco da soberania energética brasileira virou um impasse bilionário sem data de resolução.
A Eletronuclear, estatal responsável pela obra, enfrenta risco de insolvência.
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Além disso, a empresa solicitou um waiver ao BNDES e à Caixa Econômica Federal — suspensão temporária do pagamento de dívidas.
A medida visa dar fôlego à estatal enquanto aguarda a decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) sobre o destino da central.
Contudo, enquanto o Brasil debate o que fazer com uma usina paralisada, a China está construindo mais de 20 reatores nucleares simultaneamente.
Conforme o El Español, em abril de 2026 a China aprovou 4 novos reatores com design nacional e já opera 6 usinas AP1000 com recordes mundiais de disponibilidade.
A história: 39 anos de promessa não cumprida

As obras da usina começaram em 1984. Em 1987, o governo as interrompeu pela primeira vez por falta de recursos. Portanto, a usina nasceu sob o signo da indefinição orçamentária.
Em 2010, o governo retomou as obras com promessa de entrega para 2015. No entanto, novos atrasos, disputas contratuais e problemas técnicos foram empurrando a data de conclusão para frente.
Em abril de 2023, a Prefeitura de Angra dos Reis publicou um embargo ao canteiro de obras por irregularidades no licenciamento ambiental.
Dessa forma, as obras pararam mais uma vez — e até hoje não foram retomadas.
O resultado, conforme a Gazeta do Povo, é que a estatal acumulou R$ 26 bilhões em dívidas.
A estatal corre o risco de não ter caixa suficiente nem para operar as usinas Angra 1 e Angra 2, que já estão em funcionamento.
O dilema de R$ 24 bilhões: concluir ou abandonar Angra 3?
A decisão que o governo Lula precisava tomar em 2025 foi adiada para 2026. Segundo a Gazeta do Povo, tanto concluir a obra quanto abandoná-la custa valores semelhantes.
- Concluir a obra: ~R$ 24 bilhões em investimentos adicionais
- Abandonar: entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões em rescisões, desmontagem, devoluções de incentivos fiscais e multas
- Manutenção parada: R$ 1 bilhão por ano — sem gerar um único watt
- Progresso físico atual: 66% concluída após 39 anos
Em outras palavras, o Brasil está num impasse onde não fazer nada é a opção mais cara no longo prazo.
Conforme especialistas ouvidos pela Câmara dos Deputados, a retomada seria estratégica para a matriz elétrica do país.
Por outro lado, a área econômica do governo avalia que o custo de geração pode não compensar o investimento necessário. Assim, a decisão permanece travada entre lógica energética e lógica fiscal.
A China do outro lado: 20 reatores em construção ao mesmo tempo

Enquanto o Brasil debate Angra 3, a China está numa corrida nuclear sem precedentes.
Segundo o El Español, em abril de 2026 o país tem mais de 20 reatores em construção simultânea — o maior programa nuclear ativo do mundo.
Além disso, a China aprovou 4 novos reatores com design 100% nacional, reduzindo a dependência de tecnologia estrangeira.
Da mesma forma, o projeto CiADS (China Initiative Accelerator Driven System) promete um reator 100 vezes mais eficiente que os modelos convencionais, com operação prevista para 2027.
Consequentemente, a China está a caminho de se tornar o maior mercado de energia nuclear do planeta — superando os Estados Unidos e a França em capacidade instalada antes do fim desta década.
O AP1000 que a China dominou — e que o Brasil ainda discute
O reator AP1000, desenvolvido pela Westinghouse, foi o design escolhido pela China para liderar sua expansão nuclear.
A China foi o primeiro país do mundo a conectar um AP1000 à rede elétrica — e hoje opera 6 unidades com recordes de rendimento operativo.
Portanto, 14 reatores AP1000 adicionais já estão em construção na China. Na prática, isso significa que o país vai operar 20 unidades desse modelo antes do fim da década.
Em comparação, o Brasil chegou a discutir a adoção do AP1000 para um programa de reatores modulares — mas a indefinição congela qualquer avanço nesse debate.
Afinal, como expandir um programa nuclear sem resolver o passivo que já existe?.
O que a usina parada diz sobre as escolhas energéticas do Brasil

A energia nuclear é limpa, de baixo carbono e baseload — funciona 24 horas por dia, diferente de solar e eólica, que dependem do tempo.
No entanto, o Brasil tem tratado a central como um problema político, não como um ativo estratégico.
Conforme a Agência Brasil, em março de 2026 a indústria nuclear defendeu a energia atômica como essencial para a soberania energética do país.
Sobretudo, porque a matriz elétrica brasileira depende muito das hidrelétricas — vulneráveis a secas como as de 2001 e 2021.
Dessa forma, A usina deixou de ser uma obra e virou um símbolo. Como comparação, nos EUA, o governo gastou US$ 15 bilhões escavando o depósito nuclear de Yucca Mountain — que nunca foi usado.
O Brasil pode estar caminhando para um desfecho parecido.
Bomba-relógio ou oportunidade histórica? A decisão que 2026 não pode adiar
A Eletronuclear tem até fins de 2026 para receber uma decisão do governo.
Sem ela, a estatal pode entrar em colapso financeiro — arrastando junto as operações de Angra 1 e Angra 2, que já geram 2% de toda a eletricidade do Brasil.
Porém, se o governo optar pela conclusão da obra, o Brasil adicionaria mais 1.405 MW de capacidade limpa à matriz — o equivalente ao consumo de cerca de 2 milhões de residências.
Ainda assim, uma pergunta persiste: o Brasil vai resolver em 2026 o que não resolveu em 39 anos?.
E enquanto isso, como o país que tem uma das maiores reservas de urânio do mundo pode ter a maior usina nuclear em construção paralisada por falta de decisão política?.
Veja também como a corrida global por energia limpa está acelerando a demanda por nuclear — e o Brasil corre o risco de ficar para trás.
Nota: os dados sobre Angra 3 são baseados em relatórios da Câmara dos Deputados, Gazeta do Povo e Eletronuclear disponíveis até maio de 2026.
A decisão final do CNPE pode alterar o cenário descrito neste artigo.

Decisão errada a construção da Usina, o nosso país tem potencial incrível de geração de outras energias renováveis, solar, aeolica, hidrelétricas etc, más falta investir na transmissão e em tecnologias de armazenamento. Ciência, educação e tecnologia falta colocar isso como prioridades!
Sinto discordar, mas não temos mais espaço para hidrelétricas no Brasil. Solar e eólicas são bem vindas, mas temos que lembrar que a solar não gera energia á noite, quando os consumidores residenciais mais precisam. E as eólicas só geram quando tem vento, não o tempo todo. Além disso, tanto solar quanto eólicas necessitam vasto espaço para gerar pouca energia, enquanto que nuclear gera muita energia em pouquíssimo espaço. Em resumo: atualmente nenhuma fonte de energia pode ser descartada,