James Webb detecta atmosfera em planeta com mais de 2.000°C e oceano de magma, desafiando teorias sobre perda atmosférica em mundos extremos.
Em 2025, a NASA divulgou em 11 de dezembro resultados obtidos com o Telescópio Espacial James Webb que colocaram a comunidade científica diante de um dos cenários mais extremos já observados em um planeta rochoso fora do Sistema Solar. O objeto central da descoberta é o exoplaneta TOI-561 b, localizado a cerca de 280 anos-luz da Terra, na constelação de Sextans, cuja emissão no infravermelho foi medida pelo instrumento NIRSpec em observações realizadas em maio de 2025. O planeta é classificado como uma super-Terra ultrquente de período ultracurto, orbitando sua estrela em menos de 11 horas e a menos de 1 milhão de milhas dela, uma distância equivalente a cerca de um quadragésimo da separação entre Mercúrio e o Sol.
Essa proximidade cria condições extremas: se fosse uma rocha nua, o lado diurno do planeta deveria se aproximar de 2.700°C, mas os dados do Webb indicaram uma temperatura mais baixa, em torno de 1.800°C, ainda suficiente para sustentar um oceano global de magma.
O que torna o caso ainda mais intrigante é que, mesmo sob radiação intensa e calor extremo, os dados indicam que TOI-561 b pode não ser uma rocha nua. Segundo o estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters em dezembro de 2025, as observações sugerem a presença de uma atmosfera espessa rica em voláteis acima do oceano de magma, algo que desafia a ideia de que planetas rochosos tão próximos de suas estrelas perderiam completamente suas atmosferas ao longo do temp
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Segundo a NASA, planetas rochosos tão próximos de suas estrelas deveriam perder suas atmosferas rapidamente, mas TOI-561 b parece desafiar essa regra.
TOI-561 b: um planeta com superfície de magma permanente e radiação extrema
TOI-561 b pertence a uma categoria de mundos conhecidos como planetas de lava, onde as temperaturas são tão elevadas que rochas se mantêm em estado líquido.
A proximidade extrema com sua estrela faz com que o planeta esteja sujeito a:
- radiação intensa contínua
- aquecimento extremo da superfície
- evaporação de materiais rochosos
Nesse cenário, a superfície do planeta não possui continentes sólidos como a Terra, mas sim um oceano global de magma em constante agitação.
Esse tipo de ambiente cria condições únicas, onde minerais podem evaporar e formar uma espécie de “atmosfera mineral”, composta por elementos vaporizados da própria crosta.
Órbita de 10,5 horas coloca o planeta entre os mais extremos já detectados
Um dos dados mais impressionantes do TOI-561 b é seu período orbital extremamente curto. Enquanto a Terra leva 365 dias para completar uma volta ao redor do Sol, esse planeta completa sua órbita em apenas 10,5 horas.
Isso significa que:
- um “ano” no planeta dura menos que meio dia terrestre
- a proximidade com a estrela é extremamente reduzida
- o fluxo de energia recebido é dezenas de vezes maior que o da Terra
Esse tipo de órbita coloca o planeta em uma categoria conhecida como “planetas de período ultracurto”, considerados alguns dos ambientes mais hostis do universo.
Atmosfera detectada desafia modelos clássicos de perda atmosférica na super-Terra TOI-561 b
O ponto mais relevante da descoberta está na possível presença de uma atmosfera espessa. De acordo com modelos clássicos de astrofísica, planetas tão próximos de suas estrelas deveriam sofrer escape atmosférico intenso, um processo no qual partículas gasosas são arrancadas pela radiação estelar.
No entanto, as observações do James Webb sugerem que:
- há sinais compatíveis com uma atmosfera
- essa atmosfera pode ser alimentada continuamente
- o próprio oceano de magma pode liberar gases
Isso indica que a atmosfera não é estática, mas possivelmente renovada por processos geológicos extremos.
Esse fenômeno abre novas hipóteses sobre como atmosferas podem sobreviver em condições consideradas impossíveis até pouco tempo.
Espectroscopia do James Webb permite analisar composição química
A descoberta foi possível graças à capacidade do James Webb de analisar a luz que atravessa a atmosfera do planeta durante o trânsito em frente à estrela. Esse método, conhecido como espectroscopia de transmissão, permite identificar composição química da atmosfera, presença de gases específicos e características térmicas.
Embora a composição exata ainda esteja em análise, os dados indicam que a atmosfera pode conter:
- gases derivados de rochas vaporizadas
- compostos ricos em elementos pesados
- possíveis traços de dióxido de carbono ou monóxido de carbono
Esse nível de detalhamento representa um avanço significativo na observação de planetas rochosos fora do Sistema Solar.
Planeta desafia entendimento sobre evolução de mundos rochosos
TOI-561 b não é apenas um planeta extremo, mas também um laboratório natural para estudar a evolução planetária. Até recentemente, acreditava-se que:
- planetas rochosos próximos a estrelas perderiam suas atmosferas rapidamente
- superfícies derretidas não sustentariam ciclos atmosféricos estáveis
- a radiação destruiria qualquer camada gasosa persistente
No entanto, esse planeta apresenta evidências que contradizem essas premissas. Isso sugere que processos internos, como atividade geológica intensa, podem desempenhar um papel mais importante na manutenção atmosférica do que se imaginava.
Comparações com a Terra primitiva ampliam relevância da descoberta
Embora TOI-561 b seja extremamente mais quente que a Terra, alguns cientistas apontam que ele pode ajudar a entender fases iniciais do nosso próprio planeta.
A Terra primitiva também passou por um período em que sua superfície era parcialmente derretida, com intensa atividade vulcânica.
Estudar mundos como TOI-561 b pode oferecer pistas sobre como atmosferas se formam, evoluem e interagem com superfícies rochosas em condições extremas. Essa conexão amplia o interesse científico da descoberta.
Categoria de planetas de lava ganha destaque com novas observações
TOI-561 b faz parte de uma classe crescente de exoplanetas conhecidos como lava worlds. Esses mundos apresentam características comuns: temperaturas superiores a 1.500°C, superfícies derretidas e proximidade extrema com suas estrelas.

Com o avanço de telescópios como o James Webb, a quantidade de dados sobre esses planetas tem aumentado rapidamente. Isso está permitindo que cientistas testem teorias em ambientes que não existem no Sistema Solar.
Descoberta reforça capacidade do James Webb de investigar mundos extremos
O Telescópio Espacial James Webb foi projetado para observar o universo em infravermelho, permitindo detectar sinais que telescópios anteriores não conseguiam identificar.
No caso de TOI-561 b, ele foi capaz de:
- captar variações sutis na luz estelar
- identificar possíveis assinaturas atmosféricas
- analisar um planeta extremamente quente
Essas capacidades colocam o Webb como uma ferramenta central na nova era da exploração de exoplanetas.
O que essa descoberta muda na busca por planetas habitáveis
Embora TOI-561 b seja completamente inabitável, ele desempenha um papel importante na compreensão de como planetas funcionam em diferentes condições. Ao estudar extremos, os cientistas conseguem:
- refinar modelos de formação planetária
- entender limites de sobrevivência atmosférica
- identificar padrões que podem ser aplicados a outros mundos
Isso ajuda a melhorar a busca por planetas potencialmente habitáveis, ao definir melhor o que torna um planeta capaz de sustentar uma atmosfera estável.
Você acha que ainda estamos longe de entender completamente os planetas fora do Sistema Solar?
A descoberta de TOI-561 b mostra que o universo ainda guarda fenômenos que desafiam modelos científicos estabelecidos.
Mesmo com tecnologias avançadas como o James Webb, novas observações continuam revelando cenários inesperados. Diante disso, surge uma questão importante:
quantos outros mundos extremos ainda existem e podem mudar completamente o que sabemos sobre a formação e evolução dos planetas?

