Uma empresa italiana está transformando o clássico Fiat Panda em carro elétrico por meio de um kit de conversão que custa a partir de 15 mil euros. O Panda NE roda de 100 a 110 km com uma carga que custa apenas 3 euros, tem motor de 54 cv e velocidade máxima de 90 km/h. Um painel solar opcional no teto adiciona até 15 km de autonomia por dia.
Italianos apaixonados pelo clássico Fiat Panda encontraram uma forma de manter o carro na garagem sem precisar abandonar a gasolina definitivamente: estão convertendo o modelo para elétrico. A empresa Nova Energia, em parceria com a ElectroFit Systems e o Instituto Politécnico de Torino, desenvolveu um kit de retrofit que transforma o clássico Fiat Panda em um veículo 100% elétrico capaz de percorrer 100 a 110 km com uma única carga que custa apenas 3 euros, o equivalente a R$ 17,69. O Panda NE, como foi batizado, mantém a aparência externa e interna do clássico Fiat Panda original, mas substitui o motor a gasolina por um propulsor elétrico de 40 kW (54 cv) com 18,3 kgfm de torque e baterias de 11,7 kWh instaladas sob o assoalho do veículo.
O projeto vai além da simples conversão mecânica. A Nova Energia oferece como opcional um teto com placas solares que recarrega até 15 km de autonomia por dia, uma adição que pode cobrir o deslocamento diário de muitos motoristas urbanos sem precisar plugar o carro na tomada. A velocidade máxima do clássico Fiat Panda convertido é de 90 km/h, suficiente para uso urbano e viagens curtas, e a recarga completa leva 4,5 horas em uma tomada padrão de 16 amperes. Não há opção de recarga rápida no momento, mas para um carro projetado para rodar dentro das cidades, a recarga noturna em casa resolve o problema.
O que o kit de conversão faz com o clássico Fiat Panda

imagem: Nova Energia
O conceito por trás da conversão é o retrofit: adotar tecnologia nova em um produto antigo sem descaracterizá-lo. O kit substitui o motor a gasolina do clássico Fiat Panda por um propulsor elétrico de 40 kW e instala baterias de 11,7 kWh sob o assoalho, preservando tanto os bancos traseiros quanto o porta-malas, algo que a versão elétrica original do Panda, chamada Panda Elettra, não conseguia. Aquele modelo, que existiu nos anos 1990, precisava remover os bancos traseiros para acomodar as baterias e era limitado a 65 km/h com apenas 24 cv de potência.
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O Panda NE é significativamente superior ao seu antecessor elétrico. Com 54 cv e velocidade máxima de 90 km/h, o clássico Fiat Panda convertido oferece desempenho comparável ao do modelo original a gasolina, que dependendo da versão tinha potência semelhante ou até inferior. A experiência de dirigir permanece familiar para quem já conhece o carro, com a diferença de que o ruído do motor desaparece e os custos de combustível caem para uma fração do que se gastava com gasolina.
Quanto custa transformar o clássico Fiat Panda em elétrico

Segundo informações do portal Vrum, o kit de conversão está disponível em três versões com preços que refletem o nível de restauração incluído. A opção mais acessível custa 15 mil euros (R$ 88,4 mil) e inclui a conversão elétrica, revisão mecânica e reforma interna e externa do clássico Fiat Panda. O pacote “New”, por 18 mil euros (R$ 106,1 mil), adiciona componentes mecânicos e internos completamente novos, além da restauração exterior. O pacote “Special” inclui restauração completa do interior e exterior, mas não tem preço divulgado.
Para contextualizar, a comparação com um Panda novo é reveladora. Um Fiat Panda de nova geração na Itália parte de 17.400 euros (R$ 102,5 mil), enquanto a versão 100% elétrica de fábrica custa a partir de 23.900 euros (R$ 140,8 mil). O kit de conversão do clássico Fiat Panda, a 15 mil euros, é mais barato que ambas as opções novas e oferece a vantagem emocional de manter um carro com história, personalidade e valor sentimental que nenhum veículo zero quilômetro consegue replicar.
O painel solar que dá 15 km extras ao clássico Fiat Panda
O opcional mais interessante do Panda NE é o teto com placas solares. O sistema fotovoltaico integrado à carroceria do clássico Fiat Panda recarrega até 15 km de autonomia por dia usando apenas a luz do sol, o que na Itália, com média de 250 dias de sol por ano, pode representar uma parcela significativa do deslocamento diário de um motorista urbano que não percorre mais do que 15 a 20 km entre casa e trabalho.
Na prática, o painel solar pode eliminar a necessidade de recarga na tomada em dias de uso moderado. Se o proprietário do clássico Fiat Panda convertido roda 15 km por dia ou menos, o painel solar pode manter a bateria carregada indefinidamente sem custo de eletricidade, uma proposta que transforma o custo operacional do carro em praticamente zero. Para quem roda mais, o painel funciona como complemento que reduz a frequência de recargas e estende a autonomia total do veículo.
Por que os italianos preferem converter o clássico Fiat Panda em vez de comprar um carro novo
A decisão de gastar 15 mil euros em um carro antigo em vez de comprar um modelo novo pelo mesmo preço é mais emocional do que racional, e é justamente por isso que funciona. O clássico Fiat Panda é um ícone da cultura italiana, um carro que está presente nas memórias de gerações e que representa uma época em que automóveis eram simples, práticos e feitos para durar. Converter esse carro para elétrico é uma forma de preservar essa identidade enquanto se adapta às exigências ambientais e econômicas do presente.
Há também uma dimensão ambiental que vai além das emissões zero durante o uso. Converter um clássico Fiat Panda que já existe é mais sustentável do que fabricar um carro novo do zero, porque evita toda a energia e os recursos naturais necessários para produzir uma carroceria, chassis, interior e componentes de um veículo. O retrofit reaproveita a estrutura existente e substitui apenas o que precisa ser mudado, gerando menos lixo industrial e menos pegada de carbono total do que a compra de um carro elétrico recém-saído da fábrica.
A limitação que o clássico Fiat Panda 4×4 enfrenta na conversão
Nem todos os modelos do clássico Fiat Panda podem ser convertidos. A Nova Energia informa que apenas as unidades de tração dianteira são compatíveis com o kit, porque no Panda 4×4, o eixo traseiro ocupa o espaço onde as baterias precisam ser instaladas sob o assoalho. Essa limitação exclui uma das versões mais queridas do modelo, o Panda 4×4, famoso por sua capacidade de enfrentar estradas rurais e terrenos irregulares com uma leveza que SUVs modernos não conseguem replicar.
Para os proprietários de unidades 4×4, a notícia é frustrante, mas a empresa não descarta soluções futuras. À medida que a tecnologia de baterias evolui e permite formatos mais compactos e flexíveis, é possível que versões futuras do kit acomodem a tração integral do clássico Fiat Panda sem comprometer a capacidade de armazenamento de energia. Por enquanto, a conversão está disponível apenas para os modelos de tração dianteira, que felizmente representam a maioria das unidades produzidas ao longo das décadas.
Italianos estão convertendo o clássico Fiat Panda para elétrico com 110 km de autonomia por 3 euros e painel solar no teto. Você faria isso com um carro antigo? Acha que o retrofit é o futuro? Deixe sua opinião nos comentários.

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