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A Etiópia proibiu carros a gasolina e diesel, colocou mais de cem ônibus elétricos silenciosos nas ruas de Adis Abeba, e agora quer meio milhão de veículos elétricos até 2030, tudo isso movido pela maior barragem da África e por uma coragem que poucos países tiveram

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 19/04/2026 às 02:50 Atualizado em 19/04/2026 às 02:53
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A Etiópia proibiu carros a gasolina, pôs ônibus elétricos silenciosos em Adis Abeba e quer 500 mil veículos até 2030 com a maior barragem da África.
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A Etiópia proibiu a importação de carros a gasolina e diesel em 2024 e quadruplicou sua frota de veículos elétricos em dois anos, passando de 30 mil para quase 120 mil unidades. Mais de 100 ônibus elétricos operam em Adis Abeba transportando 90 mil passageiros por dia. O país quer 500 mil veículos elétricos até 2030, alimentados pela Grande Barragem do Renascimento, que dobrou a produção de eletricidade do país.

A Etiópia tomou uma decisão que nenhuma grande economia mundial teve coragem de tomar: proibiu a importação de carros a gasolina e diesel. Em 2024, o governo decidiu que o futuro do transporte no país seria elétrico, e os números mostram que a aposta está funcionando. Há dois anos, a Etiópia tinha cerca de 30 mil veículos elétricos nas estradas. Hoje, são quase quatro vezes mais, e o país opera mais de 100 ônibus elétricos silenciosos em Adis Abeba que transportam mais de 90 mil passageiros por dia. A meta é chegar a meio milhão de veículos elétricos até 2030, e o que torna essa ambição viável é algo que a maioria dos países não tem: mais de 97% da eletricidade da Etiópia vem de energia hidrelétrica, uma fonte limpa e barata.

A peça central dessa transformação é a Grande Barragem do Renascimento Etíope, a maior barragem da África, que iniciou operações em 2025 com capacidade de 5.150 megawatts. A barragem dobrou a produção de eletricidade da Etiópia e tornou economicamente viável alimentar uma frota inteira de veículos elétricos com energia renovável, diferenciando o país de nações que adotam carros elétricos mas recarregam suas baterias com eletricidade gerada por combustíveis fósseis. Para a Etiópia, o veículo elétrico não é apenas uma moda verde: é uma necessidade econômica. O país gasta quase 4 bilhões de euros por ano em importações de petróleo, um dinheiro que não pode se dar ao luxo de gastar.

Por que a Etiópia proibiu carros a gasolina e apostou nos elétricos

Segundo informações do Canal DW Rev, a decisão de proibir a importação de veículos a combustão não foi ideológica, foi matemática. A Etiópia gasta quase 4 bilhões de euros anuais importando petróleo, um valor que consome reservas de moeda estrangeira que o país precisa desesperadamente para outras importações essenciais. A guerra no Irã e a consequente valorização do petróleo confirmaram a sabedoria da decisão: enquanto países dependentes de combustíveis fósseis enfrentam preços recordes na bomba, a Etiópia recarrega seus veículos com eletricidade hidrelétrica a custos que não sofreram impacto.

O taxista Abdurahman Ali viveu a transição na prática. Antes de trocar seu Toyota Vitz a gasolina por um carro elétrico, ele gastava de 40 a 50 mil birr por mês em combustível. Desde que mudou para o elétrico e passou a carregar em casa, seus custos mensais caíram para cerca de 5 mil birr, uma redução de quase 90% que ilustra por que motoristas da Etiópia estão aderindo à eletrificação mesmo sem incentivos diretos do governo. Para quem ganha pouco, a economia no combustível é o argumento mais convincente que existe.

Os ônibus elétricos silenciosos que transformaram Adis Abeba

Mais de 100 ônibus elétricos operam em Adis Abeba há um ano, e o impacto na cidade que mais cresce na África é visível e audível. Os veículos não emitem gases de escape nem fazem o barulho dos motores a diesel, criando o que passageiros descrevem como “um oásis de tranquilidade” no trânsito caótico da capital etíope. O motorista Shashe Asemare, que dirige um dos ônibus elétricos, confirma: “Esses ônibus são muito diferentes dos modelos a gasolina.”

Os passageiros da Etiópia aprovam a mudança. “São muito confortáveis para viajar. Também são melhores porque não poluem o ar. Isso é um passo à frente para o nosso país”, disse uma passageira à reportagem da DW. Transportando mais de 90 mil pessoas por dia praticamente sem impacto climático, os ônibus elétricos de Adis Abeba demonstram que a eletrificação do transporte público funciona em cidades de países emergentes, não apenas em capitais europeias com orçamentos bilionários.

A Grande Barragem do Renascimento que alimenta os veículos da Etiópia

O que torna a aposta da Etiópia em veículos elétricos fundamentalmente diferente da maioria dos países é a fonte de energia. Mais de 97% da eletricidade do país vem de energia hidrelétrica, e a Grande Barragem do Renascimento Etíope, que iniciou operações em 2025, tem capacidade de 5.150 megawatts, dobrando a produção elétrica nacional. Isso significa que cada carro, ônibus ou microônibus elétrico que circula na Etiópia é movido por energia genuinamente limpa, sem as emissões indiretas que existem quando veículos elétricos são recarregados com eletricidade gerada por carvão ou gás.

Essa distinção é crucial para o debate climático. Em países onde a matriz elétrica depende de combustíveis fósseis, veículos elétricos reduzem emissões locais mas continuam gerando carbono indiretamente na usina. Na Etiópia, a pegada de carbono do transporte elétrico é praticamente zero, o que faz do país um dos poucos no mundo onde a promessa ambiental dos veículos elétricos se cumpre integralmente. A barragem não apenas alimenta os carros: ela viabiliza economicamente toda a estratégia de transição energética da Etiópia.

Os desafios que a Etiópia enfrenta na eletrificação do transporte

A ambição é enorme, mas os obstáculos também são. A Etiópia tem apenas cerca de 500 estações de carregamento, quase todas concentradas em Adis Abeba, o que limita severamente o uso de veículos elétricos fora da capital. Para motoristas que precisam viajar entre cidades, a falta de infraestrutura de recarga torna o carro elétrico impraticável. “O governo deveria investir mais nesse setor. O número de estações não é suficiente”, reconhecem os próprios operadores.

Os problemas vão além da infraestrutura. Mais de 63 milhões de etíopes, 46% da população, ainda vivem sem eletricidade, um paradoxo em um país que quer 500 mil veículos elétricos nas ruas. Carros elétricos pequenos custam a partir de 17 mil euros em um país onde muitos ganham menos de mil euros por ano. A escassez de moeda estrangeira, o mesmo problema que motivou a proibição de carros a combustão, também afeta as fábricas locais de veículos elétricos que dependem de peças importadas da China e só conseguem produzir 500 unidades por ano.

O futuro elétrico da Etiópia e a lição para o resto do mundo

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Apesar dos desafios, a tendência na Etiópia é irreversível. Operadores privados como Ezekiyas Dufera estão preenchendo a lacuna de infraestrutura com estações de carregamento 24 horas, e 17 fábricas já montam veículos elétricos no país, incluindo microônibus que são a espinha dorsal do transporte público de Adis Abeba. A Etiópia tem uma vantagem que poucos países compartilham: como ainda possui relativamente poucos veículos nas estradas, pode dar um salto direto para a mobilidade elétrica sem precisar substituir uma frota gigantesca de veículos a combustão.

A lição da Etiópia para o mundo é que a transição energética no transporte não exige ser rico, exige ter coragem e recursos naturais. Com energia hidrelétrica abundante e a disposição política de proibir importações de veículos fósseis, a Etiópia está construindo um modelo de mobilidade elétrica que países muito mais ricos ainda hesitam em adotar. Os ônibus silenciosos de Adis Abeba, os taxistas que cortaram 90% dos custos de combustível e a barragem que alimenta tudo isso provam que o futuro elétrico não precisa esperar o primeiro mundo chegar primeiro.

A Etiópia proibiu carros a gasolina, colocou ônibus elétricos nas ruas e quer 500 mil veículos elétricos até 2030. Você acha que o Brasil deveria seguir o exemplo? Deixe sua opinião nos comentários.

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Francisco Fortes Filho
Francisco Fortes Filho
23/04/2026 16:44

Aqui em Teresina-Piauí, o sistema colapsou. Frota antiga. Ônibus sucateados. Trânsito intenso.
A solução que o Governador Rafael Fonteles-PT, encontrou foi zerar a tarifa do sistema de trem, apelidado de Metrô, ao invés de fazer a integração com os ônibus e tentar reerguer o sistema.
E o pior, como medida eleitoreira, contratou dívida de cerca de 200 milhões p/o sistema p/fazer políticagem.

Se com o sistema privado, com várias empresas operando, não funciona, imagine c/TARIFA ZERO. Quero ver onde vai parar.

A nível nacional, estão falando também em implantar a TARIFA ZERO. Quem viver, verá!!!

Flavio
Flavio
21/04/2026 20:16

Com mais de 46 milhões de habitantes vivendo sem energia elétrica com certeza veículos eletrônicos são a solução. É por isso que a África só caminha pra trás.

Reginaldo Santos
Reginaldo Santos
Em resposta a  Flavio
23/04/2026 00:09

Sua mentalidade eurocentrica África e um continente com vários países os europeu vão colopsa

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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