Em 1981, isolado na Amazônia após se separar de Kevin Gale num caiaque, Yossi Ghinsberg enfrenta três semanas sem suprimentos, chuvas e enchentes, até reencontrar o rio na Bolívia. O plano era chegar a La Paz com Karl Ruprechter e Marcus Stamm, mas a missão desandou e marcou sua vida.
Com cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia é um dos territórios mais vastos da América do Sul, com fauna e flora únicas e presença constante de exploradores. Foi nesse cenário que, aos 21 anos, o israelense Yossi Ghinsberg acabou isolado na Amazônia após uma jornada improvisada na Bolívia.
Filho de sobreviventes do holocausto, Yossi Ghinsberg serviu à Marinha de Israel por três anos e, em meados de 1981, economizou dinheiro para viajar à América do Sul e tentar se tornar explorador. Depois de vários empregos, ele aceitou uma expedição em busca de ouro e definiu La Paz como ponto de encontro para reabastecimento, sem prever o desfecho.
A rota sul-americana e o encontro com Karl Ruprechter

Interessado no coração desabitado da Amazônia, Yossi Ghinsberg viajou com ajuda de nativos e circulou entre Venezuela, Colômbia e Bolívia.
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No território boliviano, conheceu Karl Ruprechter, um austríaco que dizia ser geólogo e buscava parceiros para uma missão que deveria terminar na vila indígena de Tacana.
Com a promessa de ouro, Karl Ruprechter reuniu quatro homens: ele próprio, Yossi Ghinsberg e outros dois jovens, Marcus Stamm e Kevin Gale.
A expedição foi descrita como mal planejada, com pouco preparo para a logística de floresta, rios e reabastecimento em La Paz.
A bifurcação na mata e a escolha pelo rio

Durante a caminhada pela Amazônia, o grupo encontrou dois trajetos possíveis.
Um era mais cômodo por terra; o outro dependia dos rios, com navegação mais arriscada. Karl Ruprechter e Marcus Stamm decidiram seguir pela costa e caminhar pela mata, citando que não nadavam muito bem.
Kevin Gale e Yossi Ghinsberg entraram em um caiaque e acompanharam as águas velozes.
Antes da separação, o grupo reafirmou La Paz como destino para reencontro e reabastecimento, um plano que se desfez na prática quando a floresta impôs chuvas e correntezas.
A separação na cachoeira e o momento em que ficou isolado na Amazônia

Em determinado ponto do percurso, a forte correnteza de uma cachoeira separou Yossi Ghinsberg e Kevin Gale.
Kevin Gale alcançou a margem com segurança. Yossi Ghinsberg, sozinho, perdeu a referência de rota e passou quatro dias procurando sinais do grupo, sem conseguir retomar o plano de La Paz.
A partir desse ponto, ele ficou isolado na Amazônia em uma área desconhecida, já dentro da Bolívia.
O isolamento não foi uma escolha, mas consequência direta da combinação de decisão de rota, correnteza e ausência de planejamento detalhado.
Três semanas sem suprimentos, enchentes e riscos na mata
Isolado na Amazônia, Yossi Ghinsberg decidiu priorizar ações imediatas de sobrevivência enquanto esperava resgate.
Por três semanas, sem suprimentos ou equipamentos adequados para a expedição, ele enfrentou chuvas torrenciais, inundações e a instabilidade do terreno.
Entre os riscos relatados, houve ataques de formigas vermelhas gigantes, ameaça de animais selvagens e duas situações de areia-movediça.
O quadro físico piorou com infecção por fungos no pé, além de exaustão e alucinações recorrentes durante o período em que permaneceu isolado na Amazônia.
O reencontro no rio na Bolívia e a busca conduzida por Kevin Gale
Após mais de 20 dias sem perspectiva, Yossi Ghinsberg escutou o motor de um barco e se dirigiu ao rio. No local, reencontrou Kevin Gale, que estava acompanhado por um indígena.
Segundo os dados, Kevin Gale e o indígena procuravam por ele havia três dias na Bolívia, tentando localizar o ponto em que o caiaque havia se perdido.
O reencontro interrompeu a fase mais crítica do período isolado na Amazônia.
Mesmo assim, La Paz não foi o destino imediato. A prioridade passou a ser retirar Yossi Ghinsberg da floresta e viabilizar atendimento médico.
Hospital, desaparecimento de Karl Ruprechter e Marcus Stamm, e a marca de La Paz
Resgatado, Yossi Ghinsberg passou três meses se recuperando em um hospital. Karl Ruprechter e Marcus Stamm, por sua vez, nunca mais foram encontrados, apesar de diversas tentativas de resgate associadas à expedição na Bolívia.
O ponto de encontro em La Paz, definido antes da separação, tornou-se símbolo do planejamento que não se concretizou.
A ausência de reencontro em La Paz reforçou como a expedição mal planejada dissolveu o grupo em rotas incompatíveis, entre mata e rios.
Retorno após dez anos e projetos com comunidades da Amazônia
Dez anos depois da experiência, Yossi Ghinsberg voltou à Amazônia e iniciou projetos em tribos e comunidades da região.
Ao lado de nativos, construiu alojamentos, pousadas e comércios, com impacto na economia local, segundo a descrição associada ao período posterior ao isolamento.
O retorno reforçou o vínculo entre Yossi Ghinsberg e a floresta que o deixou isolado na Amazônia em 1981.
Mesmo após ter sobrevivido na Bolívia, ele voltou para atuar com comunidades amazônicas, em uma agenda de reconstrução de vida.
Palestras a partir de 2001 e vida atual
Em meados de 2001, Yossi Ghinsberg se tornou palestrante motivacional e passou a relatar a própria trajetória para entusiastas da exploração.
Hoje, ele é casado com a terceira esposa, tem quatro filhos e registra países onde morou com a família, com casas na Austrália, nos Estados Unidos e em Israel.
A história começou com a meta de chegar a La Paz e terminou com Yossi Ghinsberg isolado na Amazônia e reencontrado no rio na Bolívia por Kevin Gale.
A combinação de expedição mal planejada, separação e tempo extremo de sobrevivência segue como o eixo central do caso.
Comente nos comentários se você já enfrentou uma situação de sobrevivência em viagem de aventura.
Se você estivesse isolado na Amazônia sem suprimentos, qual decisão você tomaria primeiro: seguir o rio como Kevin Gale ou tentar voltar para La Paz pela mata?


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