Indústria de cimento em Minas Gerais cresce 5% em 2025, impulsionada pelo mercado de trabalho, construção civil e Minha Casa Minha Vida.
Apesar do cenário de juros elevados, a indústria de cimento em Minas Gerais registrou um desempenho expressivo em 2025.
O setor produziu cerca de 20 milhões de toneladas, movimentou aproximadamente R$ 10 bilhões e cresceu 5% em relação a 2024.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo aquecimento do mercado de trabalho, pela retomada do Minha Casa Minha Vida e pelo dinamismo da construção civil, consolidando o estado como o maior produtor de cimento do país.
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O resultado, divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), mostra que Minas Gerais manteve a liderança nacional mesmo em um ambiente econômico desafiador.
Além disso, o desempenho reforça a importância do setor para toda a cadeia produtiva da construção, que segue como um dos principais motores da economia brasileira.
Indústria de cimento se fortalece mesmo com juros altos
Mesmo com o crédito mais caro, a indústria de cimento conseguiu avançar de forma consistente em 2025.
Segundo o presidente do SNIC, Paulo Camillo Penna, o crescimento observado em Minas Gerais e no Brasil ocorre sobre uma base já forte registrada no ano anterior.
De acordo com ele, o bom momento do mercado de trabalho, que atingiu a menor taxa histórica de desemprego, teve papel decisivo no aumento do consumo.
Além disso, o crescimento da massa salarial estimulou reformas, ampliações e obras de pequeno porte, que representam uma fatia relevante da demanda por cimento.
“Dois terços do cimento brasileiro vêm ensacado para construções informais e pequenas reformas. É um volume expressivo que impactou positivamente a categoria”, destaca o dirigente.
Cimento em Minas Gerais impulsiona a construção civil
O desempenho do cimento em Minas Gerais reflete diretamente a força da construção civil no estado.
Como maior produtor do país, Minas abastece obras residenciais, comerciais e de infraestrutura em diferentes regiões, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Além disso, o crescimento estadual acompanha uma tendência nacional. Em 2025, as vendas de cimento no Brasil somaram 67 milhões de toneladas, alta de 3,7% em comparação com o ano anterior.
Todas as regiões apresentaram crescimento, com destaque para o Nordeste, que avançou 7,2%, seguido por Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Minha Casa Minha Vida puxa demanda por cimento
Um dos principais vetores do crescimento foi a retomada do Minha Casa Minha Vida.
O programa habitacional voltou a ganhar força a partir de 2023 e passou a ter impacto direto sobre a demanda da indústria de cimento.
Segundo estimativas do setor, a entrega de cada 2 milhões de unidades habitacionais gera um aumento de aproximadamente 10 milhões de toneladas nas vendas de cimento.
Esse efeito multiplicador reforça a relevância do programa para a construção civil e para a geração de empregos.
A entidade avalia que, entre 2018 e 2022, o Casa Verde e Amarela teve desempenho abaixo do esperado.
Já com o retorno do Minha Casa Minha Vida, os resultados passaram a ser considerados excepcionais, com atuação conjunta entre governo e empresas para manter o ritmo de contratações e entregas.
Pavimento rígido amplia uso do cimento no país
Outro fator que impulsionou a demanda foi o avanço do pavimento rígido, técnica que utiliza placas de concreto em rodovias.
Estados como Paraná, Goiás, São Paulo e Distrito Federal já adotaram a solução, que oferece maior durabilidade, menor necessidade de manutenção e melhor desempenho para o tráfego pesado.
Apesar disso, o setor aponta resistência em Minas Gerais. “Minas ainda não conseguiu implementar o pavimento rígido nem mesmo em caráter experimental.
“O Estado produz cerca de um terço do cimento do País e, ainda assim, não possui sequer um metro de estrada com esse tipo de pavimentação”, salienta Penna.
Indústria de cimento projeta crescimento moderado em 2026
Para 2026, as projeções são cautelosas. Por ser um ano atípico, com Copa do Mundo, eleições e feriados prolongados, o setor estima um crescimento de pelo menos 1,5%, condicionado ao desempenho da economia e à continuidade dos programas públicos.
Ainda assim, a indústria de cimento segue investindo em eficiência e competitividade. Um dos focos está na modernização da matriz energética, principal custo do setor.
“Há dez anos, a energia era produzida a partir do coque de petróleo. Hoje estamos investindo para modernizar a matriz, incorporando desde lixo urbano, resíduos industriais e biomassa”, acrescenta o dirigente.
Atualmente, cerca de 30% do coque já foi substituído por fontes alternativas, percentual acima da média da América Latina. Até 2050, a meta é atingir 65%, alinhando o Brasil às grandes potências europeias.
Mercado de trabalho sustenta perspectivas positivas
Por fim, o bom momento do mercado de trabalho segue como um dos principais sustentáculos da demanda. Com mais pessoas empregadas e maior renda disponível, a tendência é de continuidade das reformas, ampliações e novos projetos.
Assim, mesmo diante de desafios macroeconômicos, o desempenho do cimento em Minas Gerais reforça a resiliência da construção civil e o papel estratégico do setor para o crescimento econômico e social do país.
