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Ex-burocrata indiano plantou milhares de árvores e dedicou a vida para transformar deserto frio em floresta exuberante de 100 hectares, com pomares, água das geleiras e beneficiando moradores locais

Publicado em 26/11/2025 às 14:16
Floresta, Deserto, Indiano, Árvores
Imagem: Ilustração
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Como um ex-burocrata transformou um deserto frio do Himachal Pradesh em uma floresta produtiva de 100 hectares após duas décadas de trabalho contínuo

Anand Dhawaj Negi, conhecido como AD, nasceu em 1947 e construiu uma trajetória que marcou o distrito de Kinnaur, no estado indiano de Himachal Pradesh. Ele passou parte da vida como burocrata do governo e, depois da aposentadoria, tornou-se uma figura admirada porque decidiu enfrentar a aridez de uma região onde quase nada florescia. Assim, surgiu o apelido de Homem da Floresta de Kinnaur, resultado de um trabalho que criou uma área verde com mais de 100 hectares em um território frio e isolado.

A paisagem do alto Kinnaur lembra o deserto gelado de Ladakh. O clima severo dificulta qualquer cultivo, portanto as aldeias dali convivem com pouca vegetação e grandes extensões vazias. Em Thang Karma, porém, a cena mudou completamente.

Oásis inesperado em meio ao deserto

Essa pequena aldeia, situada a cerca de cinquenta quilômetros acima da cidade de Pooh, abriga hoje uma floresta com mais de trinta mil árvores distribuídas em sessenta e cinco hectares.

Negi foi quem plantou cada uma delas. Além disso, ele conseguiu iniciar a produção de batatas, ervilhas, espargos, girassóis, cogumelos e feijões, além de manter cultivos de frutas tradicionais, como maçãs e damascos.

O contraste chama atenção porque a altitude supera 3.200 metros, e as condições naturais quase sempre limitam a vegetação a arbustos dispersos. Ainda assim, seu trabalho mudou a paisagem.

Inspiração que nasce da frustração

No final dos anos 1990, Negi atuava no Programa de Desenvolvimento do Deserto, conduzido pelo governo de Himachal Pradesh.

O objetivo era reduzir os efeitos da desertificação, mas ele ficou desanimado porque viu muitos recursos sendo mal utilizados.

Como filho de agricultores simples, sentia que faltava eficiência para entregar resultados concretos às comunidades que dependiam da terra.

Essa frustração o levou a agir por conta própria. Em 1998, decidiu trabalhar como voluntário em Thang Karma. Ali começou um dos projetos mais ousados da história recente dessa região fria e remota.

O processo lento até ver a floresta crescer

Negi contou que passou um bom tempo apenas testando plantas e analisando o solo, porque precisava entender como tornar aquele ambiente fértil. A primeira etapa foi montar um viveiro.

Depois, ele criou áreas de plantio em curvas de nível. Mesmo assim, os primeiros meses foram difíceis. A água não chegava a tempo, e a maior parte das mudas morria antes de se firmar. Cerca de oitenta por cento delas murchavam rapidamente.

Hoje, a situação é completamente diferente. A taxa de sobrevivência chega a 90%.

Técnicas simples, mas consistentes

A adoção das curvas de nível ajudou a reter a água da chuva e impediu a perda de solo. Como o abastecimento hídrico dependia do degelo das montanhas, muitas vezes não havia constância.

Por isso, Negi se uniu aos moradores locais para construir canais capazes de levar água de geleiras situadas a quase vinte e cinco quilômetros de distância.

Além disso, ele plantou trevo ao longo desses canais. A planta tem múltiplas funções porque protege o solo, ajuda a manter a umidade, impede que lebres destruam as plantações e melhora a fertilidade, já que suas raízes se decompõem periodicamente.

Impacto direto nas comunidades rurais

O resultado inspirou centenas de agricultores. Cerca de duzentos deles receberam terras do governo e passaram a cultivar pomares próprios.

Esse movimento mudou a relação de diversas aldeias com a agricultura porque muitos moradores já haviam desistido da atividade por causa das condições severas da região.

Outro efeito foi a chegada de criadores de ovelhas de vilarejos distantes, atraídos pelo trevo que surgiu em Thang Karma e que hoje é considerado uma forragem de ótima qualidade.

Proprietários de pomares, conhecidos pela doçura das maçãs que produzem, também visitam o local para comprar sacos de vermicomposto feito por Negi, reforçando a importância prática do trabalho dele.

Um legado construído em duas décadas

O esforço contínuo de AD Negi mudou a forma como agricultores e departamentos governamentais enxergam a terra local.

Pessoas que antes duvidavam da possibilidade de cultivo perceberam que a persistência pode transformar um ambiente antes árido.

Ele não utilizou técnicas complexas, tampouco contou com tecnologias avançadas. O que realmente sustenta sua história é o trabalho diário, repetido por mais de vinte anos, até que aquele deserto frio se tornasse um espaço verde e produtivo.

A floresta de Thang Karma permanece como prova de que dedicação e continuidade podem fazer nascer vida onde parecia impossível.

Com informações de Global Earth Repair Foundation.

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Romário Pereira de Carvalho

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