Caso registrado pelo Guinness envolve adoção de adulto nos Estados Unidos, relação construída ao longo de décadas e reconhecimento legal obtido em tribunal da Pensilvânia, com repercussão internacional anos após a decisão judicial.
Aos 74 anos e 303 dias, o americano William “Bill” Stains foi oficialmente adotado por um casal décadas mais jovem e entrou para o Guinness World Records como o homem mais velho do mundo a passar por um processo de adoção.
A decisão foi formalizada em 12 de novembro de 2020, em Enola, na Pensilvânia, quando Jessica e Ryan Fiscus obtiveram o reconhecimento legal de Bill como filho adotivo.
O caso se diferencia dos processos mais comuns analisados por tribunais de adoção nos Estados Unidos, geralmente associados à infância.
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Ainda assim, a adoção foi resultado de uma convivência prolongada entre Bill e a família Fiscus, construída ao longo de décadas e descrita pelos envolvidos como uma relação familiar já existente antes da formalização judicial.
Em entrevista ao Guinness World Records, Bill afirmou que não imaginava que a adoção teria repercussão internacional nem que resultaria em um recorde.
Segundo ele, o reconhecimento veio depois da conclusão do processo e foi recebido com surpresa. “É incrível”, disse, ao comentar a certificação oficial do Guinness.
Relação entre Bill Stains e família Fiscus começou no beisebol

O vínculo entre Bill e os Fiscus teve início quando Ryan ainda era criança e participava de jogos de beisebol na comunidade local.
Na época, Bill atuava como árbitro em muitas partidas, o que fez com que seu nome se tornasse familiar para jogadores e famílias da região.
Com o passar dos anos, a relação se manteve por outros caminhos.
Bill também trabalhou como professor em uma escola de ensino fundamental próxima, o que ampliou o contato com a família de Ryan mesmo após mudanças de endereço.
A convivência frequente contribuiu para a manutenção do vínculo fora do ambiente esportivo. Ao relembrar esse período, Ryan afirmou ao Guinness que conhece Bill desde que se lembra.
Na mesma entrevista, descreveu o adotado como alguém leal às pessoas ao seu redor, avaliação atribuída por ele à relação construída ao longo de décadas.
A proximidade se estendeu quando Jessica passou a integrar a família.
De acordo com relatos publicados pelo Guinness, Bill reagiu de forma positiva ao relacionamento e manteve contato próximo com o casal.

A partir daí, os encontros se tornaram mais frequentes e passaram a incluir atividades cotidianas, como refeições compartilhadas e celebrações de datas comemorativas.
Adoção de adulto foi registrada no Tribunal de Órfãos da Pensilvânia
A adoção foi registrada no Tribunal de Órfãos da Pensilvânia, instância responsável por processos desse tipo no estado.
Embora a adoção de adultos seja prevista na legislação de algumas jurisdições americanas, o caso ganhou destaque pela idade de Bill no momento da decisão e pelo posterior reconhecimento do Guinness.
Segundo informações divulgadas pelo livro de recordes, Bill informou que seus pais biológicos, William Sr. e Kathryn Stains, morreram em 2003.
Ele declarou que guarda lembranças da família de origem, mas que também se mostrou aberto à criação de um novo vínculo legal com Ryan e Jessica.
O processo foi concluído em 12 de novembro de 2020.
A partir dessa data, Bill passou a ser reconhecido legalmente como filho do casal e teve o recorde registrado pelo Guinness.
O livro também informa que Bill nasceu em 13 de janeiro de 1946.
Ideia da adoção surgiu em conversa informal, segundo o casal
A iniciativa de formalizar a relação, segundo Ryan, surgiu em uma conversa informal.
Em entrevista reproduzida pelo Guinness, ele contou que mencionou a adoção como uma possibilidade durante um momento de descontração na garagem.
Ainda de acordo com esse relato, Bill concordou com a ideia no mesmo momento.

O Guinness relaciona a decisão ao histórico de convivência entre os três e ao desejo do casal de reconhecer oficialmente alguém que, segundo eles, já fazia parte da família no dia a dia.
O registro também menciona a atuação conjunta em atividades comunitárias, incluindo trabalho voluntário em uma organização local voltada a veteranos.
Sobre esse ponto, o material publicado não detalha normas internas da instituição citada nem especifica de que forma a adoção alterou a participação de Bill.
Diante da ausência de informações públicas mais precisas, o Guinness limita-se a relatar que o envolvimento comunitário foi um dos contextos mencionados pela família ao explicar a decisão.
Reconhecimento legal alterou rotina da família após 2020
Após a conclusão do processo, a data da adoção passou a ser lembrada anualmente pela família como um marco simbólico.
Segundo o Guinness, o trio também passou a utilizar, de forma informal, os termos “mãe”, “pai” e “filho” em situações cotidianas.

Ao comentar os efeitos pessoais da adoção, Bill afirmou que a convivência mais próxima influenciou sua rotina e suas prioridades.
Em declaração ao Guinness, disse que passou a aguardar com expectativa os encontros familiares e que percebe mudanças na forma como se relaciona com outras pessoas.
Jessica também comentou o impacto da decisão. Em fala atribuída a ela pelo Guinness, afirmou que a adoção contribuiu para aproximar ainda mais a família e que Bill passou a ser tratado da mesma forma que os demais filhos do casal.
A avaliação, segundo ela, reflete a dinâmica familiar construída após o reconhecimento legal.
Na publicação oficial, o Guinness observa que a história passou a ser citada como um caso incomum de adoção de adultos, principalmente pela idade do adotado no momento do processo.
A repercussão, conforme o próprio livro de recordes, ocorreu anos depois da decisão judicial, quando o título foi divulgado internacionalmente.
A trajetória de Bill e da família Fiscus levanta discussões recorrentes sobre os diferentes formatos de vínculos familiares reconhecidos pela lei e sobre quantas relações semelhantes permanecem restritas ao âmbito privado por não seguirem os modelos mais conhecidos de adoção?

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