Sem formação em agricultura, o jovem chinês formado em direito voltou ao deserto em 2019, testou 63 variedades de forragem e domou a areia com aspersores de pivô central. Hoje cultiva alfafa e trigo, mas o plano de chegar a 20.000 hectares e produzir grãos ainda é uma ambição.
O jovem chinês Xu Zhaoyang, de 32 anos, passou anos fazendo o que os moradores locais diziam ser impossível: transformar parte do deserto de Taklimakan em terra de cultivo, onde hoje colhe alfafa até seis vezes por ano em mais de 1.530 hectares. O relato é do jornal China Daily, que acompanhou a trajetória de quem o pai dizia que não conseguiria e cuja primeira safra foi enterrada por uma tempestade de areia.
A história mistura fracasso, teimosia e ciência do solo. Pela apuração do China Daily, Xu voltou à região de Hotan, no extremo sul do deserto, em 2019, logo após se formar em direito e sem qualquer experiência com agricultura. Começou com pouco mais de 20 hectares de terra salina e alcalina, e hoje é conhecido na região como o “Rei da Grama de Hotan”, à frente de uma propriedade que já reúne quase 670 hectares de alfafa e mais de 530 hectares de trigo.
Do direito ao deserto: um agricultor sem diploma de agronomia
![Xu Zhaoyang concede uma entrevista sobre o tratamento do Deserto de Taklimakan em Hotan, em abril. [Foto cedida ao China Daily]](https://clickpetroleoegas.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Pai-dizia-que-era-impossivel-e-uma-tempestade-enterrou-1290x726.jpg)
O jovem chinês chegou à lavoura por um caminho improvável. Xu não tem formação em agronomia: na Universidade de Tecnologia de Anhui, estudou engenharia civil por dois anos, mudou para administração e depois se preparou para um mestrado em direito, concluído em 2018. Ainda assim, o deserto corria em suas veias, já que aos 10 anos, em 2005, ele se mudou para a região autônoma de Xinjiang Uygur com os pais, vindo da província de Henan.
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As lembranças de infância empurraram a decisão. Ele guarda na memória as tempestades de areia negra que transformavam o dia em noite, obrigando as famílias a acender as luzes dentro de casa ao meio do dia, e o hábito de sacudir a areia das roupas toda noite. Movido pela vontade de fazer algo pelo ambiente da sua cidade, voltou em 2019 e viveu sozinho por mais de dois anos em um barracão simples na ponta sul do deserto, cavando canais de drenagem e lavando o sal do solo à mão.
A tempestade que enterrou tudo e a virada

O golpe mais duro veio em maio de 2020. A primeira safra de mudas tinha acabado de abrir duas folhas verdes e tenras quando uma parede de areia uivou pelo deserto durante 12 horas seguidas. Na manhã seguinte, meses de trabalho estavam soterrados. “Quando corri para o campo na manhã seguinte, tudo estava enterrado”, contou Xu, ao lembrar que perdeu tudo de uma só vez.

Uma ligação para um antigo professor mudou o rumo. O docente lembrou ao jovem chinês que ele mesmo havia escrito, na sua tese, que empreender é um processo constante de tentativa e erro, e que o deserto poderia engolir as mudas, mas não a determinação. Reanimado, Xu passou a trabalhar em parceria estreita com instituições de pesquisa, plantou 63 variedades diferentes de forragem e, por mais de um ano, carregou um caderno para todo lado, anotando ciclos de crescimento, tolerância à seca, produtividade e qualidade.
A alfafa, a água e a mecanização
A resposta para o solo movediço veio de uma leguminosa. O jovem chinês identificou a alfafa como a planta ideal, porque seus nódulos radiculares fixam nitrogênio e enriquecem o solo, ao mesmo tempo que as raízes profundas prendem a areia e permitem colher por sete anos a partir de um único plantio. Sob o sol intenso do sul de Xinjiang, ele agora faz de cinco a seis colheitas por ano.
A água foi o maior obstáculo até a chegada da tecnologia. A irrigação por gotejamento tradicional falhou no solo arenoso, porque a evaporação era rápida demais, então Xu adotou sistemas de aspersão de pivô central em larga escala, com uma única pessoa gerindo a irrigação de 1.330 a 2.000 hectares. A mecanização fez o resto: uma máquina semeia quase 70 hectares por dia, e as colheitadeiras cortam, recolhem, enfardam e carregam quase sem mão humana, com lucro líquido da alfafa entre 10.500 e 12.000 yuans por hectare.
O pai que duvidava e os planos para o futuro
A maior resistência veio de dentro de casa. O pai, Xu Daobin, havia se oposto ao plano do filho de empreender na agricultura do deserto, alertando que até um agricultor experiente teria dificuldade ali e que a família tanto se esforçara para mandar o filho à universidade em busca de um emprego estável. “Eu disse que ele não conseguiria. Agora ele realmente conseguiu”, reconheceu o pai. A propriedade do jovem chinês cresceu para mais de 1.530 hectares, com quase 670 de alfafa e mais de 530 de trigo.
As metas seguintes são bem maiores, mas ainda no campo do projeto. Xu planeja expandir a área de plantio para 13.300 ou até 20.000 hectares nos próximos três a cinco anos e, no horizonte mais distante, transformar o Taklimakan em campos de grãos para reforçar a produção de arroz do país. Ele garante que o maquinário e a tecnologia consolidados tornam isso viável, embora os números ainda dependam dos próximos anos. Para ele, o que cresce no deserto não é apenas alfafa, mas as raízes da sua geração.
O jovem chinês Xu Zhaoyang, formado em direito e sem qualquer diploma de agronomia, passou anos transformando a terra salina do deserto de Taklimakan, perto de Hotan, em lavoura, superando uma tempestade de areia que enterrou sua primeira safra em 2020 e a desconfiança do próprio pai, e hoje colhe alfafa até seis vezes por ano em mais de 1.530 hectares, somados a mais de 530 de trigo. A virada veio com 63 variedades testadas, aspersão de pivô central e forte mecanização, em uma operação que ele descreve como rara em lucratividade para o deserto. Os planos maiores, de chegar a 20.000 hectares e cultivar grãos para a produção nacional de arroz, ainda são ambições, mas o agricultor resume o esforço como plantar as raízes da sua geração no que antes era um terreno baldio.
E você, apostaria contra alguém que todos diziam que iria fracassar, ou acredita que persistência e tecnologia podem mesmo domar um deserto? O que faz a diferença entre transformar areia em lavoura e desistir no meio do caminho? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre agricultura e inovação, com respeito às diferentes visões.

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