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Idoso catador de recicláveis da Bahia, emociona ao conquistar pós-graduação aos 63 anos em Universidade Federal

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/12/2025 às 09:15
Idoso de 63 anos, Jeronimo Bispo dos Santos, catador de recicláveis de Camaçari (Bahia), voltou a estudar, somou formações ao longo da vida e concluiu uma pós-graduação na UFBA, mostrando que aprender no nordeste não tem prazo de validade.
Idoso de 63 anos, Jeronimo Bispo dos Santos, catador de recicláveis de Camaçari (Bahia), voltou a estudar, somou formações ao longo da vida e concluiu uma pós-graduação na UFBA, mostrando que aprender no nordeste não tem prazo de validade.
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Idoso de 63 anos, Jeronimo Bispo dos Santos, catador de recicláveis de Camaçari (Bahia), voltou a estudar, somou formações ao longo da vida e concluiu uma pós-graduação na UFBA, mostrando que aprender no nordeste não tem prazo de validade.

Se você acha que “já passou da idade” para voltar a estudar, a história de um idoso da Bahia vai te fazer repensar na hora. Jeronimo Bispo dos Santos viveu o tipo de rotina que costuma esmagar sonhos: começou a trabalhar ainda criança, interrompeu a escola, precisou correr atrás de sustento e, mesmo assim, não largou a ideia de aprender.

O resultado veio do jeito mais simbólico possível: mais de 60 anos nas costas e um certificado de pós-graduação nas mãos, na universidade federal mais tradicional do estado. 

Uma vida inteira entre trabalho pesado e vontade de estudar

Jeronimo sempre teve queda pelos estudos. Desde pequeno, lá em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, ele dizia que achava bonito ver as crianças indo para a escola.

Só que a vida apertou cedo: aos 9 anos, começou a trabalhar para ajudar a mãe a criar os irmãos mais novos.

Mais tarde, aos 18, ele parou de frequentar a escola justamente quando se mudou para Camaçari em busca de uma chance melhor.

Mesmo com as interrupções, ele não desistiu. Em 1986, aos 24 anos, conseguiu retomar os estudos e se formou como técnico em Instrumentação Industrial.

Depois, ainda nos anos 1990, concluiu o segundo grau em Administração de empresas. Décadas mais tarde, em 2012, veio a graduação em Administração pela Unifacs. 

A conquista na Universidade Federal da Bahia – UFBA: pós-graduação aos 63 anos

A virada mais recente aconteceu neste ano de 2025. Jeronimo, aos 63 anos, recebeu o certificado de conclusão da pós-graduação em Gestão de Resíduos Sólidos Socialmente Integrada, curso da Escola Politécnica da UFBA, uma universidade federal que ele próprio tratou como sonho antigo.

A cerimônia de entrega do certificado ocorreu na terça-feira (7), segundo relato publicado pelo Jornal Correio em 10 de outubro de 2025. 

O curso é divulgado pela Escola Politécnica da UFBA como uma formação voltada ao tema de resíduos e gestão integrada, com foco social e ambiental, em linha com o que o próprio nome do programa propõe. Para referência institucional, veja a página do curso de Gestão de Resíduos Sólidos Socialmente Integrada (GERSI).

Coopmarc, Camaçari e a rotina dupla: administrar e catar

O diploma não é “enfeite” para Jeronimo. Ele atua como administrador e catador de recicláveis na Cooperativa de Materiais Recicláveis de Camaçari (Coopmarc), onde trabalha desde 1999.

Foi nessa época que ele entrou na cooperativa a convite de um amigo, enquanto conciliava o serviço como instrumentista no polo petroquímico com a catação nas ruas. 

E ele conta com detalhes como era o dia a dia: “Eu saía do polo, vinha para a cooperativa, pegava o carro-plataforma com a grade e a gente ia catar papelão”.

Na rua, vinha também o julgamento, inclusive de gente próxima. Jeronimo ouviu provocações e questionamentos, mas respondia de forma direta:

“O pessoal me encontrava na rua e dizia assim: ‘você é um técnico catando papelão?’. E eu respondia: ‘não, eu não estou catando porque eu quero, é porque preciso’. Estou dentro da cooperativa e quero ajudar”

Idoso 63 anos: O “vovô da sala” e o preço real da disciplina

A caminhada acadêmica sempre cobrou caro em rotina. Jeronimo descreve que precisou trocar lazer por estudo e passar domingos e feriados mergulhado em trabalho e pesquisa.

Ele relata que, quando não estava na cooperativa, estava estudando em casa com um grupo de quatro colegas, e que até comentários atravessados surgiam, como se estudar fosse “ostentação”.

“Quando não estava na cooperativa, estava em casa estudando, pesquisando, fazendo trabalho junto com o grupo que formamos, de quatro colegas. As pessoas falavam: ‘ficou rico e tal’. Eu dizia: ‘não, gente, estou estudando, está uma correria muito grande’.” 

Aos 51, quando virou presidente da cooperativa e iniciou a graduação (em 2008), ele diz que era o “vovô da sala” e que aprender já não era “tão simples” quanto antes.

Ele resume com honestidade o que muita gente acima de mais de 60 anos sente, mas nem sempre fala “A gente já sabe que a cabeça não é tão boa, e alguma coisa a gente já esquece, precisa se esforçar mais. Por isso, eu tive que parar mesmo, ficar dentro de casa para poder estudar”

Por que a história do Idoso de 63 anos, Jeronimo, importa para o Brasil que está envelhecendo

A trajetória do Jeronimo não emociona só por ser bonita. Ela conversa com um país que está ficando mais velho rapidamente.

O IBGE indica avanço da população idosa no Brasil e mantém uma área dedicada às projeções populacionais, usada como referência para entender o envelhecimento e planejar políticas públicas.

E tem outro ponto: quando um catador de recicláveis se especializa em resíduos sólidos, isso toca diretamente um tema central para cidades, saneamento e inclusão.

Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece diretrizes para gestão e fala em priorização de cooperativas e associações de catadores em serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos, reforçando por que a qualificação e o fortalecimento de organizações como cooperativas importam. Veja a lei na íntegra em Planalto (Lei nº 12.305/2010).

Na prática, isso também é tema de pesquisa e debate público. Um exemplo é a obra do Ipea sobre o universo dos catadores, que discute reciclagem, inclusão social e desafios do setor.

A frase que ele repete e que explica tudo

No fim, Jeronimo não vende fantasia. Ele fala de escolha e renúncia, do jeito mais pé no chão possível — e a mensagem serve para qualquer pessoa do nordeste e do Brasil inteiro, que esteja pensando em recomeçar:

“Quando queremos alguma coisa na vida, precisamos desistir daquilo que é menos importante. Porque naquele momento, a gente escolheu algo que julgou ser mais significativo”.

O que mais te marcou nessa história do Jeronimo Bispo, um idoso que provou que estudar não tem hora certa? Deixe seu comentário e, se você conhece alguém que precisa ler isso hoje, compartilhe a publicação.

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fabio santos
fabio santos
04/01/2026 19:16

parabens isto mostra a dedicaçao e vontade

Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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