Crise política iraniana avança com protestos no Irã, repressão violenta, hospitais sobrecarregados e reação internacional.
Os protestos no Irã se intensificaram nas últimas semanas e mergulharam o país em uma grave crise política iraniana, marcada por confrontos, repressão estatal e forte impacto humanitário.
Médicos relatam hospitais sobrecarregados com feridos, enquanto o governo reage com medidas de segurança mais duras e enfrenta crescente reação internacional.
As manifestações começaram em 28 de dezembro, espalharam-se por dezenas de cidades, envolveram civis e forças de segurança e já deixaram dezenas de mortos, segundo organizações de direitos humanos.
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Desde então, a repressão no Irã ganhou escala, com prisões em massa, bloqueio quase total da internet e restrições à atuação da imprensa estrangeira.
O cenário dificulta a verificação independente das informações, mas relatos médicos e declarações oficiais apontam para um agravamento rápido da crise.
Hospitais sobrecarregados relatam cenário de emergência
Em meio aos protestos no Irã, profissionais de saúde descrevem um sistema hospitalar à beira do colapso.
Um médico iraniano afirmou à BBC que o Hospital Farabi, principal centro oftalmológico de Teerã, vive uma situação de crise, com os serviços de emergência sobrecarregados.
“Internações e cirurgias não urgentes foram suspensas, e toda a equipe foi convocada para atender apenas emergências”, relatou o profissional, que conseguiu contato por meio de internet via satélite Starlink.
Segundo ele, muitos pacientes chegam com ferimentos graves nos olhos e na cabeça.
Em Shiraz, no sudoeste do país, outro médico confirmou um fluxo intenso de feridos. “Não há médicos suficientes para lidar com o grande número de pacientes”, disse, acrescentando que muitos apresentam ferimentos de bala.
Esses depoimentos reforçam o quadro de hospitais sobrecarregados em meio à escalada da violência.
Repressão no Irã amplia número de mortos e prisões
A repressão no Irã tem sido apontada por entidades internacionais como um dos principais fatores para o aumento das vítimas.
De acordo com a Human Rights Activist News Agency (HRANA), ao menos 50 manifestantes e 15 membros das forças de segurança morreram desde o início dos atos, além de mais de 2.300 pessoas presas.
Já a organização Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega, afirma que pelo menos 51 manifestantes morreram, incluindo nove crianças.
A BBC Persian confirmou a identidade de 22 vítimas após conversar com familiares.
Enquanto isso, autoridades iranianas classificam os manifestantes como “vândalos armados” e prometem “medidas legais decisivas”, em declarações do Conselho Supremo de Segurança Nacional.
Crise política iraniana provoca reação internacional
A crise política iraniana rapidamente ultrapassou as fronteiras do país e provocou forte reação internacional.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, declarou que a organização está “profundamente abalada” com a perda de vidas. “As pessoas em qualquer lugar do mundo têm o direito de se manifestar pacificamente”, afirmou.
Líderes europeus também se posicionaram.
O presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o chanceler alemão Friedrich Merz divulgaram uma declaração conjunta pedindo que o Irã proteja sua população e garanta liberdade de expressão e reunião pacífica.
Declarações de Trump elevam tensão diplomática
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump adotou um tom duro. Na Casa Branca, afirmou que o Irã está em “grandes apuros” e alertou: “É melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar”.
Trump disse ainda que seu governo acompanha de perto a situação e sugeriu que manifestantes estariam “tomando o controle de certas cidades”. Apesar disso, ressaltou que qualquer ação americana não envolveria tropas em solo iraniano.
O secretário de Estado Marco Rubio reforçou o apoio aos manifestantes ao declarar nas redes sociais: “Os EUA apoiam o bravo povo do Irã”.
Governo iraniano reage e líder supremo adota tom desafiador
Em resposta, o líder supremo Ali Khamenei fez discursos televisionados com tom desafiador.
“A República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará”, afirmou.
Em outra declaração, disse que o país “não se furtará a lidar com elementos destrutivos”.
O embaixador do Irã na ONU acusou os EUA de interferência nos assuntos internos, enquanto o braço de inteligência da Guarda Revolucionária prometeu continuar operações até a “completa derrota do plano do inimigo”.
Um cenário distinto de protestos anteriores
Analistas avaliam que os atuais protestos no Irã diferem de movimentos passados. O
ex-embaixador britânico Simon Gass afirmou que há um envolvimento popular mais amplo, impulsionado por dificuldades econômicas profundas.
Ainda assim, destacou a ausência de uma oposição organizada capaz de apresentar uma alternativa clara ao regime.
Nesse contexto, a combinação de repressão no Irã, hospitais sobrecarregados e crescente reação internacional mantém o país no centro das atenções globais, enquanto a crise política iraniana segue sem sinais de solução imediata.

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