Estudante brasileiro cria solução para reciclagem do papel de figurinhas da Copa e evita que resíduos difíceis de reaproveitar acabem em aterros.
Completar álbuns de futebol é uma tradição para milhões de brasileiros, especialmente durante grandes competições. No entanto, junto com a diversão surge um resíduo pouco conhecido: o papel de figurinhas que protege os adesivos antes da aplicação no álbum. Esse material, chamado liner, normalmente não é aceito por cooperativas convencionais de reciclagem e acaba sendo enviado para aterros sanitários.
Foi justamente observando esse problema que o estudante brasileiro Samuel Florêncio de Brito, de 15 anos, aluno do Sesi em Ribeirão Preto (SP), criou o projeto Recicla Liner. Segundo matéria publicada pelo G1 no dia 14 de junho, a iniciativa propõe a coleta e a destinação adequada desse resíduo, permitindo que ele seja reaproveitado por uma empresa especializada. O projeto mostra como uma ideia simples pode gerar benefícios ambientais concretos e inspirar outras escolas pelo país.
Como um estudante brasileiro transformou um resíduo ignorado em solução sustentável
Samuel percebeu que a maioria das pessoas descartava o liner sem saber que ele exigia um tratamento especial. Diferentemente do papel comum, esse material possui uma camada de silicone responsável por facilitar a remoção dos adesivos.
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Ao pesquisar sobre o tema, o estudante brasileiro descobriu que o componente não costuma ser aceito em sistemas convencionais de reciclagem. Isso faz com que grandes volumes acabem acumulados em aterros ou sejam descartados incorretamente.
A descoberta serviu de ponto de partida para a criação de uma alternativa prática dentro do ambiente escolar.

O volume gerado pelo papel de figurinhas durante as Copas do Mundo
O problema ganha relevância quando se observa a quantidade de material descartado. Segundo informações levantadas pelo projeto, um único álbum exige 980 figurinhas para ser completado.
Cada figurinha gera um pedaço de papel de figurinhas que normalmente é jogado fora. Quando esse número é multiplicado pelos milhões de álbuns comercializados durante grandes eventos esportivos, o resultado é um enorme volume de resíduos.
Entre os principais desafios estão:
- Falta de conhecimento sobre o descarte correto;
- Baixa aceitação do material em cooperativas;
- Acúmulo em aterros sanitários;
- Possível descarte inadequado em vias públicas e áreas naturais.
Embora seja um resíduo pequeno individualmente, seu impacto coletivo pode ser significativo.
Por que as figurinhas da Copa geram um material difícil de reciclar?
Muitas pessoas acreditam que o liner é apenas papel comum. No entanto, sua composição apresenta características que dificultam o reaproveitamento tradicional.
O silicone aplicado sobre a superfície cria uma barreira que dificulta o processamento convencional utilizado pela maioria das cooperativas brasileiras. Por esse motivo, o material precisa passar por etapas específicas de separação antes de retornar à cadeia produtiva.
Segundo Ailton Alves, responsável pela empresa que recebe as remessas coletadas pelo projeto, o descarte inadequado deve ser evitado justamente porque o material não se degrada da mesma forma que papéis comuns.
Esse cenário reforça a necessidade de ampliar iniciativas voltadas à reciclagem especializada.
Tecnologia permite recuperar fibras do papel de figurinhas
Após a coleta, o material segue de Ribeirão Preto para Guarulhos, onde passa por um processo industrial específico.
A tecnologia utilizada consegue separar o silicone das fibras de celulose presentes no papel de figurinhas. Depois disso, a matéria-prima recuperada pode voltar ao ciclo produtivo sem comprometer a qualidade do produto final.
Esse modelo traz benefícios importantes para a economia circular, reduzindo desperdícios e aproveitando recursos que normalmente seriam descartados.
Entre as vantagens do processo estão:
- Recuperação de fibras de celulose;
- Redução do envio de resíduos para aterros;
- Reaproveitamento de matéria-prima;
- Estímulo à economia circular.
A proposta mostra que até resíduos considerados problemáticos podem ganhar uma nova utilidade quando existe tecnologia adequada.

Estudante brasileiro cria pontos de coleta dentro da escola
Para transformar a ideia em realidade, Samuel contou com o apoio do laboratório de fabricação digital da instituição.
Utilizando uma máquina de corte a laser e materiais recicláveis, o estudante brasileiro projetou e montou urnas específicas para receber o material descartado pelos colegas.
O técnico de laboratório Yuri Henrique auxiliou no processo de fabricação e destacou o envolvimento do aluno na construção da solução.
As caixas foram posicionadas em áreas de convivência, facilitando o descarte logo após a abertura dos pacotes de figurinhas da Copa.
Essa estratégia tornou a participação dos estudantes mais simples e contribuiu para aumentar a adesão ao projeto.

Educação ambiental fortalece a cultura da reciclagem entre jovens
Mais do que recolher resíduos, a iniciativa busca conscientizar os alunos sobre a importância da destinação correta dos materiais.
A etapa atual do projeto inclui campanhas educativas voltadas para explicar que o liner não deve ser tratado como lixo comum. A intenção é criar hábitos sustentáveis que possam ser mantidos ao longo da vida.
O orientador de educação digital Fabrício Andrade destacou que a iniciativa serve como exemplo para toda a comunidade escolar, demonstrando que jovens também podem liderar mudanças positivas.
Essa combinação entre conhecimento e ação prática amplia o alcance da proposta e fortalece a cultura da reciclagem.
Figurinhas da Copa podem impulsionar novos projetos em escolas brasileiras
Um dos pontos mais interessantes da iniciativa é sua possibilidade de expansão.
As urnas possuem baixo custo de produção, enquanto o transporte do material pode ser realizado por transportadoras ou pelos Correios. Dependendo do volume coletado, existe ainda a possibilidade de coleta direta pela empresa recicladora.
Isso aumenta as chances de que outras unidades escolares adotem o mesmo modelo.
Caso a proposta seja replicada, mais estudantes poderão participar de ações ligadas à sustentabilidade e ao descarte correto de resíduos especiais.
Uma pequena ideia com potencial para gerar grandes mudanças
O projeto Recicla Liner mostra que soluções ambientais relevantes podem surgir da observação de problemas cotidianos. Ao identificar um destino inadequado para o papel de figurinhas, Samuel criou uma iniciativa capaz de reduzir resíduos e ampliar a conscientização ambiental.
Além de evitar que materiais sejam enviados para aterros sanitários, o projeto incentiva a reciclagem, fortalece a economia circular e demonstra o papel transformador da educação.
A trajetória do estudante brasileiro reforça que a inovação não depende apenas de grandes investimentos. Muitas vezes, ela começa com uma pergunta simples e a disposição de encontrar uma resposta capaz de beneficiar toda a sociedade.


São pequenos gestos que fazem a diferença no nosso dia dia e ao planeta, Parabéns ao Samuel ao seu orientador e a quem desenvolveu a técnica de reengenharia reversa para reaproveitamos um mesmo recurso e reduzirmos maiores extrações de recursos naturais. Faltou na reportagem a divulgação dos postos de coleta e como replicar este tipo de iniciativa não só nas escolas mas também nos postos de venda e trocas.