1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Saúde pública sob alerta: corte na vacinação infantil nos EUA preocupa médicos
Localização DF Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Saúde pública sob alerta: corte na vacinação infantil nos EUA preocupa médicos

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 09/01/2026 às 21:30
Especialistas alertam que a redução da vacinação infantil nos EUA pode ampliar o risco epidemiológico e favorecer doenças infecciosas.
Foto: IA
  • Reação
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Especialistas alertam que a redução da vacinação infantil nos EUA pode ampliar o risco epidemiológico e favorecer doenças infecciosas.

Nos últimos dias, uma decisão tomada nos Estados Unidos reacendeu o debate global sobre vacinação infantilsaúde pública e risco epidemiológico.

O governo norte-americano anunciou a retirada de seis vacinas do calendário vacinal recomendado para crianças.

A medida, divulgada nesta semana, preocupa médicos e especialistas, inclusive no Brasil, por ampliar a circulação de doenças infecciosas em um mundo cada vez mais conectado. 

Quem faz o alerta é a pediatra Andréa Jácomo, professora de medicina no Centro Universitário de Brasília.

Em entrevista ao programa CB.Saúde, parceria entre Correio e TV Brasília, ela destacou que decisões locais podem ter efeitos globais.

“Os vírus e as doenças andam de avião”, afirmou a médica, ao explicar por que o tema ultrapassa fronteiras nacionais. 

A mudança anunciada pelos EUA envolve vacinas contra hepatites A e B, gripe, meningococo, vírus sincicial respiratório e rotavírus.

Segundo especialistas, o impacto pode ser imediato, principalmente em países com grande fluxo de pessoas, como o Brasil. 

Vacinação infantil e a mudança no calendário vacinal dos EUA 

A decisão partiu do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), órgão responsável pelas diretrizes de saúde pública nos Estados Unidos.

Na prática, isso transfere a responsabilidade para os pais. Além disso, nos EUA não existe um sistema público universal como o SUS brasileiro.

Portanto, muitas famílias terão de pagar pelas vacinas, que têm alto custo, o que pode reduzir ainda mais a adesão à imunização infantil. 

Saúde pública sob pressão e ausência de evidências científicas 

Um dos pontos mais críticos, segundo Andréa Jácomo, é a falta de embasamento científico para a retirada das vacinas. “Desta vez, não há estudos que justifiquem a retirada”, afirmou. 

Historicamente, a saúde pública global avançou com estratégias amplas de vacinação.

Um exemplo citado pela especialista é a erradicação da poliomielite, iniciada na década de 1980 com as famosas “gotinhas”, vacina oral com vírus atenuado. Esse modelo salvou milhões de vidas ao redor do mundo. 

Doenças infecciosas: impactos já comprovados da vacinação 

Entre as vacinas retiradas, a contra hepatite B é considerada uma das mais sensíveis.

A doença pode ser transmitida da mãe para o bebê ainda no parto.

Após a introdução da vacina, houve uma redução de 89% nos casos em apenas um ano, um resultado que nenhuma medicação isolada consegue alcançar. 

Outro exemplo é a imunização contra bronquiolite, causada pelo vírus sincicial respiratório. 

Rotavírus e os custos evitáveis para os sistemas de saúde 

A retirada da vacina contra o rotavírus também preocupa.

Mesmo sendo um país rico, essas hospitalizações geram custos elevados. 

No Brasil, a experiência foi positiva.

Em 2006, a introdução da vacina no sistema público reduziu de forma expressiva as internações e mortes por diarreia infantil, reforçando a importância da vacinação infantil como política de saúde pública

Meningite, sarampo e o risco epidemiológico global 

A vacina meningocócica também está no centro do debate.

O Brasil tem registrado aumento de casos, inclusive no Distrito Federal.

Em 2025, o país contabilizou mais de nove mil casos de meningite e mais de mil mortes. 

“O cenário mudou completamente após a vacina ser incorporada em 2010”, lembrou Andréa Jácomo. Ainda assim, ela alerta que copiar modelos estrangeiros pode ser perigoso.

Nos EUA, por exemplo, o sarampo voltou a preocupar, com mais de dois mil casos e três mortes na última temporada. 

No Brasil, surtos anteriores mostraram que a queda na cobertura vacinal tem efeitos diretos. Em 2018, a região Norte registrou mais de nove mil casos e 12 mortes, principalmente entre crianças não vacinadas. 

Alerta das entidades médicas e a necessidade de vigilância 

Assim, a decisão dos EUA foi classificada como perigosa e desnecessária pela American Academy of Pediatrics. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Imunização também manifestaram preocupação. 

Segundo especialistas, o risco epidemiológico aumenta à medida que a circulação de pessoas se intensifica.

Em um mundo globalizado, a mensagem é clara: proteger a vacinação infantil é proteger a saúde pública de todos. 

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x