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Horário de verão vai voltar? Entenda o plano do governo que pode mudar a rotina no país após estudos apontarem risco no pico de energia à noite, queda da geração solar no fim da tarde e impacto direto em estados brasileiros

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/05/2026 às 11:06
Atualizado em 27/05/2026 às 11:25
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Horário de verão no Brasil segue em análise pelo governo por impacto no pico de energia e queda da geração solar no fim da tarde.
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Discussão sobre a volta do horário de verão no Brasil ganhou novo peso com estudos sobre consumo de energia, queda da geração solar no fim da tarde e pressão no sistema elétrico durante o início da noite, período considerado mais sensível pelo governo.

O horário de verão segue fora do calendário brasileiro, mas voltou ao radar do governo federal por causa da pressão sobre o sistema elétrico no início da noite, quando o consumo de energia costuma aumentar em residências e parte do comércio.

Até maio de 2026, não há anúncio oficial de retorno da mudança nos relógios. O Ministério de Minas e Energia informa que o tema permanece em avaliação periódica, principalmente por causa do aumento da demanda no horário de pico e da queda da geração solar no fim da tarde.

A discussão ganhou força nas redes sociais após a tramitação, nos Estados Unidos, de uma proposta que busca manter o horário de verão de forma permanente. A medida, porém, ainda não foi adotada no país norte-americano.

Atualmente, a maior parte dos Estados Unidos adianta os relógios em março e retorna ao horário padrão em novembro. No Brasil, o debate não se concentra apenas na economia de energia, como ocorria em décadas anteriores.

O ponto central analisado pelo governo é se o adiantamento dos relógios poderia reduzir a pressão sobre o sistema elétrico no começo da noite, período em que a demanda costuma subir nas residências e em atividades comerciais.

Horário de verão no Brasil volta ao radar do governo

O governo acompanha o equilíbrio entre oferta e consumo de eletricidade no país. Dentro desse monitoramento, um dos pontos observados é o chamado pico de demanda, quando milhões de consumidores usam equipamentos elétricos ao mesmo tempo.

Esse intervalo costuma ocorrer no início da noite, com maior uso de iluminação, chuveiros, aparelhos de ar-condicionado, televisores e eletrodomésticos. No mesmo período, a geração solar perde força porque depende da luminosidade natural.

Com a queda da produção fotovoltaica no fim da tarde, o sistema precisa compensar essa redução com outras fontes de energia. A avaliação em curso considera justamente a relação entre esse recuo da geração solar e o aumento do consumo.

Ao longo do dia, a energia solar ajuda a atender parte da demanda. Mais tarde, quando a produção diminui e o consumo cresce, o governo analisa se uma hora adicional de claridade poderia reduzir parte da pressão sobre o sistema.

Pico de consumo de energia muda foco do debate

Historicamente, o horário de verão foi usado para aproveitar melhor a luz natural nos meses mais quentes. Com os relógios adiantados em uma hora, a expectativa era reduzir o uso de iluminação artificial no fim do dia.

Esse efeito perdeu relevância ao longo do tempo, segundo avaliações do Ministério de Minas e Energia. Estudos de 2019 indicaram redução dos benefícios esperados, em razão de mudanças nos hábitos de consumo da população.

Com o avanço de novos equipamentos, a expansão do ar-condicionado e alterações na rotina urbana, o maior consumo diário deixou de se concentrar apenas no período noturno. Parte da demanda passou a ocorrer também durante a tarde.

Nos últimos anos, a ampliação de usinas solares e sistemas de geração fotovoltaica acrescentou outro fator ao debate. A análise deixou de considerar somente o volume total consumido e passou a observar também o horário em que a energia é demandada.

Em 2024, avaliações técnicas citadas pelo setor elétrico apontaram que a retomada do horário de verão poderia reduzir a carga máxima em determinados horários e melhorar o aproveitamento de fontes renováveis, como solar e eólica.

A estimativa mencionada em análises do setor indicava possibilidade de redução de até 2,9% na carga máxima em alguns cenários. O dado é usado como uma das referências na discussão sobre o impacto da mudança nos relógios.

Estados que eram afetados pelo horário de verão

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Antes da suspensão, o horário de verão era aplicado principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A mudança atingia Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

Essas áreas eram incluídas porque estão mais distantes da Linha do Equador. Nelas, a diferença de luminosidade entre verão e inverno é mais perceptível, especialmente nos meses mais quentes, quando os dias ficam mais longos.

Com maior presença de luz natural no fim da tarde, a expectativa era reduzir a necessidade de acionar equipamentos de iluminação mais cedo. Esse era um dos motivos para a aplicação concentrada em estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Nas regiões Norte e Nordeste, a variação de luminosidade entre as estações é menor. Por esse motivo, o impacto prático do horário de verão no aproveitamento da luz natural sempre foi mais limitado nesses locais.

A diferença geográfica ajuda a explicar por que a medida não era adotada em todo o território nacional. Na prática, os relógios eram adiantados em uma hora durante parte da primavera e do verão.

A alteração afetava a rotina de transporte, escolas, comércio, serviços, programação de televisão, voos e atividades econômicas em geral. Por isso, uma eventual retomada exigiria planejamento e comunicação prévia aos setores impactados.

Por que o horário de verão foi suspenso

O horário de verão deixou de ser adotado no Brasil em 2019. Naquele momento, a justificativa apresentada pelo governo foi a perda de efetividade na redução do consumo de energia elétrica.

Estudos usados na avaliação indicavam que a economia obtida já não tinha o mesmo peso observado em décadas anteriores. O padrão de consumo havia mudado, e parte da demanda passou a ocorrer durante a tarde, especialmente em dias quentes.

Com essa mudança, o benefício direto da claridade extra no início da noite ficou menor. A popularização de aparelhos eletrônicos, sistemas de refrigeração e novos hábitos de trabalho e lazer reduziu o peso da iluminação artificial no consumo total.

Apesar da suspensão, o tema continuou presente nas avaliações do setor elétrico. O Ministério de Minas e Energia informa que a política é reavaliada de acordo com as condições de oferta, consumo e operação do sistema.

Também entram na análise o comportamento dos reservatórios, as previsões de demanda e a capacidade de atendimento nos horários considerados mais críticos. Esses fatores ajudam a definir se a mudança nos relógios teria efeito relevante.

Energia solar pesa na análise sobre os relógios

A expansão da energia solar tornou a avaliação mais detalhada. Durante o dia, essa fonte contribui para reduzir a necessidade de acionamento de outras usinas, mas a produção diminui no fim da tarde, quando o consumo residencial tende a crescer.

Esse movimento cria uma curva de demanda mais exigente para a operação do sistema elétrico, segundo avaliações do setor. A queda da geração solar precisa ser compensada por outras fontes, como hidrelétricas, térmicas ou diferentes formas de operação energética.

Nesse contexto, o horário de verão voltou a ser analisado sob o ponto de vista do deslocamento da demanda. A intenção não seria apenas reduzir o consumo total do dia, mas alterar parte do horário em que a energia é utilizada.

Na rotina da população, uma eventual retomada significaria sair mais cedo do horário padrão. O fim da tarde ficaria mais claro, enquanto as manhãs começariam mais escuras em várias cidades, conforme ocorre em modelos desse tipo.

Esse efeito sobre a rotina costuma ser considerado nas avaliações do governo e de setores produtivos. Trabalhadores, estudantes, empresas e serviços que dependem de horários fixos estão entre os grupos diretamente afetados por mudanças no relógio.

Retorno do horário de verão ainda não foi confirmado

Até agora, o governo não confirmou a volta do horário de verão. A posição oficial é de acompanhamento, sem definição de data, formato ou lista definitiva de estados para uma eventual retomada.

Em outubro de 2025, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o país não precisaria retomar a medida naquele ano, embora o monitoramento continuasse. Para 2026, também não há anúncio oficial de retorno.

Caso a medida volte a ser adotada, a tendência é que o impacto se concentre nos locais onde ela era aplicada anteriormente, por causa da maior variação de luminosidade no verão em relação a outras áreas do país.

A decisão também teria de considerar a operação do setor elétrico, a comunicação com empresas e serviços públicos, os sistemas digitais, o transporte aéreo e a adaptação da população. Mudanças de horário afetam agendas, escalas de trabalho e sincronização de serviços.

Enquanto isso, boatos sobre uma retomada imediata continuam circulando nas redes sociais. O governo federal já publicou esclarecimentos anteriores para negar adoção automática da medida e reforçar que o assunto permanece em avaliação.

Nos Estados Unidos, a discussão recente ajudou a reacender o tema no Brasil, mas os contextos são diferentes. Lá, o debate envolve a possibilidade de manter um modelo permanente; aqui, o foco declarado está no atendimento energético nos horários de maior consumo.

Por enquanto, a rotina dos brasileiros continua sem alteração nos relógios. O horário de verão pode voltar a ser considerado se os estudos indicarem benefício relevante para o sistema elétrico, especialmente no fim da tarde e no início da noite. Até que haja uma decisão oficial, porém, não há mudança confirmada no calendário nacional.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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