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Guerra no Oriente Médio está fazendo o Brasil enriquecer: país voltou ao top 10 mundial do FMI graças ao petróleo que ficou mais caro e a projeção é ultrapassar a Rússia já em 2027 e a Itália em 2028

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 17/04/2026 às 17:04
Atualizado em 17/04/2026 às 17:06
O Brasil voltou ao top 10 do FMI com PIB de US$ 2,64 trilhões puxado pelo petróleo. Projeção aponta ultrapassagem sobre a Rússia em 2027 e Itália em 2028.
O Brasil voltou ao top 10 do FMI com PIB de US$ 2,64 trilhões puxado pelo petróleo. Projeção aponta ultrapassagem sobre a Rússia em 2027 e Itália em 2028.
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O FMI projeta que o Brasil retomará em 2026 a posição de 10ª maior economia global com PIB estimado em US$ 2,64 trilhões, impulsionado pela alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, e a previsão indica que o país superará a Rússia em 2027 e a Itália em 2028, chegando ao 8º lugar do ranking mundial.

O Fundo Monetário Internacional publicou nesta quarta-feira (15), em Washington, o relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO) com uma revisão favorável para o Brasil: a previsão de crescimento do PIB em 2026 subiu de 1,6% para 1,9%, puxada em parte pela condição do país como exportador líquido de energia num cenário de petróleo valorizado pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Com essa correção, o Brasil reassume a 10ª posição no ranking global de PIB, ultrapassando o Canadá, que ocupava o posto em 2025. O próprio FMI atribui ao conflito no Oriente Médio um efeito positivo líquido de aproximadamente 0,2 ponto percentual sobre o crescimento econômico brasileiro neste ano.

A escalada de preços do petróleo, consequência direta dos combates na região, beneficia diretamente o Brasil por conta das suas exportações de energia. O FMI cortou a expectativa de expansão da economia mundial para este ano de 3,3% para 3,1%, mas o movimento oposto aconteceu com o Brasil, que ganhou fôlego justamente onde o resto do planeta perdeu. É uma janela de oportunidade que coloca o país numa trajetória de ascensão no ranking das maiores economias pelos próximos anos, com projeções que apontam ultrapassagem sobre a Rússia já em 2027 e sobre a Itália em 2028.

Como a guerra no Oriente Médio empurrou o Brasil para cima no ranking do FMI

O mecanismo que beneficia o Brasil é a combinação entre produção petrolífera robusta e um mercado global onde o barril ficou significativamente mais caro. Com a guerra entre EUA e Irã pressionando as cotações, os países que vendem mais petróleo do que compram passaram a faturar mais com cada barril exportado. O Brasil se encaixa nesse perfil de exportador líquido de energia, e o FMI reconhece explicitamente essa vantagem no documento.

O relatório estima que o conflito adicionou cerca de 0,2 ponto percentual ao crescimento do PIB brasileiro em 2026. Parece pouco de forma isolada, mas foi o suficiente para elevar a projeção de 1,6% para 1,9% e recolocar o Brasil à frente do Canadá no ranking global. A valorização das exportações em dólar também contribui para inflar o PIB nominal, que é o critério usado pelo FMI para montar a lista das maiores economias do mundo.

PIB de US$ 2,64 trilhões: o que o número significa para o Brasil

A previsão do FMI coloca o PIB nominal do Brasil em US$ 2,64 trilhões para 2026, valor que garante a 10ª colocação global. À frente, permanecem os Estados Unidos (US$ 32,38 trilhões), seguidos por China, Japão, Alemanha e Reino Unido nas cinco primeiras posições. O Brasil entra no segundo pelotão, disputando espaço com economias europeias e com a Rússia, que vem perdendo terreno por conta das sanções e da reorganização forçada do seu comércio exterior.

Para 2027, o FMI projeta crescimento de 2% para o Brasil, acima do 1,9% previsto para este ano. Esse avanço, combinado com a desaceleração esperada da economia russa, seria suficiente para que o Brasil assuma a 9ª posição, deixando a Rússia para trás no ranking. Em 2028, a trajetória ascendente levaria o país a superar também a Itália e alcançar o 8º lugar. São projeções, não garantias, mas o fato de o FMI publicá-las no seu principal documento anual confere peso institucional considerável a esse cenário.

O crescimento desacelerou, mas o Brasil subiu no ranking

O dado exige contexto. Embora a projeção de 1,9% para 2026 represente uma melhora frente à estimativa anterior, ela indica ritmo menor do que o registrado no ano passado, quando a economia brasileira avançou 2,3%. O Banco Central projeta avanço ainda mais modesto, de 1,6%, conforme seu Relatório de Política Monetária. A diferença entre as estimativas reflete visões distintas sobre o peso dos juros altos e da desaceleração global sobre a atividade doméstica.

Mesmo com crescimento menor, o Brasil sobe no ranking porque outros países caíram mais. A economia global como um todo perdeu fôlego com a guerra e com o encarecimento dos insumos energéticos, e nações que dependem de petróleo importado foram penalizadas de forma desproporcional. O Brasil ficou do lado dos que se beneficiam, ao contrário da Rússia, que mesmo sendo produtora enfrenta sanções que limitam seus ganhos, e isso foi determinante para a recomposição da posição brasileira entre as dez maiores economias do planeta.

Comparação com outros emergentes: Índia e China ainda crescem bem mais rápido

A ascensão no ranking não apaga o fato de que o ritmo de expansão do Brasil é inferior ao de outros grandes emergentes. A Índia deve registrar avanço de 6,5% em 2026, enquanto a China projeta 4,4%, ambos muito acima dos 1,9% brasileiros. A diferença de velocidade indica que, embora o Brasil esteja subindo posições em termos absolutos de PIB, a distância para as economias asiáticas em termos de dinamismo permanece expressiva.

O FMI prevê que a Índia ultrapassará a Alemanha em 2031 e alcançará a terceira colocação mundial. O Brasil, por sua vez, precisará manter a trajetória de crescimento por vários anos consecutivos para se consolidar entre as oito maiores economias de forma duradoura. Qualquer reversão nos preços do petróleo ou deterioração do cenário fiscal interno pode alterar as projeções.

PIB alto, renda per capita baixa: a contradição que persiste no Brasil

Subir no ranking de PIB total é uma coisa. Distribuir essa riqueza entre a população é outra. O PIB per capita do Brasil foi projetado em US$ 10.685 para 2025, valor que deixa o país atrás de economias bem menores, como a Albânia. Nações com populações diminutas, como Luxemburgo e Liechtenstein, ocupam as primeiras posições nesse indicador, que mede melhor o nível de vida individual do que o PIB absoluto.

Essa defasagem evidencia que o Brasil pode ser uma potência econômica em termos de volume sem que isso se traduza em qualidade de vida proporcional para seus cidadãos. Ser a 10ª, 9ª ou 8ª maior economia do mundo é relevante em termos geopolíticos e comerciais, mas o impacto no cotidiano da população depende de como essa riqueza é gerada, tributada e redistribuída. É nesse ponto que o debate sobre o crescimento brasileiro ganha complexidade e deixa de ser apenas uma questão de posição em rankings internacionais.

E você, acha que o Brasil está realmente enriquecendo com a guerra no Oriente Médio ou apenas surfando uma onda que pode acabar a qualquer momento? A alta do petróleo beneficia o país ou só as exportadoras? Deixe sua opinião nos comentários.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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