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Groenlândia enfrenta crise climática no Ártico e desaceleração econômica

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 24/01/2026 às 16:33
Economia da Groenlândia sofre com crise climática no Ártico, envelhecimento da população e pressão internacional por terras raras.
Foto: IA
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Economia da Groenlândia sofre com crise climática no Ártico, envelhecimento da população e pressão internacional por terras raras.

A Groenlândia voltou ao centro da geopolítica internacional após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Esse debate surge, sobretudo à desaceleração da economia local e ao crescente interesse global pelas terras raras escondidas sob o gelo. 

Nesse contexto, a ilha, localizada entre a América do Norte e a Europa, atravessa um momento decisivo, que combina pressão externa. 

Atualmente, cerca de 81% do território da Groenlândia permanece coberto por gelo. 

Ainda assim, o país abriga aproximadamente 56 mil habitantes, formados majoritariamente por povos originários inuit. 

Além disso, sua localização estratégica, fundamental para rotas comerciais e para a segurança internacional, explica por que a ilha passou a ser vista como um ativo geopolítico relevante em um cenário global cada vez mais competitivo. 

Economia da Groenlândia depende da pesca e de subsídios 

A economia da Groenlândia se sustenta, principalmente, na pesca e em transferências financeiras da Dinamarca. 

Desde 2009, com a entrada em vigor da Lei de Autogoverno, o país recebe cerca de 3,4 bilhões de coroas dinamarquesas por ano, valor próximo a US$ 500 milhões. 

Dessa forma, o subsídio garante estabilidade fiscal, mas também limita a autonomia financeira de longo prazo. 

Segundo a professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, Carolina Pavese, a atividade pesqueira vai além da dimensão econômica. 

Na prática, ela desempenha um papel central na cultura e no modo de vida da população local. 

Enquanto isso, grande parte da produção abastece o consumo interno, e o excedente segue para exportação, sobretudo para a União Europeia e, em menor escala, para a China. 

Por outro lado, os Estados Unidos não figuram entre os principais destinos das exportações groenlandesas. 

No campo das importações, porém, a dependência externa permanece elevada.

Produtos industrializados, alimentos processados e bens de consumo chegam, majoritariamente, do mercado europeu. 

Como resultado, essa dinâmica amplia a vulnerabilidade da economia local diante de oscilações externas. 

Relatórios indicam desaceleração e risco fiscal 

Dados recentes do Banco Nacional da Dinamarca mostram que a economia da Groenlândia entrou em trajetória de desaceleração. 

Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,2%, após registrar avanço de 0,8% no ano anterior. 

Assim, o ritmo de expansão perdeu força de maneira consistente. 

De acordo com relatório divulgado em janeiro, as finanças públicas se deterioraram de forma inesperada ao longo de 2025. 

Além disso, a liquidez do Tesouro da Groenlândia caiu para um nível considerado criticamente baixo no segundo semestre do ano. 

Esse cenário, portanto, acendeu alertas sobre a sustentabilidade fiscal do país. 

Entre os principais fatores que explicam essa conjuntura estão o envelhecimento da população, a baixa taxa de natalidade e a escassez de mão de obra qualificada. 

Somam-se a isso problemas de infraestrutura, como atrasos em projetos de fornecimento de energia, que impactam diretamente a atividade econômica. 

Crise climática no Ártico ameaça pesca e modo de vida 

A crise climática no Ártico já produz efeitos diretos e mensuráveis na Groenlândia. 

Com o aumento da temperatura, o aquecimento das águas e o degelo alteram a dinâmica da vida marinha. 

Consequentemente, a pesca, principal fonte de renda e subsistência da população, enfrenta riscos crescentes. 

Além dos impactos econômicos, essas transformações ameaçam a preservação da cultura inuit. 

Para a comunidade local, o meio ambiente não representa apenas um ativo econômico, mas sim um elemento essencial da organização social e da identidade coletiva. 

Degelo desperta interesse por terras raras 

Paralelamente, o avanço do degelo intensifica o debate sobre a exploração mineral. 

Nesse sentido, a Groenlândia concentra depósitos relevantes de terras raras, minerais estratégicos usados na fabricação de baterias, turbinas e tecnologias digitais. 

Por isso, o território passou a atrair atenção internacional. 

“Há um interesse de longo prazo em explorar esses minérios e, consequentemente, reduzir a dependência da China, que lidera a oferta global, especialmente de terras raras”, afirma Pavese. 

Assim, a questão mineral se insere diretamente na disputa geopolítica global. 

Apesar do potencial, entretanto, a exploração ainda permanece limitada.

Segundo a especialista, a profundidade dos depósitos amplia os impactos sociais e ambientais.

“As terras raras exigem uma mineração muito mais invasiva do que a mineração convencional”, explica. 

Autogoverno e controle dos recursos naturais 

Desde a adoção da Lei de Autogoverno, em 2009, a Groenlândia assumiu o controle direto sobre seus recursos minerais. 

Com isso, eventuais receitas provenientes da exploração ficam sob responsabilidade do governo local. 

No entanto, o modelo prevê uma contrapartida clara: quanto maior a arrecadação própria, menor o subsídio enviado pela Dinamarca. 

O sistema político garante autonomia administrativa e permite a gestão própria de áreas como saúde, educação e segurança pública. 

Além disso, a população elege diretamente o Legislativo, enquanto um Conselho Econômico avalia, de forma contínua, a sustentabilidade das políticas públicas adotadas. 

EUA, China e a nova geopolítica do Ártico 

A disputa em torno das terras raras colocou a Groenlândia definitivamente no radar dos Estados Unidos, sobretudo como alternativa ao domínio chinês nesse mercado estratégico. 

Em determinado momento, Trump chegou a ameaçar anexar o território. 

No entanto, recuou após reações negativas da Dinamarca e de aliados europeus. 

Segundo Pavese, o interesse norte-americano reflete uma estratégia de longo prazo.

“Trata-se de uma aposta distante no tempo, mas que surge da necessidade dos Estados Unidos de driblar a dependência que mantêm da China”, avalia. 

Dessa forma, entre a intensificação da geopolítica internacional, a crise climática no Ártico e os desafios estruturais da economia da Groenlândia, o futuro da ilha permanece no centro de uma disputa que vai muito além de suas fronteiras. 

Veja mais em: CNN Brasil | Notícias Ao Vivo do Brasil e do Mundo

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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