Com R$ 30 bilhões extras, Forças Armadas priorizam caças Gripen, submarino nuclear e mísseis modernos em plano estratégico até 2032.
As Forças Armadas brasileiras — Marinha, Exército e Força Aérea Brasileira (FAB) — preparam uma modernização histórica após a aprovação de um pacote de R$ 30 bilhões voltado a projetos estratégicos da Defesa Nacional.
O investimento, previsto para ser aplicado em seis anos, foi aprovado pelo Senado com ampla maioria e agora segue para a Câmara dos Deputados.
O valor, que ficará fora do arcabouço fiscal, destinará R$ 5 bilhões por ano para reestruturar o setor, que há anos sofre com falta de recursos para manutenção e modernização de equipamentos.
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Segundo oficiais-generais ouvidos sob reserva, o clima nas Forças Armadas é de “animação, alívio e otimismo”, diante da chance de recuperar a capacidade operacional perdida ao longo da última década.
Defesa mira padronização internacional e investimento sustentável
O plano faz parte de uma estratégia mais ampla que busca alinhar o Brasil ao padrão de investimento militar da OTAN, que destina 2% do PIB à defesa.
Essa meta, no entanto, depende da aprovação da chamada PEC da Previsibilidade, que deverá ser discutida apenas após as eleições de 2026.
Enquanto isso, a destinação dos recursos extraordinários já começa a ser definida. Cada força — Marinha, Exército e FAB — apresentou suas prioridades para o uso do reforço bilionário, com foco em caças Gripen, novos navios, sistemas de mísseis e defesa de fronteiras.
FAB: foco em Gripen, drones e manutenção de aeronaves
Na Força Aérea Brasileira (FAB), a prioridade é concluir a entrega dos caças suecos Gripen, adquiridos em parceria com a Saab.

O cronograma inicial previa a conclusão até 2024, mas, devido à falta de verba, foi prorrogado até 2032.
Até o momento, apenas 10 dos 36 caças Gripen foram entregues. A nova injeção de recursos permitirá não apenas acelerar as entregas, mas também custear manutenção, modernização e equalização de juros — que, segundo cálculos internos, consomem valores equivalentes à compra de até cinco aeronaves novas.
Outro ponto estratégico para a FAB será o investimento em drones de alta tecnologia, considerados essenciais para missões de vigilância e defesa aérea.
Essa área é vista como uma das mais carentes da estrutura militar brasileira e será prioridade na nova fase de modernização.
Marinha: submarino nuclear e defesa da Amazônia Azul
A Marinha do Brasil planeja aplicar parte dos recursos na retomada do programa do submarino nuclear, projeto considerado vital para garantir soberania nas águas territoriais.

O avanço da iniciativa tem sido lento, principalmente por limitações orçamentárias.
Além disso, a Marinha pretende renovar sua frota com novas fragatas e ampliar o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, que monitora a imensa área marítima sob jurisdição nacional — responsável por mais da metade da extensão territorial do Brasil.
Essa região, rica em petróleo, minérios e biodiversidade, exige tecnologia de ponta em radares, inteligência artificial e análise de dados para detecção rápida de ameaças.
A primeira unidade de vigilância, em Ilha Grande (RJ), tem entrega prevista para 2026, enquanto a segunda, em Cabo Frio, ainda aguarda liberação de verba.
Exército: fronteiras e modernização da artilharia com novos mísseis
No Exército Brasileiro, a prioridade será reforçar o Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), criado nos anos 2000 e atualmente defasado.
O sistema é crucial para combater tráfico de drogas, contrabando e espionagem internacional em áreas sensíveis da Amazônia.
Os generais também destacaram a necessidade de modernizar a artilharia e adquirir novos mísseis táticos de cruzeiro, uma das lacunas mais críticas do arsenal nacional.
O estoque atual é considerado baixo e insuficiente para atender às exigências de um cenário geopolítico cada vez mais tenso.

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