Após quase 11 meses no mar, USS Gerald R. Ford volta aos EUA com desafios técnicos que exigem manutenção urgente.
Depois de uma extensa sequência de operações que manteve milhares de militares longe de casa por meses, o porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford retornou a Norfolk, no estado da Virgínia. A embarcação, considerada a mais moderna e também a mais cara já construída pela Marinha dos Estados Unidos, agora entrará em um período de manutenção destinado a corrigir danos provocados por um incêndio e solucionar problemas recorrentes em seu sistema sanitário.
A volta do navio marca o encerramento de uma fase operacional intensa. Segundo o Poder Naval, aproximadamente 4.600 integrantes da tripulação desembarcaram após uma missão que se estendeu por quase 11 meses. Antes disso, a embarcação já havia concluído outra comissão operacional de oito meses iniciada em janeiro de 2024, acumulando um dos períodos de emprego mais prolongados registrados para um porta-aviões norte-americano desde a Guerra do Vietnã.
USS Gerald R. Ford terá áreas reconstruídas após incêndio a bordo
Entre os trabalhos programados para o período em estaleiro está a recuperação de setores atingidos por um incêndio ocorrido em março.
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As chamas começaram na lavanderia do navio e avançaram para áreas próximas utilizadas pela tripulação. Espaços destinados ao descanso dos marinheiros sofreram impactos, incluindo danos em beliches e outros ambientes de alojamento.
Além dos prejuízos materiais, reportagens anteriores apontaram que o episódio deixou feridos e alterou significativamente a rotina dos militares embarcados durante a missão. Com o retorno a Norfolk, equipes técnicas terão a tarefa de restaurar completamente as áreas afetadas.
Sistema sanitário do USS Gerald R. Ford será atualizado
Embora o incêndio tenha recebido atenção especial, outro problema ganhou destaque durante a longa comissão operacional: as falhas recorrentes no sistema responsável pela coleta e transferência de resíduos sanitários.
A tecnologia utilizada no USS Gerald R. Ford opera por meio de sucção a vácuo e foi inspirada em sistemas semelhantes empregados em navios de cruzeiro. A proposta era utilizar tubulações menores e otimizar o funcionamento dos sanitários.
Na prática, porém, o equipamento se transformou em uma das principais fontes de dificuldades técnicas enfrentadas pela tripulação.
Documentos internos obtidos pela NPR por meio da Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos mostram que as equipes de manutenção enfrentaram diversos desafios para manter o sistema funcionando adequadamente entre março e agosto de 2025.

Falhas simples podiam afetar grandes áreas do navio
Um dos aspectos que mais preocupavam os técnicos era a possibilidade de uma pequena falha comprometer uma parte significativa da embarcação. De acordo com comunicações internas analisadas pela NPR, problemas em componentes específicos podiam interromper o funcionamento dos banheiros de setores inteiros do porta-aviões.
Em uma mensagem enviada à tripulação em 18 de março, um suboficial responsável pelos sistemas mecânicos destacou que uma das ocorrências mais frequentes envolvia uma mangueira localizada atrás dos vasos sanitários. Quando essa peça se deslocava da posição correta, o sistema perdia sucção.
O alerta enviado aos militares foi direto: “Precisamos da ajuda de vocês para evitar que nosso sistema VCHT saia do ar e crie condições insalubres.”
Além das falhas mecânicas, os técnicos encontraram diversos objetos que não deveriam estar dentro das tubulações.
Entre os materiais removidos estavam:
- Camisetas;
- Peças de vestuário;
- Fragmentos diversos;
- Um pedaço de corda com aproximadamente 1,2 metro de comprimento.
Diante da situação, a equipe de manutenção passou a defender treinamentos específicos para orientar o uso adequado dos sanitários.
Solução já aplicada em outro porta-aviões servirá de modelo
Para reduzir os impactos das falhas futuras, a Marinha pretende implementar uma modificação semelhante à utilizada anteriormente no USS George H.W. Bush.
A atualização busca dividir melhor o funcionamento do sistema sanitário. Dessa forma, eventuais defeitos ficariam restritos a áreas menores, evitando que um único problema afete um grande número de banheiros simultaneamente.
A manutenção atual também permitirá a realização de limpezas profundas nas tubulações, algo que não pode ser executado durante operações no mar.
Informações já registradas em relatórios oficiais, o sistema exige lavagens químicas periódicas para evitar obstruções. Cada procedimento pode custar cerca de US$ 400 mil.
Histórico de desafios acompanha a classe Ford
As dificuldades relacionadas ao sistema sanitário não surgiram recentemente. Um relatório publicado em 2020 pelo Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização ligado ao Congresso dos Estados Unidos, já apontava desafios envolvendo esse equipamento nos navios da classe Ford.
O USS Gerald R. Ford é o primeiro representante dessa nova geração de porta-aviões nucleares, criada para substituir gradualmente as embarcações da classe Nimitz.
O projeto incorpora diversas tecnologias avançadas, incluindo:
- Catapultas eletromagnéticas;
- Novos elevadores de armamentos;
- Maior capacidade de geração elétrica;
- Sistemas automatizados para apoiar operações aéreas.
Apesar desses avanços, a introdução das novas tecnologias também trouxe atrasos, custos adicionais e problemas técnicos que exigiram correções ao longo dos anos.
USS Gerald R. Ford encerra missão, mas continua em fase de aperfeiçoamento
Enquanto alguns observadores acompanham os reparos como mais um teste da confiabilidade do programa, a Marinha dos Estados Unidos sustenta que os desafios enfrentados fazem parte da operação de sistemas complexos.
Durante o retorno do navio, o chefe de Operações Navais, almirante Daryl Caudle, minimizou a situação ao afirmar que dificuldades envolvendo sistemas sanitários podem ocorrer em qualquer embarcação militar.
Segundo ele, o mais importante é a capacidade de resposta das equipes responsáveis pela manutenção. Em sua avaliação, a tripulação do USS Gerald R. Ford demonstrou competência ao lidar com os problemas registrados durante a missão.
O administrador da operação destacou ainda que a embarcação segue sendo uma plataforma estratégica para a Marinha norte-americana. Agora, com o período de manutenção prestes a começar no Norfolk Naval Shipyard, os trabalhos estarão concentrados na recuperação das áreas danificadas, na correção das falhas acumuladas e na preparação do navio para futuras missões de longa duração.
O retorno a Norfolk representa, portanto, não apenas o fim de uma extensa comissão operacional, mas também o início de uma nova etapa destinada a fortalecer o desempenho do porta-aviões mais caro já construído pelos Estados Unidos.
Com informações do Poder Naval

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