No agro da Guatemala, Elsa e Debora criam 265 galinhas poedeiras, produzem 8 a 9 cartelas de ovos por dia e vendem em 4 lojas, gerando renda no campo.
Em uma pequena comunidade rural do oeste da Guatemala, uma história recente mostra como avicultura de postura, quando bem organizada, pode virar renda recorrente no campo. Elsa Carrillo e sua filha Debora, moradoras de Pacate, no município de Santa Bárbara, departamento de Huehuetenango, transformaram uma ideia simples em um negócio que hoje sustenta vendas regulares de ovos para o comércio local.
O que chama atenção é que o projeto não nasceu com grande estrutura, nem com “grana sobrando” para investir. A virada começou quando elas entraram no projeto Podemos (We Can), financiado pela USAID/BHA, e passaram a participar de uma iniciativa de poupança e empréstimo conhecida como Women Empowered (WE), dentro do grupo comunitário que elas mesmas batizaram de Mujeres Unidas.
Da subsistência ao negócio: como a granja começou de verdade
A avicultura entrou na vida das duas como uma ambição prática: produzir ovos para vender. Elsa relata que o sonho era ter galinhas para postura e usar a própria poupança do grupo como porta de entrada.
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Ainda no início da implementação do projeto, Elsa comprou 10 galinhas para vender ovos a um vizinho. O resultado foi rápido o suficiente para virar “sinal de mercado”: a demanda local cresceu e abriu espaço para escalar a criação. Com apoio técnico da equipe do projeto, ela se sentiu segura para ampliar o plantel e, em agosto de 2023, comprou mais 52 galinhas poedeiras, complementando o investimento com um empréstimo do irmão.
O motor financeiro: poupança, reinvestimento e a lógica do agro familiar
O ponto mais importante, para o agro, é a engenharia financeira por trás do crescimento. Elsa e Debora acumularam US$ 770 em poupança pelo grupo WE e somaram mais US$ 645 vendendo cestos plásticos trançados (um negócio anterior que serviu como “capital semente”). Com esse total de US$ 1.415, elas estruturaram a fase mais forte do empreendimento avícola.
O resultado desse reinvestimento aparece no número que muda o jogo: as duas chegaram a 265 galinhas poedeiras, com produção média de 8 a 9 “cartelas” (egg cartons) por dia.
Produção diária e venda organizada: quando a escala passa a trabalhar a favor
Na prática, a produção diária constante permite fazer o que pouca criação familiar consegue: ter previsibilidade de caixa. A própria dinâmica de venda evoluiu de um relacionamento pontual para um canal de comércio. A reportagem descreve que, no início, Elsa entregava duas cartelas a cada 10 dias para uma loja local, até que o comerciante passou a pedir mais por causa da demanda.
Depois de alcançar o novo patamar, Elsa e Debora expandiram as vendas para 4 lojas locais e passaram a formar preço por tamanho do ovo, com média de US$ 5 por cartela.
Gestão, estrutura e profissionalização: o detalhe que separa “criação” de “negócio”
O avanço do projeto não se limitou ao aumento do plantel. Segundo relato de Elsa, a estrutura passou a contar com armazém próprio e uma rotina organizada de produção, indicando controle de estoque, planejamento e padronização de processos. Esse passo marca a transição entre uma criação informal e uma atividade estruturada como negócio rural.
A iniciativa também recebeu apoio na elaboração do plano de negócios e nas estratégias de marketing, com uso de faixa de divulgação, cartões e presença em redes sociais. No entanto, o fator determinante para consolidar a virada foi a aplicação prática de gestão no dia a dia. Em até nove meses após o investimento inicial, houve ampliação das instalações, modernização administrativa e alcance de um lucro líquido de US$ 620.
O papel técnico de Débora na operação
Débora, de 23 anos, exerce papel técnico na operação. Cursando bacharelado em empreendedorismo, ela relata que transfere o conteúdo aprendido na universidade para a rotina da granja, aprimorando controles, planejamento e organização financeira. Em áreas rurais, onde o acesso ao ensino superior costuma exigir deslocamentos e enfrentar limitações estruturais, a incorporação de conhecimento em gestão se traduz diretamente em produtividade, eficiência e margem de lucro.
Mais do que ampliar a produção, o caso evidencia como profissionalização, organização e capacitação podem transformar uma atividade tradicional em um negócio sustentável e escalável no meio rural.

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