Programa federal amplia renegociação de dívidas bancárias com descontos que podem chegar a 90%, juros menores e parcelamento em até 48 meses. Primeira semana do Desenrola 2.0 já movimentou quase R$ 1 bilhão em acordos e acelerou pedidos enviados aos bancos participantes.
Quase R$ 1 bilhão em dívidas foi renegociado pelo Desenrola 2.0 apenas na primeira semana de funcionamento, conforme balanço apresentado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em 11 de maio de 2026, durante entrevista concedida em Brasília sobre os primeiros resultados do programa.
Ao mesmo tempo, cerca de 200 mil pedidos de renegociação já chegaram aos bancos participantes, enquanto aproximadamente 100 mil contratos estão em fase final de aprovação, indicando avanço acelerado das negociações desde os primeiros dias de operação da nova etapa do programa federal.
Destinada a consumidores endividados, a iniciativa permite que pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105, renegociem pendências financeiras em condições consideradas mais acessíveis, especialmente em modalidades com juros historicamente elevados.
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Nessa fase, entram dívidas relacionadas ao cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratadas até 31 de janeiro de 2026, desde que os atrasos estejam entre 90 dias e dois anos, conforme as regras divulgadas pelo Ministério da Fazenda.
Durante a apresentação do balanço, Durigan afirmou que o número de acordos vem aumentando diariamente desde o lançamento oficial do programa.
“Cada dia a gente tem visto mais renegociações sendo feitas, o que é muito importante”, declarou o ministro ao comentar a procura crescente de consumidores pelas condições oferecidas no Desenrola 2.0.
Descontos do Desenrola 2.0 chegam a 90%
Dependendo do tipo de dívida e do período de inadimplência, os descontos oferecidos nas renegociações podem variar entre 30% e 90%, segundo as condições estabelecidas para a nova rodada do programa federal.
No rotativo do cartão de crédito e no cheque especial, por exemplo, os abatimentos mais altos podem atingir o teto de 90% quando os débitos apresentam períodos maiores de atraso dentro da faixa prevista pelas regras oficiais.
Já nos contratos de crédito pessoal sem garantia e no parcelamento do cartão de crédito, os descontos também estão disponíveis, embora os percentuais variem conforme a modalidade contratada e o tempo de inadimplência registrado pelo consumidor.
Além das reduções aplicadas sobre o valor total da dívida, o programa estabelece limite de renegociação de até R$ 15 mil por pessoa em cada banco, permitindo parcelamento em prazo máximo de 48 meses.
Outro ponto destacado pelo governo é a limitação da taxa de juros em 1,99% ao mês, percentual inferior ao normalmente praticado em modalidades tradicionais como cartão de crédito rotativo e cheque especial.
Pelas condições anunciadas, a primeira parcela do novo acordo poderá vencer até 35 dias depois da assinatura do contrato de renegociação.
Fies também será incluído na renegociação
Enquanto as renegociações bancárias avançam, o governo também trabalha para incluir estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) dentro da nova etapa do Desenrola 2.0.
De acordo com Dario Durigan, o sistema destinado aos contratos do Fies deve entrar em operação ainda nesta semana, após ajustes técnicos realizados entre os bancos participantes, o Ministério da Educação e a equipe econômica do governo federal.
Nesse modelo específico, as condições oferecidas aos estudantes variam conforme o perfil do beneficiário e o período de atraso acumulado ao longo do contrato de financiamento estudantil.
Para dívidas vencidas há mais de 360 dias, estudantes fora do CadÚnico poderão conseguir descontos de até 77%, enquanto aqueles inscritos no cadastro social terão possibilidade de abatimento que pode alcançar 99% do débito.
Governo prepara benefício para quem manteve contas em dia
Paralelamente às medidas voltadas aos inadimplentes, o Ministério da Fazenda também prepara uma iniciativa direcionada aos consumidores que conseguiram manter pagamentos em dia mesmo diante do cenário de juros elevados.
Segundo Durigan, essa proposta ainda será detalhada pelo governo federal e deverá funcionar como uma espécie de incentivo para quem permaneceu adimplente ao longo dos últimos meses.
Estruturado em quatro frentes principais, o Novo Desenrola Brasil reúne ações destinadas a famílias, contratos do Fies, empresas e produtores do setor rural, ampliando o alcance das renegociações previstas pelo programa.
A estratégia anunciada pela equipe econômica prevê uma mobilização nacional com duração de 90 dias, período em que o governo pretende acelerar acordos e reduzir o nível de endividamento entre consumidores e empresas.
Além das renegociações tradicionais, o programa também abriu a possibilidade de utilização de parte do saldo disponível no FGTS para pagamento de dívidas incluídas nas novas condições.
Conforme as regras divulgadas até agora, trabalhadores poderão utilizar até 20% do saldo existente nas contas do fundo ou até R$ 1 mil, prevalecendo sempre o maior valor disponível.


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