O Golden Pass LNG é uma joint venture de US$ 10 bilhões entre QatarEnergy e ExxonMobil em Sabine Pass, Texas, com capacidade de 18,1 milhões de toneladas por ano distribuídas em três trens de liquefação, cinco tanques de 155 mil metros cúbicos cada e dois píeres que recebem os maiores navios de GNL do mundo
No dia 30 de março de 2026, o Golden Pass LNG produziu seu primeiro gás natural liquefeito no coração do Texas. Após anos de planejamento, engenharia e construção, o megaterminal em Sabine Pass — a cerca de 10 milhas ao sul de Port Arthur, no Condado de Jefferson — finalmente entrou em operação. Dessa forma, a joint venture entre QatarEnergy (70%%) e ExxonMobil (30%%) marca o início de uma nova era para o mercado global de energia.
O investimento total ultrapassa US$ 10 bilhões, conforme decisão de investimento final aprovada em 2019. Além disso, Alex Savva, Presidente e CEO do Golden Pass LNG, declarou: “Hoje, iniciamos a produção de GNL em nosso terminal em Sabine Pass, marcando a conclusão de um esforço significativo para construir, colocar em comissionamento e iniciar o primeiro Trem de GNL e o início da operação de uma instalação de classe mundial”. Portanto, o projeto sai do papel em um momento crítico para a geopolítica energética.
Os números que fazem do Golden Pass LNG um dos maiores terminais de gás do planeta

A capacidade total do terminal é de 18,1 milhões de toneladas por ano (MTPA), distribuídas em três trens de liquefação com aproximadamente 5,2 MTPA cada. Dessa maneira, o complexo inclui uma infraestrutura impressionante:
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- 3 trens de liquefação: 5,2 MTPA de capacidade nominal cada
- 5 tanques de armazenamento: 155 mil metros cúbicos de GNL cada
- 2 píeres: capacidade para os maiores navios transportadores de GNL do mundo
- Golden Pass Pipeline: 70 milhas, entrega até 2,5 bilhões de pés cúbicos de gás por dia
O gasoduto se conecta a nove sistemas interestaduais e intra-estaduais, abastecendo-se principalmente das bacias de Haynesville e Permian. Consequentemente, na fase de calibração do Trem 1, as produções iniciais já atingiram cerca de 300 milhões de pés cúbicos por dia.
Por que o Golden Pass LNG se tornou estratégico em plena crise do Estreito de Ormuz

O timing da primeira produção do Golden Pass LNG não poderia ser mais significativo. O terminal oferece suprimento de GNL que não depende de trânsito pelo Golfo Pérsico. Dessa forma, enquanto ataques iranianos danificaram a gigantesca instalação Ras Laffan do Qatar no Golfo Pérsico, o gás produzido em Sabine Pass segue direto para o mercado global sem precisar cruzar o Estreito de Ormuz.
Segundo análise do gCaptain, o carregamento de Sabine Pass oferece “uma opção mais flexível e segura para importadores navegando riscos geopolíticos elevados”. Por consequência, o Golden Pass LNG se posiciona como fonte crítica de suprimento em contexto de oferta global reduzida pela instabilidade no Oriente Médio.
Essa dinâmica reforça o que vem acontecendo com as petroleiras investindo bilhões em tecnologia e infraestrutura para diversificar rotas e reduzir dependência de corredores vulneráveis.
Sabine Pass: o corredor de exportação de GNL mais concentrado do mundo

O Golden Pass LNG não opera isolado. A região de Sabine-Neches abriga o corredor de exportação de GNL mais concentrado do planeta. Além disso, terminais vizinhos incluem o Sabine Pass da Cheniere Energy e o Port Arthur LNG da Sempra Infrastructure. Portanto, a concentração de capacidade nessa faixa costeira do Texas transforma a região em epicentro global do gás natural liquefeito.
A infraestrutura regional continua crescendo. O Trident Intrastate Pipeline da Kinder Morgan foi projetado para movimentar até 1,5 bilhão de pés cúbicos por dia a partir da Bacia do Permian em 2027. Dessa maneira, a optionalidade de oferta na região só tende a aumentar nos próximos anos.
O Golden Pass LNG é o maior investimento do Qatar nos Estados Unidos — e faz parte de uma aposta de US$ 20 bilhões
O projeto representa o maior investimento de QatarEnergy nos Estados Unidos e integra uma estratégia de expansão internacional que inclui um compromisso previamente anunciado de US$ 20 bilhões no setor energético americano. Dessa forma, executivos de QatarEnergy descreveram o Golden Pass LNG como “os primeiros frutos dessa estratégia visionária”, enfatizando que a iniciativa apoia a segurança energética global e expande o acesso a energia mais limpa.
Contudo, o terminal enfrenta desafios à frente. A operação comercial plena depende da entrada dos Trens 2 e 3, ainda sem datas confirmadas publicamente. Além disso, a volatilidade dos preços globais de gás e as disputas regulatórias sobre novas licenças de exportação de GNL nos EUA podem influenciar o ritmo de expansão. Ainda assim, com a crise em Ormuz reduzindo a oferta global e a demanda europeia e asiática em alta, o Golden Pass LNG entra no mercado no momento certo — e com escala suficiente para ser um player relevante na indústria global de energia.

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