A fortuna estimada de Elon Musk caiu para US$ 994,1 bilhões depois de uma nova desvalorização ligada à SpaceX, poucos dias após o empresário atingir a marca simbólica de US$ 1 trilhão. O caso mostra como a riqueza do dono da Tesla, da SpaceX e da Starlink pode mudar em poucas horas quando o valor atribuído às suas empresas sofre uma correção.
Elon Musk perdeu novamente o status de trilionário na quarta-feira, 1º de julho, após uma queda ligada à SpaceX reduzir sua fortuna estimada em US$ 59 bilhões, cerca de R$ 306,8 bilhões.
Segundo a Forbes, o patrimônio líquido do empresário recuou para US$ 994,1 bilhões, ou aproximadamente R$ 5,17 trilhões, ainda suficiente para mantê-lo como a pessoa mais rica do mundo.
A mudança ocorreu depois de uma desvalorização de 6,2% nos ativos associados à SpaceX, que apagou parte da alta registrada nos três pregões anteriores. A empresa vinha de avanço de quase 12% nesse intervalo, o que ajuda a explicar por que a fortuna de Musk oscilou com tanta força em poucos dias.
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O número chama atenção pelo tamanho, mas não significa que Musk tenha perdido esse valor em dinheiro disponível. A maior parte da fortuna dele é formada por participações em empresas, opções e estimativas de mercado. Quando o valor atribuído a esses ativos muda, a conta patrimonial acompanha o movimento.
A queda veio quando analistas tentavam reforçar o otimismo com a SpaceX

A nova queda ligada à SpaceX ocorreu no mesmo dia em que Dan Ives, analista da Wedbush Securities conhecido por acompanhar a Tesla, iniciou cobertura da companhia com uma leitura positiva. A corretora apontou preço-alvo de US$ 190 para os ativos da empresa, apoiada em três frentes de crescimento.
A primeira é o negócio de lançamentos espaciais, área em que a SpaceX consolidou contratos comerciais e governamentais nos últimos anos. A segunda é a Starlink, rede de internet via satélite que já aparece como um dos principais motores de receita recorrente dentro do grupo.
A terceira frente citada por analistas é a infraestrutura para inteligência artificial. A avaliação é que satélites, foguetes, conectividade e centros de dados podem aproximar a SpaceX de um mercado que hoje movimenta algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo.
O contraste foi o ponto mais curioso do dia. Enquanto parte do mercado via a SpaceX como uma empresa capaz de crescer em lançamentos, conectividade e IA, a queda no valor atribuído à companhia foi suficiente para retirar dezenas de bilhões de dólares da fortuna estimada de Musk.
O título de trilionário durou pouco porque a fortuna não está em dinheiro vivo
Musk havia cruzado a marca de US$ 1 trilhão após a forte valorização recente da SpaceX, mas a permanência nesse patamar ficou dependente de novas variações de mercado. Essa é a principal diferença entre uma fortuna estimada e dinheiro realmente disponível.
O empresário não recebeu US$ 1 trilhão em conta bancária. O valor aparece nas estimativas porque suas participações em empresas de alto valor passaram a valer mais dentro dos cálculos usados por rankings de bilionários.
Quando a SpaceX se valoriza, o patrimônio estimado de Musk sobe. Quando a empresa perde valor, a conta faz o caminho contrário. Foi esse movimento que derrubou a fortuna estimada para US$ 994,1 bilhões e tirou novamente o empresário da faixa de trilionário.
Há ainda o peso da Tesla nessa conta. A fortuna de Musk já havia sido afetada na semana anterior por uma revisão ligada a US$ 116 bilhões em ações restritas da montadora, relacionadas a um plano de remuneração condicionado à permanência dele em cargo de liderança até janeiro de 2028.
Na prática, o mercado não avalia apenas empresas. Ele também avalia expectativas sobre Musk, seus cargos, seus planos e a capacidade de negócios como SpaceX, Starlink e Tesla entregarem crescimento suficiente para sustentar avaliações tão altas.
Mesmo após perder bilhões, Musk segue distante dos outros nomes no topo
Apesar da queda, Musk continuou muito à frente dos demais bilionários no ranking global. Larry Page, cofundador do Google, aparece com patrimônio estimado em US$ 292,7 bilhões, enquanto Sergey Brin, também cofundador da empresa, aparece com US$ 270 bilhões.
A diferença mostra o tamanho da vantagem construída por Musk após a valorização da SpaceX. Mesmo com uma perda diária superior a US$ 50 bilhões, ele permaneceu com uma fortuna mais de três vezes maior que a de Page.
Esse movimento também revela uma mudança no eixo da riqueza do empresário. Durante anos, a Tesla foi o principal motor de sua fortuna. Agora, a SpaceX ganhou peso maior na conta, especialmente por reunir foguetes, satélites, internet global e planos ligados à computação pesada.
A concentração também aumenta o risco. Quando uma empresa passa a representar uma parcela muito grande do patrimônio estimado de um bilionário, qualquer correção relevante no valor atribuído a ela aparece imediatamente no ranking.
Enquanto Musk recuava, Zuckerberg ganhou quase US$ 20 bilhões com a Meta
O mesmo dia que reduziu a fortuna estimada de Musk trouxe movimento oposto para Mark Zuckerberg. As ações da Meta subiram mais de 10%, e o patrimônio do fundador do Facebook avançou US$ 19,1 bilhões, chegando a US$ 212,6 bilhões.
A alta foi ligada à expectativa de que a Meta esteja preparando um negócio de infraestrutura em nuvem para vender acesso a capacidade computacional e modelos de inteligência artificial. A Reuters informou que a iniciativa foi revelada pela Bloomberg e poderia colocar a empresa em disputa com Amazon, Microsoft e Alphabet no mercado de nuvem voltado à IA.
Esse contraste ajuda a explicar o humor atual do setor de tecnologia. Empresas com planos claros de monetização em inteligência artificial tendem a ser premiadas pelo mercado. Já companhias com avaliações muito altas podem sofrer quedas fortes quando investidores passam a questionar preço, prazo de entrega ou capacidade de transformar infraestrutura em receita.
A Meta também enfrenta pressão pelo tamanho do gasto em IA. Em abril, a empresa elevou sua projeção de investimento anual para US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões, em grande parte por causa de data centers, chips e infraestrutura computacional.
A dúvida agora é quanto da fortuna de Musk resiste à próxima correção
O caso de Musk mostra que o primeiro trilionário da história pode deixar esse patamar em questão de horas. A marca depende do valor atribuído à SpaceX, do desempenho da Tesla, da confiança em seus negócios de satélite e da leitura dos investidores sobre inteligência artificial.
Para o leitor, a diferença central está entre riqueza estimada e liquidez. Musk segue como o homem mais rico do mundo, mas boa parte desse valor está concentrada em participações empresariais e direitos futuros. Para transformar uma parcela relevante disso em dinheiro, ele teria de vender ativos, o que poderia pressionar os preços e reduzir a própria fortuna calculada.
A queda também mostra o risco de avaliações muito altas. Se a SpaceX não entregar crescimento suficiente em lançamentos, Starlink ou infraestrutura para IA, o mesmo mecanismo que levou Musk ao patamar de trilionário pode retirar centenas de bilhões da estimativa.
Você acredita que Elon Musk voltará a superar US$ 1 trilhão nos próximos dias, ou a queda ligada à SpaceX mostra que o mercado exagerou no valor da empresa? Deixe sua opinião nos comentários e conte se essa marca representa riqueza real ou apenas uma fotografia momentânea das avaliações de mercado.
