Cláusula de PD&I da ANP obriga petroleiras a investir 1% da receita bruta em pesquisa e já mobilizou mais de R$ 34 bilhões desde 1998, financiando robôs que operam poços sozinhos, IA generativa que lê milhões de documentos em segundos, câmeras que detectam perigo em tempo real e gêmeos digitais que preveem falhas antes de acontecerem em plataformas no pré-sal brasileiro.
Existe uma lei no Brasil que ninguém conhece e que obriga todas as petroleiras que operam no país a investir bilhões em tecnologia todos os anos. Portanto, não é uma escolha — é obrigação contratual.
A cláusula de PD&I da ANP determina que concessionárias invistam 1% da receita bruta dos campos que pagam Participação Especial em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Desde 1998, esse mecanismo já mobilizou mais de R$ 34,4 bilhões. A Petrobras responde por R$ 27,2 bilhões (79%) e outras 16 empresas por R$ 7,2 bilhões.
-
Pesquisa revela indícios de que o autismo pode representar várias condições diferentes em vez de um único transtorno, transformando estratégias médicas, acelerando avanços na neurociência e ampliando a precisão de intervenções para milhões de pessoas
-
Genes neandertais ainda vivem em você e podem influenciar a carga viral de infecções comuns, revela estudo genético sobre imunidade humana
-
Tecnologia utilizando saliva: Novo método baseado em biomarcadores presentes na saliva pode elevar os padrões de segurança no trânsito e no trabalho, ajudando a reconhecer sinais de fadiga e sonolência com potencial para prevenir acidentes antes que eles aconteçam
-
Primeira vacina criada por inteligência artificial é testada em humanos e abre nova era na medicina
Além disso, só em 2024, a obrigação de investimento atingiu R$ 4,2 bilhões. Em 2023, foram iniciados 6.143 novos projetos com previsão de R$ 5,8 bilhões em investimentos.

Petrobras criou robô que opera poço de petróleo sozinho como carro autônomo
Um dos resultados mais impressionantes dessa lei é o WellBot, desenvolvido pela Petrobras. Assim, funciona como um “carro autônomo” para poços de petróleo.
O sistema usa algoritmos de IA e controle preditivo para operar poços de forma autônoma em zonas de instabilidade. Portanto, busca a máxima produção sem intervenção humana direta.
O WellBot foi premiado no Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2019.
Cada intervenção evitada em poços offshore economiza milhões de dólares e reduz riscos para trabalhadores em condições extremas a mais de 2.000 metros de profundidade.
IA generativa da Petrobras lê milhões de documentos de perfuração em segundos
O Projeto Cortex é outro resultado direto dos R$ 34 bilhões. Desenvolvido pela Petrobras em parceria com UNESP e PUC-Rio, usa IA generativa aplicada à perfuração, completação e abandono de poços.
Dessa forma, o sistema analisa milhões de documentos técnicos e responde consultas em segundos para suportar decisões que antes levavam dias.
O Professor Arnaldo Cândido, da UNESP, destacou que o Cortex “tem impacto direto na produtividade de profissionais do setor de petróleo”.

Câmeras com IA detectam perigo em plataformas antes dos humanos
Desde 2019, a Petrobras usa visão computacional para analisar imagens de tarefas de campo em operações offshore. Contudo, o sistema vai além de simples monitoramento.
A IA detecta em tempo real desvios como uso incorreto de EPI, obstrução de rotas de fuga e acesso a áreas restritas. Portanto, identifica perigos que o olho humano pode não perceber.
Além disso, uma parceria com a startup Wiise, com investimento de R$ 11,2 milhões, usa gêmeos digitais e IA para análises de risco em poços offshore.
“IA permitirá automatizar tarefas rotineiras, liberando engenheiros para decisões estratégicas”, afirmou João Victor, engenheiro da Wiise.

Universidades brasileiras recebem bilhões para desenvolver IA para petróleo
Os recursos não ficam só nas petroleiras. A ANP credencia universidades em todo o Brasil para receber parte desse dinheiro.
Assim, UNESP, PUC-Rio, UFRJ, UFMG e Unicamp desenvolvem desde redes neurais para interpretação sísmica até sistemas autônomos para plataformas.
O projeto ALINE usa modelo do tipo GPT para detecção de gás natural em dados sísmicos. A Shell investiu no sistema OD OBN, que prevê reduzir custos em até R$ 250 milhões em cinco anos.

Aramco projeta US$ 5 bilhões com IA e Brasil tem mecanismo único no mundo
O CEO da Aramco estimou ganhos de até US$ 5 bilhões em 2025 com IA. A McKinsey projeta redução de 20 a 30% em tempo de inatividade com manutenção preditiva.
Contudo, o Brasil tem algo que nenhum outro país possui: uma lei que obriga o investimento. Não depende de boa vontade corporativa.
Segundo o IBP, o mecanismo “já mobilizou mais de R$ 34 bilhões, impulsionando soluções digitais, automação avançada e IA no setor”.

R$ 14 bilhões em projetos de IA estão em execução agora no pré-sal
O Relatório de Gestão 2024 da ANP indica carteira de projetos em execução de R$ 14,1 bilhões. Nos três primeiros trimestres de 2025, mais R$ 3,4 bilhões em novas obrigações.
A diretora de Engenharia da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou que a companhia precisa se adaptar a “um ambiente cada vez mais dinâmico e tecnologicamente complexo”.
Para entender como robôs já assumem inspeções em plataformas, veja a reportagem. Confira também como a Petrobras investiu US$ 180 milhões em robôs submarinos.
Enquanto o mundo debate se a IA vai transformar a indústria do petróleo, uma lei brasileira que quase ninguém conhece já investiu R$ 34 bilhões fazendo exatamente isso — e os resultados estão operando sozinhos no meio do oceano.

-
1 pessoa reagiu a isso.