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A Geração Z está destruindo a indústria do álcool: queda histórica de US$ 830 bilhões

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 15/01/2026 às 21:26
Atualizado em 15/01/2026 às 21:27
Geração Z consome menos álcool e o setor de bebidas perde US$ 830 bilhões em valor de mercado entre 2021 e 2025, segundo análises globais.
Geração Z consome menos álcool e o setor de bebidas perde US$ 830 bilhões em valor de mercado entre 2021 e 2025, segundo análises globais.
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Entre 2021 e 2025, mudanças no comportamento de consumo da Geração Z coincidem com uma queda estimada de US$ 830 bilhões no valor de mercado da indústria global de bebidas alcoólicas, levantando alertas entre investidores, fabricantes e analistas sobre um possível ajuste estrutural de longo prazo no setor

A indústria global de bebidas alcoólicas está enfrentando uma mudança estrutural de demanda que, em parte, coincide com a chegada da geração Z à idade legal de consumo em vários países.

O movimento aparece em pesquisas de opinião, levantamentos de saúde pública e dados de mercado: jovens adultos relatam beber com menos frequência do que coortes anteriores, enquanto cresce a percepção de risco, especialmente para a saúde, e avança o consumo de alternativas sem álcool.

A leitura mais repetida no setor é que essa mudança já está sendo precificada. Um indicador citado por analistas é a queda do valor de mercado agregado de grandes fabricantes listados de cerveja, vinho e destilados desde o pico de 2021: um levantamento da Bloomberg aponta que um índice com cerca de 50 empresas estava ~46% abaixo do recorde de junho de 2021, com perda acumulada em torno de US$ 830 bilhões em pouco mais de quatro anos.

Ao mesmo tempo, a própria narrativa “a geração Z destruiu o álcool” exige nuance: há relatórios setoriais indicando que o consumo entre jovens adultos pode oscilar com renda, socialização e fase de vida – e que parte dessa geração voltou a “reengajar” depois do vale observado no período pós-pandemia.

O que as pesquisas mostram sobre jovens bebendo menos

Nos EUA em 2023, o instituto mostrou que adultos de 18 a 34 anos ficaram menos propensos a dizer que bebem (em diferentes métricas) do que jovens de décadas anteriores, enquanto o consumo subiu entre mais velhos.

Em agosto de 2025, registrou que apenas 54% dos adultos dizem consumir álcool – o menor patamar na série histórica moderna do instituto – junto de um aumento da parcela que considera até o consumo moderado prejudicial à saúde.

Do lado da saúde pública, órgãos federais e pesquisas acadêmicas ajudam a explicar por que “beber menos” virou mais comum entre adolescentes e transbordou para a transição até a vida adulta.

Uma revisão publicada em 2021 aponta que, desde o início dos anos 2000, o uso de álcool entre adolescentes caiu em diversos países ocidentais, impulsionando hipóteses sobre mudanças culturais e sociais.

Nos EUA, o levantamento Monitoring the Future (Universidade de Michigan) tem mostrado quedas de longo prazo em álcool entre estudantes, reforçando que parte da geração Z chega à maioridade com menor exposição e menor hábito acumulado.

Há também o retrato de prevalência em jovens adultos: o NIAAA, com base no NSDUH, apresenta estimativas recentes de binge drinking e uso pesado em 18 a 25 anos, oferecendo um “placar” anual para acompanhar se a curva cai, estabiliza ou volta a subir.

Por que a geração Z bebe menos (e por que isso não é um único motivo)

As explicações mais bem sustentadas aparecem como um pacote de fatores — e não como uma causa simples.

Saúde virou um custo social e um custo percebido

A mudança mais citada é o aumento da consciência sobre efeitos do álcool. Em janeiro de 2025, o U.S. Surgeon General publicou um estudo sobre álcool e risco de câncer, reforçando a associação com múltiplos tipos de câncer e recomendando ações de comunicação ao público.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), na região europeia, também tem enfatizado que não há “nível seguro” quando o foco é risco carcinogênico, porque a evidência disponível não identifica um limiar a partir do qual o risco “liga”.

Esse tipo de mensagem altera a forma como jovens calculam custo-benefício: menos espaço para a ideia de “beber um pouco faz bem”, mais espaço para períodos de abstinência e consumo ocasional.

Socialização mudou: menos “bebida como padrão” para pertencer

A geração Z socializa de modo diferente – mais mediado por tecnologia, mais fragmentado, e com mais registro público (stories, fotos, vídeos).

Isso tende a penalizar comportamentos com efeitos visíveis (perda de controle, ressaca, exposição). O Gallup observou aumento relevante da visão de que consumo moderado é ruim para a saúde entre jovens adultos, sinalizando mudança cultural além do preço e do acesso.

Substituição por outras substâncias e “novas ocasiões”

Relatórios e coberturas recentes apontam substituição parcial por cannabis em mercados onde há legalização e normalização, além do crescimento de bebidas com THC em alguns lugares – uma mudança que reposiciona o “relaxamento” fora do álcool.

A conta do bar ficou mais pesada e o consumo ficou mais “seletivo”

Inflação, custo de moradia e renda disponível mais apertada para jovens tendem a reduzir consumo de volumes altos, especialmente fora de casa.

Em vez de “beber por beber”, cresce o consumo mais planejado, com menos frequência e com foco em ocasiões específicas – o que é ruim para produtos dependentes de alta rotatividade.

O efeito no mercado: queda de valor, pressão em vinho e cerveja, e migração para “no/low”

A perda agregada de valor de mercado (US$ 830 bilhões, na conta citada pela Bloomberg) funciona como símbolo financeiro desse ajuste: investidores revisaram expectativas de crescimento e margem para gigantes globais.

Do ponto de vista de produto, alguns segmentos parecem sofrer mais. Em análises de varejo, o vinho aparece com quedas relevantes de volume e valor em períodos recentes, enquanto categorias com apelo de conveniência e “pronto para beber” (RTDs) disputam espaço com opções sem álcool.

Ao mesmo tempo, a indústria tenta capturar a mudança criando alternativas que preservem rituais sociais (brinde, bar, confraternização) sem o etanol.

O contraponto: nem tudo é queda linear e o setor aposta em “reengajamento”

A própria indústria e algumas consultorias têm insistido que o comportamento da geração Z não é homogêneo e pode ser cíclico: há indicações de que, após um fundo por volta de 2023 em certos recortes, parte dos consumidores jovens voltou a beber mais conforme eventos presenciais retornaram e a economia mudou.

A IWSR publicou análises defendendo que jovens adultos legalmente aptos voltaram a sair mais e “reengajar” com álcool, questionando a ideia de abandono permanente. Reuters também relatou esse debate, citando dados de pesquisa que apontariam aumento do “drank recently” entre 2023 e 2025 em alguns recortes.

Isso importa porque muda a conclusão: não é necessariamente “fim do álcool”, mas sim uma mudança de padrão – menos volume, mais seletividade, mais alternância com abstinência e maior concorrência com bebidas sem álcool.

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Juscelio Prates
Juscelio Prates
18/01/2026 11:40

Ótima alerta, vou escolher fazer abstinência,pelo menos umas 4 semanas 2 vezes por ano.

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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