O programa Gás do Povo busca levar GLP a milhões de famílias de baixa renda no Brasil, mas novas regras da ANP podem gerar insegurança e ameaçar investimentos no setor.
O programa Gás do Povo foi lançado pelo governo federal como uma medida histórica para ampliar o acesso ao gás de cozinha no Brasil. No entanto, discussões em andamento na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) levantam preocupações entre especialistas e empresários do setor, que temem impactos negativos caso as regras atuais sejam alteradas, como noticiado nesta segunda, 29.
Gás do Povo quer levar GLP a famílias em situação de vulnerabilidade
Atualmente, cerca de 23% das famílias brasileiras ainda dependem de lenha ou carvão para cozinhar. Essa realidade traz sérios riscos à saúde, especialmente para mulheres e crianças expostas diariamente à fumaça, além de provocar danos ambientais. Estudos mostram que a queima de lenha emite 150 vezes mais CO₂ do que o GLP.
O Gás do Povo surge, portanto, como alternativa para mudar esse cenário. A proposta do governo é atender aproximadamente 15 milhões de famílias cadastradas no CadÚnico, garantindo acesso a uma fonte de energia mais limpa e segura.
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Segundo o Sindigás, entidade que representa o setor, as 59 mil revendas espalhadas pelo país têm experiência e capilaridade suficientes para assegurar que o programa funcione de forma eficiente. Além disso, empresas do segmento estão prontas para investir entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,5 bilhões na aquisição de novos botijões necessários para atender à demanda do Gás do Povo.
ANP gera incertezas com propostas de mudanças regulatórias
Apesar do entusiasmo em relação ao programa, representantes do setor criticam a possibilidade de mudanças nas regras de comercialização de botijões. Para o Sindigás, isso pode comprometer os investimentos e gerar insegurança jurídica em um momento decisivo.
“As empresas vão investir de R$ 1,5 bilhão a R$ 2,5 bilhões na compra de novos botijões necessários para atender a demanda do programa Gás do Povo. Mas, como vamos investir tanto se, a qualquer momento, a regra das marcas no botijão pode ser mudada? Quem vai cuidar de todo esse parque de botijões?” questiona Bandeira de Mello, representante da entidade.
Para especialistas, o Gás do Povo representa não apenas um programa social, mas uma oportunidade de transformação estrutural. Ao substituir a lenha e o carvão, o país pode reduzir emissões de gases de efeito estufa, melhorar a saúde pública e diminuir desigualdades no acesso à energia. No entanto, a continuidade e a eficácia da iniciativa dependem diretamente da estabilidade regulatória e da clareza das regras definidas pela ANP.
