Mensagens analisadas pela PF revelam tentativas do Careca do INSS de vender canabidiol e testes de dengue ao governo.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal revelam que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tentou negociar contratos milionários com o Ministério da Saúde para fornecimento de canabidiol e testes de dengue, sem licitação, entre 2024 e 2025.
Investigado no esquema bilionário de fraudes previdenciárias descoberto em 2025, Antunes buscou expandir sua atuação para a saúde pública, embora nenhuma compra tenha sido efetivada pelo governo.
Fraudes previdenciárias impulsionaram nova frente de atuação
As investigações indicam que, após se tornar alvo da Polícia Federal no caso das fraudes em benefícios previdenciários, o Careca do INSS passou a mirar outro setor estratégico: a saúde.
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De acordo com apuração do G1, mensagens de WhatsApp apreendidas pela PF apontam uma estratégia organizada para inserir empresas ligadas ao lobista em contratos públicos de alto valor.
Portanto, o Ministério da Saúde surge como uma nova frente de atuação do grupo investigado.
Assim, as tratativas envolviam medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e até medicamentos infantis, sempre com valores considerados milionários.
Apesar disso, é importante destacar que nenhuma aquisição foi concretizada pela pasta federal.
Contato com o Ministério da Saúde não resultou em contratos
As mensagens revelam que Antunes chegou a ser recebido ao menos uma vez por representantes do Ministério da Saúde, em janeiro de 2024.
O encontro, no entanto, não avançou para a assinatura de contratos nem para a formalização de compras públicas.
Ainda assim, a Polícia Federal avalia que o contato institucional fazia parte de uma tentativa de abrir caminho para negociações futuras.
Segundo os investigadores, a estratégia incluía a elaboração de documentos técnicos e termos de referência prontos para justificar compras emergenciais.
Então enquanto isso, a ausência de licitação aparece como um ponto sensível em todas as tratativas analisadas.
STF vê Ministério da Saúde como possível novo alvo do esquema
O avanço das apurações levou o Supremo Tribunal Federal a se manifestar.
Em decisão proferida na fase mais recente da operação, em dezembro, o ministro André Mendonça afirmou que o Ministério da Saúde despontava como “nova possível área de atuação da organização criminosa”.
Além disso, o magistrado determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária apurasse administrativamente “eventuais irregularidades” envolvendo servidores públicos.
Assim, a medida ampliou o alcance das investigações para além do núcleo previdenciário.
Canabidiol entrou no centro das negociações
Entre as empresas ligadas a Antunes, uma delas chamou atenção dos investigadores: a World Cannabis.
Assim, a companhia atua na comercialização de produtos derivados da cannabis medicinal e apareceu com destaque nas conversas analisadas pela PF.
Em dezembro de 2024, mensagens trocadas entre o Careca do INSS e seus funcionários discutiam a revisão da Resolução nº 327 da Anvisa, que regula a fabricação e importação de produtos à base de cannabis no Brasil.
No mesmo período, o grupo compartilhou a minuta de um Termo de Referência que previa a compra, pelo Ministério da Saúde, de 1,2 milhão de frascos de canabidiol, sem processo licitatório.
Testes de dengue também estavam no radar do grupo
No início de 2025, as mensagens mostram que o foco se ampliou. Além do canabidiol, o grupo passou a tentar viabilizar a venda de testes de dengue, em meio ao aumento dos casos da doença no país.
Assim como no caso anterior, a equipe elaborou um Termo de Referência prevendo a aquisição dos testes rápidos sem licitação.
A estratégia, segundo a Polícia Federal, seguia o mesmo padrão: uso de justificativas técnicas para acelerar compras públicas.
No entanto, novamente, nenhuma contratação foi efetivada.
PF apura uso de recursos desviados das aposentadorias
Uma das principais linhas de investigação aponta que os envolvidos desviaram recursos das fraudes previdenciárias para financiar propinas e estruturar empresas de fachada.
A Polícia Federal afirma que os envolvidos criaram essas empresas para disputar contratos públicos, especialmente na área da saúde.
Então enquanto isso, a análise das mensagens continua, e novas frentes de apuração não estão descartadas.
Assim, a Polícia Federal avalia se houve tentativa de influência sobre servidores e se outros órgãos federais também foram alvo das articulações.
Veja mais em: Careca do INSS tentou vender produtos ao Ministério da Saúde

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