Crânio fossilizado 31% maior que o de um pinguim-imperador atual indica que grandes pinguins habitaram a costa de Taranaki, na Nova Zelândia, há 3 milhões de anos, vivendo em águas de até 20 °C antes de desaparecerem da região
Um crânio fossilizado de pinguim gigante, 31% maior que o de um pinguim-imperador atual, foi descrito na costa de Taranaki, na Nova Zelândia, indicando que grandes pinguins viveram há 3 milhões de anos em águas de até 20 °C.
O fóssil pertence a um parente extinto dos atuais pinguins-imperadores e pinguins-reis e foi encontrado em sedimentos costeiros formados quando as temperaturas globais estavam cerca de 3 °C acima do período pré-industrial.
O crânio descrito apresenta dimensões significativamente superiores às do pinguim-imperador moderno, espécie que pode ultrapassar um metro de altura e atingir peso superior a 35 quilogramas em ambientes polares atuais.
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Além do tamanho, o fóssil indica um bico mais longo e robusto do que o observado em pinguins-imperadores, sugerindo uma aparência mais próxima à do pinguim-rei, porém em proporções corporais consideravelmente maiores.
Ambiente mais quente e distribuição geográfica ampliada
Os sedimentos que hoje formam falésias costeiras no sul de Taranaki foram depositados quando a região estava localizada a cerca de 40,5° de latitude sul, mais ao norte do que a distribuição atual de grandes pinguins.
Nesse período, as águas utilizadas por esses pinguins para alimentação atingiam temperaturas próximas de 20 °C, muito superiores às condições enfrentadas por seus parentes modernos em regiões subantárticas e antárticas.
Atualmente, as colônias reprodutivas mais ao norte de pinguins-reis ficam em torno de 46,1° sul, nas ilhas Crozet, onde a temperatura da água varia entre 3 °C e 10 °C.
Esses dados indicam que, há 3 milhões de anos, os grandes pinguins da Nova Zelândia toleravam ambientes marinhos consideravelmente mais quentes do que aqueles ocupados por espécies equivalentes hoje.
Resfriamento global e extinção regional
O período quente que favoreceu a presença desses pinguins terminou com o início das glaciações do Pleistoceno, há cerca de 2,58 milhões de anos, quando gelo e nível do mar passaram a oscilar intensamente.
Apesar disso, o resfriamento climático isoladamente não explica a extinção regional do pinguim gigante, já que outras espécies de pinguins menores sobreviveram às mesmas mudanças ambientais.
Pinguins-de-crista e pinguins-azuis, ainda presentes na Nova Zelândia, atravessaram esse período de queda de temperatura e mantiveram populações estáveis, sugerindo que fatores adicionais influenciaram o desaparecimento do gigante.
Os grandes pinguins atuais, como imperadores e reis, adaptaram-se migrando para latitudes mais frias, principalmente para a Antártica, comportamento que não ocorreu com o parente extinto de Taranaki.
Predadores aéreos gigantes como hipótese
Uma das hipóteses levantadas envolve a pressão de predadores terrestres e aéreos de grande porte que habitaram a Nova Zelândia até cerca de 500 anos atrás, incluindo a águia-de-Haast e o gavião-gigante de Forbes.
Essas aves de rapina eram capazes de capturar presas de grande porte, como moas, e seus ancestrais teriam chegado da Austrália ao longo dos últimos 3 milhões de anos.
Com base no comportamento de grandes pinguins modernos, o pinguim gigante de Taranaki provavelmente formava colônias extensas e expostas ao longo da costa, tornando-se alvos fáceis para predadores aéreos.
Em contraste, pinguins menores atuais apresentam reprodução mais discreta, utilizando tocas, fendas naturais e vegetação densa, além de cruzarem praias à noite, o que reduz a exposição a ataques.
Outras possibilidades e implicações climáticas
A predação terrestre é apenas uma das explicações consideradas para a extinção regional, enquanto outras hipóteses incluem alterações no ambiente marinho e possível redução na disponibilidade de alimento.
Sabe-se que a escassez alimentar pode ser devastadora para pinguins, mas ainda é difícil explicar por que esse fator teria afetado apenas os grandes pinguins, poupando espécies menores.
O estudo oferece novas informações sobre a tolerância ambiental de grandes pinguins, mostrando que espécies atuais conseguem suportar temperaturas até 20 °C acima daquelas em que normalmente se alimentam.
Há 3 milhões de anos, o parente extinto viveu sob essas condições mais quentes, reforçando que a distribuição geográfica das espécies pode mudar conforme o clima se transforma ao longo do tempo.
À medida que o planeta volta a aquecer, o ecossistema marinho da Nova Zelândia pode entrar na zona habitável de novas espécies, tornando o estudo de períodos quentes do passado ainda mais relevente.
