Projeto em Hong Kong amplia a segurança hídrica urbana ao transformar água do mar em abastecimento público, com uso de osmose reversa, produção diária em grande escala e integração a uma rede essencial para uma das cidades mais densas do mundo.
Hong Kong colocou em operação a primeira fase da usina de dessalinização de Tseung Kwan O em 22 de dezembro de 2023, com capacidade para transformar água do mar em água potável por meio da tecnologia de osmose reversa.
No ritmo previsto para a etapa inicial, a planta consegue captar cerca de 340 milhões de litros de água salgada por dia e entregar 135 milhões de litros de água doce no mesmo intervalo.
Localizada em Tseung Kwan O Area 137, a estrutura passou a integrar o sistema público de abastecimento como uma fonte adicional, criada para reduzir a dependência de reservatórios, chuvas e outras formas convencionais de fornecimento de água.
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Segundo o Water Supplies Department, órgão responsável pelo abastecimento de água do governo de Hong Kong, a primeira etapa tem capacidade de 135 mil metros cúbicos por dia e poderá chegar a 270 mil metros cúbicos diários em uma fase posterior.
Esse volume inicial representa cerca de 5% da demanda diária de água doce da cidade, conforme o RSK Group, controlador da Binnies, empresa que atuou nos estudos, no projeto e na supervisão da obra.
Pela estimativa divulgada pelo grupo, a produção da primeira fase é suficiente para atender aproximadamente 137 mil residências e uma população estimada em 370 mil pessoas dentro da rede urbana de Hong Kong.
Dessalinização por osmose reversa em Hong Kong

Na operação da usina, a osmose reversa força a passagem da água salgada por membranas semipermeáveis, separando sais e outras impurezas para que o líquido tratado possa seguir ao sistema público de distribuição.
Enquanto a água potável avança para o abastecimento, a salmoura e os concentrados salinos permanecem separados do produto final, em um processo que exige controle técnico, equipamentos de alta pressão e monitoramento contínuo.
Em plena capacidade, o tratamento leva cerca de duas horas entre a entrada da água no ponto de captação e a produção final da água doce, segundo informação atribuída ao diretor-geral da Binnies Hong Kong, Andy Kwok.
Para permitir expansão futura, as estruturas de captação e descarga foram dimensionadas acima da demanda inicial, com instalações compatíveis com a capacidade final prevista de 270 mil metros cúbicos por dia.
Usina de Tseung Kwan O entra na rede de abastecimento
Em uma área costeira de 8 hectares reservada em Tseung Kwan O Area 137, a planta reúne obras de formação do terreno, instalações de tratamento, estruturas auxiliares e sistemas ligados à entrega da água produzida.
O projeto inclui também a condução do volume tratado até o reservatório primário de água doce já existente em Tseung Kwan O, etapa necessária para integrar a dessalinização à rotina de consumo da cidade.
Com essa configuração, a usina não funciona como uma solução isolada, mas como parte de uma rede maior que depende de tubulações, reservação, controle de qualidade e operação coordenada com o abastecimento público.

A adoção de uma fonte marítima responde a um desafio comum em cidades costeiras de alta densidade, onde a pressão por água cresce ao mesmo tempo em que chuvas e reservatórios podem sofrer variações.
De acordo com o RSK Group, a planta integra a estratégia de gestão hídrica de Hong Kong para diversificar o abastecimento e reduzir a exposição da cidade a períodos de irregularidade climática.
Eficiência energética e reúso de água na operação
Além da tecnologia de membranas, o funcionamento da unidade depende de energia, bombas, sistemas de alta pressão e rotinas industriais permanentes, o que torna a eficiência operacional um ponto relevante do projeto.
Entre as medidas adotadas, painéis solares foram incorporados para reduzir em 16,2% o uso de eletricidade da rede em serviços prediais, segundo as informações técnicas divulgadas pelo RSK Group.
O material também informa que processos de reciclagem e reúso reduzem em 36,6% o consumo de água doce na operação, enquanto dispositivos economizadores cortam em 53% o uso de água em instalações internas.
Na irrigação, sistemas de aproveitamento de água da chuva foram instalados para diminuir em 67% o consumo de água, ampliando o conjunto de medidas voltadas à redução de perdas e ao uso mais eficiente dos recursos.
Mesmo com essas soluções, a dessalinização continua sendo uma operação complexa, porque exige investimento, energia, gestão dos resíduos salinos e controle ambiental para transformar água do mar em água própria para consumo.
Expansão pode dobrar a produção de água potável
A primeira etapa da usina começou a ser construída em dezembro de 2019 e iniciou o fornecimento quatro anos depois, após uma fase anterior de estudos, investigação técnica, projeto e supervisão da construção.

Antes da obra, o Water Supplies Department contratou a Binnies em dezembro de 2012 para elaborar o estudo de viabilidade, que serviu de base para as etapas seguintes do empreendimento.
No escopo da implantação, o contrato identificado como 13/WSD/17 abrangeu o modelo de projeto, construção e operação da planta de dessalinização em Tseung Kwan O.
Outro contrato, o 13/WSD/16, tratou das obras de assentamento das adutoras responsáveis por transportar a água produzida até a infraestrutura existente de abastecimento.
A autorização ambiental também veio antes da construção, com aprovação do relatório de avaliação de impacto ambiental em 4 de novembro de 2015 e emissão da licença ambiental em 4 de dezembro do mesmo ano.
Caso a cidade avance para a capacidade final planejada, a expansão poderá dobrar a produção para 270 milhões de litros por dia, ampliando o papel da dessalinização dentro do sistema público de água potável.
Até lá, a primeira fase já funciona como uma fonte regular de abastecimento em escala urbana, conectada à rede pública e apoiada em tecnologia capaz de converter água salgada em água tratada para uso diário.
