1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Ao recuar mais de 3,5 km na Patagônia, a geleira Viedma revelou uma fossa de quase 900 metros escondida sob o gelo e tornou o Viedma o lago mais profundo da América
Faça um comentário 7 min de leitura

Ao recuar mais de 3,5 km na Patagônia, a geleira Viedma revelou uma fossa de quase 900 metros escondida sob o gelo e tornou o Viedma o lago mais profundo da América

Imagem de perfil do autor Bruno Teles
Escrito por Bruno Teles Publicado em 27/06/2026 às 13:51 Atualizado em 27/06/2026 às 13:53
O degelo da geleira Viedma na Patagônia revelou uma fossa de 900 m e fez do lago Viedma o mais profundo da América, confirma o CONICET: o 5º do mundo.
O degelo da geleira Viedma na Patagônia revelou uma fossa de 900 m e fez do lago Viedma o mais profundo da América, confirma o CONICET: o 5º do mundo.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Na Patagônia argentina, o degelo escreveu um recorde. Ao recuar mais de 3,5 km, a geleira Viedma expôs uma fossa de cerca de 900 metros no fundo do lago Viedma. Medições do CONICET confirmaram: ele é o mais profundo da América e o quinto mais fundo do mundo.

Por baixo do gelo da Patagônia havia um segredo de proporções colossais. Quando a geleira Viedma começou a recuar de forma acelerada, ela deixou exposta uma depressão de quase 900 metros de profundidade, um abismo submerso tão fundo que faria desaparecer dois ou três arranha-céus empilhados dentro dele. O que parecia apenas mais um lago de montanha guardava, no fundo, um recorde continental.

Segundo o CONICET, o conselho nacional de ciência da Argentina, as medições não deixaram dúvida sobre o tamanho do achado. O lago Viedma, na província de Santa Cruz, foi confirmado como o mais profundo da América e o quinto mais profundo do planeta, um título que só veio à tona porque o recuo da geleira permitiu, pela primeira vez, mapear zonas antes inacessíveis sob a massa de gelo.

O recorde que estava escondido sob o gelo

A história tem o sabor de uma descoberta de outro século, mas aconteceu agora. Durante muito tempo, boa parte do leito do lago Viedma permaneceu literalmente coberta pela frente da geleira, fora do alcance de qualquer instrumento de medição. Foi só com o recuo do gelo que os cientistas puderam levar seus equipamentos até ali e revelar que aquela água escondia uma das maiores profundidades lacustres do mundo, um dado que reescreveu a geografia das Américas.

O mais impressionante é que o recorde não foi criado, e sim desvendado. A fossa de quase 900 metros provavelmente já existia havia muito tempo, esculpida ao longo de eras geológicas pela ação do próprio gelo, mas permanecia oculta e desconhecida. Ao expor essa cicatriz profunda da paisagem, a natureza transformou o lago Viedma no mais profundo da América quase da noite para o dia, pelo menos do ponto de vista do conhecimento humano sobre ele.

Como a geleira Viedma recuou e revelou a fossa

O degelo da geleira Viedma na Patagônia revelou uma fossa de 900 m e fez do lago Viedma o mais profundo da América, confirma o CONICET: o 5º do mundo.
O motor de toda a descoberta foi o encolhimento dramático da massa de gelo.

A geleira Viedma, parte do gigantesco Campo de Gelo Patagônico Sul, recuou mais de 3,5 quilômetros em anos recentes, perdendo cerca de 5,5 quilômetros quadrados de gelo apenas desde 2014. Esse derretimento abriu uma janela física e científica, deixando à mostra uma porção do lago que estivera selada sob a geleira Viedma por tempo indeterminado.

Os números do recuo mostram um processo que vem se acelerando. Estimativas indicam que a frente da geleira recuava cerca de 84 metros por ano entre 1984 e 2010, ritmo que saltou para perto de 281 metros por ano entre 2010 e 2016, mais que triplicando em poucas décadas. É essa velocidade crescente do degelo que liga diretamente o comportamento da geleira Viedma à revelação da fossa, porque cada metro de gelo perdido descortinou um novo pedaço do fundo a ser medido.

900 metros: a fossa que coroou o lago Viedma

Para dimensionar o feito, vale traduzir os 900 metros em imagens concretas. Essa profundidade equivale a quase um quilômetro na vertical, fundo o suficiente para submergir montanhas inteiras de porte médio e deixar apenas o cume de fora. Com essa marca, o lago Viedma assumiu o posto de mais profundo da América, superando a profundidade que até então se atribuía a outros grandes lagos do continente, inclusive os da própria Patagônia.

Mais do que um campeão regional, o lago entrou para a elite mundial. As medições colocaram o lago Viedma como o quinto mais profundo de todo o planeta, em uma lista dominada por colossos como o Baikal, na Rússia, e o Tanganica, na África. Que um lago alimentado por geleiras na ponta sul da América do Sul figure entre os cinco mais profundos do mundo é o tipo de dado que recoloca a Patagônia no mapa das grandes maravilhas naturais do planeta.

Como a ciência mediu: batimetria e sonar

Nada disso seria possível sem a tecnologia certa apontada para o lugar certo. A confirmação da profundidade veio de estudos de batimetria, a ciência que mede a profundidade de corpos d’água, realizados com equipamentos de sonar que varreram o fundo do lago. Em 2022, essas medições determinaram a fossa de cerca de 900 metros com margem de erro mínima, transformando uma suspeita em um número sólido e verificável sobre o lago Viedma.

O trabalho foi fruto de uma colaboração científica de peso, e não de uma medição isolada. A pesquisa reuniu especialistas do CONICET, do Centro Internacional de Ciências da Terra da Argentina e da Universidade do Chile, sob coordenação de nomes como a pesquisadora María Gabriela Lenzano. Foi esse esforço conjunto que ligou o recorde de profundidade ao comportamento recente da geleira, dando ao anúncio do CONICET o rigor necessário para que ele fosse levado a sério mundo afora.

O lado sombrio do recorde: o que o degelo revela

O degelo da geleira Viedma na Patagônia revelou uma fossa de 900 m e fez do lago Viedma o mais profundo da América, confirma o CONICET: o 5º do mundo.
Por trás da empolgação com o recorde, há um recado que não pode ser ignorado.

Por trás da empolgação com o recorde, há um recado que não pode ser ignorado. A mesma retração que permitiu a descoberta é também um sintoma do encolhimento das geleiras patagônicas, um fenômeno que cientistas associam ao aquecimento do planeta. Em outras palavras, a fossa do lago Viedma só ficou visível porque a geleira Viedma está perdendo gelo num ritmo cada vez mais rápido, e essa é a face menos celebrável de toda a história.

É preciso, portanto, segurar a comemoração com um pé na realidade. Uma descoberta científica fascinante e o avanço do degelo são, nesse caso, dois lados da mesma moeda, e tratar apenas do recorde seria contar metade do enredo. O lago Viedma mais profundo da América é, ao mesmo tempo, uma maravilha natural revelada e um marcador concreto da transformação que as geleiras vêm sofrendo, um lembrete de que nem toda novidade espetacular é, no fundo, uma boa notícia.

Por que a descoberta importa para a ciência

Além do impacto simbólico, o achado tem valor prático para quem estuda o planeta. Mapear a fossa do lago Viedma ajuda os cientistas a entender como as geleiras esculpem o relevo, como se formam as bacias lacustres e como a água se comporta nesses ambientes extremos. Cada nova batimetria de um lugar como esse alimenta modelos sobre o Campo de Gelo Patagônico Sul, sobre reservas de água doce e sobre a própria dinâmica do degelo na região.

Há ainda o ganho de conhecimento sobre um dos cenários naturais mais admirados do mundo. O lago Viedma fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares, área de proteção e destino turístico famoso pela sua beleza glacial. Saber que esse cartão-postal guarda o lago mais profundo da América agrega uma camada de fascínio científico a um lugar já icônico, e reforça por que a Patagônia segue sendo um laboratório a céu aberto para a ciência do clima e do gelo.

O que o caso do lago Viedma mais profundo da América mostra

A revelação da fossa patagônica é uma daquelas histórias em que natureza e ciência se encontram de forma espetacular. Ela mostra como o recuo de uma geleira pode desvendar um recorde escondido e transformar o lago Viedma no mais profundo da América e no quinto do planeta, um feito confirmado com rigor pelas medições do CONICET. Ainda assim, convém manter o pé no chão diante de alguns exageros que circulam: números como uma suposta idade exata para a fossa devem ser tratados com cautela, porque o que a ciência confirmou com segurança foi a profundidade, e não uma data precisa para o abismo.

No equilíbrio entre o encanto e a prudência está a leitura mais honesta do caso. O recorde do lago Viedma é real, medido e impressionante, mas nasceu de um degelo que também acende um alerta sobre o futuro das geleiras. Ainda assim, poucos episódios resumem tão bem a forma como o planeta ainda guarda surpresas colossais: bastou a geleira Viedma recuar mais de 3,5 quilômetros para revelar, sob o gelo, a fossa de 900 metros que coroou o lago mais profundo da América.

E você, imaginava que um dos lagos mais profundos do mundo inteiro estivesse escondido bem aqui, na ponta sul da América do Sul? Comenta aqui se descobertas como a do lago Viedma mais profundo da América te deixam mais fascinado pela natureza ou mais preocupado com o ritmo do degelo das geleiras.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x