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Fim dos pedreiros colocando tijolo por tijolo: robôs compactos usam IA, carregam tijolos e argamassa, passam por portas, trabalham em equipe e já levantam fachadas reais na Europa

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/05/2026 às 13:55
Atualizado em 27/05/2026 às 14:02
Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.
Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.
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Robôs compactos já transportam tijolos, aplicam argamassa e erguem paredes em obras reais na Europa, levando inteligência artificial para uma etapa repetitiva da construção civil e alterando a rotina dos canteiros sem afastar completamente os profissionais humanos.

Robôs pequenos, elétricos e guiados por inteligência artificial já são usados em canteiros da Europa para transportar tijolos, aplicar argamassa e levantar paredes reais, como parte de uma tentativa de automatizar tarefas repetitivas da construção civil tradicional.

Desenvolvida pela Monumental, startup de Amsterdã fundada em 2021 por Salar al Khafaji e Sebastiaan Visser, a tecnologia foi apresentada pela empresa como uma solução para atuar ao lado de profissionais humanos, sem transformar o canteiro em uma fábrica isolada.

Em vez de máquinas gigantes ou estruturas fixas, a companhia trabalha com robôs compactos, capazes de circular por áreas apertadas, passar por portas e ser transportados em uma van, característica que permite uso em obras comuns e espaços com acesso limitado.

Robôs pedreiros usam IA para automatizar a alvenaria

Os equipamentos são veículos autônomos de solo, também chamados de AGVs, integrados ao software Atrium, plataforma usada pela Monumental para coordenar tarefas de construção e organizar a atuação das máquinas no ambiente do canteiro.

Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.
Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.

Para manipular tijolos e argamassa, os robôs combinam sensores, visão computacional, pequenos guindastes e sistemas de controle, recursos que permitem deslocamento, posicionamento de materiais e repetição de movimentos planejados durante a execução da alvenaria.

Segundo a Monumental, os robôs conseguem assentar tijolos e aplicar argamassa em paredes industriais e residenciais com precisão, exatidão e eficiência comparáveis às humanas, afirmação que integra a apresentação comercial da tecnologia pela própria empresa.

Na prática, a automação assume parte do ciclo físico da parede, enquanto trabalhadores continuam envolvidos na preparação, no abastecimento, no acompanhamento da execução e na verificação da qualidade final entregue no canteiro.

Essa divisão ocorre porque a construção civil tem condições menos previsíveis do que uma linha de montagem industrial, já que cada obra reúne acesso, terreno, clima, interferências, materiais e cronogramas próprios.

Por esse motivo, a atuação inicial da Monumental está concentrada no assentamento de tijolos, com máquinas especializadas em uma tarefa específica, repetitiva e historicamente associada a esforço físico contínuo.

Tecnologia já ergue fachadas reais na Holanda

A empresa afirma que seus robôs já foram usados em projetos-piloto na Holanda e concluíram, em 2023, uma fachada de 15 metros para um prédio de escritório e armazém.

Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.
Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.

Depois desse projeto, a tecnologia também foi aplicada em outras obras, incluindo habitação social, de acordo com informações divulgadas pela Monumental e por publicações especializadas em construção e robótica.

A startup informa ainda que suas máquinas já construíram fachadas de casas, muros de contenção de canais e outras estruturas que permanecem de pé na Holanda, além de atuar em parcerias com construtoras em projetos reais de alvenaria.

O modelo de operação evita que a construtora precise comprar os equipamentos, pois a Monumental se apresenta como subcontratada, leva os robôs para o canteiro e executa a etapa automatizada dentro do projeto contratado.

Com esse formato, a empresa contratante não assume sozinha a compra, a manutenção e a validação dos robôs, enquanto a startup consegue testar, ajustar e ampliar a operação em ambientes reais de obra.

A estratégia também mostra que os robôs não foram apresentados como humanoides ou substitutos completos de equipes de construção, mas como máquinas móveis, especializadas e projetadas para trabalhar em conjunto com profissionais.

Investimento milionário mira expansão pela Europa

A Monumental anunciou em 15 de fevereiro de 2024 uma rodada de investimento de US$ 25 milhões, liderada por Plural e Hummingbird, com participação de Northzone, Foundamental, NP-Hard Ventures, Material Ventures e investidores-anjo.

Segundo comunicado da companhia, os recursos serão usados para ampliar a equipe, aumentar a quantidade de robôs em obras pela Europa e expandir os tipos de blocos e tarefas que os equipamentos conseguem executar.

Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.
Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.

A empresa relaciona seu avanço a três pressões do setor: falta de mão de obra qualificada, alta de custos e necessidade de aumentar produtividade, especialmente em mercados europeus pressionados pela demanda por moradias.

No comunicado sobre o investimento, a Monumental afirmou que mais da metade dos países europeus enfrentava escassez severa de pedreiros especializados em alvenaria e citou o Reino Unido como exemplo de déficit relevante de profissionais.

Mesmo com a rodada de financiamento e os projetos já divulgados, a adoção de robôs em obras depende de fatores como custo do serviço, adaptação aos materiais locais, normas de construção, treinamento das equipes e aceitação das construtoras.

Automação muda a rotina dos pedreiros no canteiro

A chegada desses robôs altera a função tradicional do pedreiro que assenta tijolos ao longo da jornada, já que parte do esforço repetitivo passa a ser executada por veículos automatizados dentro do canteiro.

Pelos dados disponíveis, essa mudança não significa o desaparecimento imediato do profissional de alvenaria, uma vez que a proposta da Monumental ainda depende da presença humana em etapas de preparação, organização e conferência.

Com a automação, a repetição manual de movimentos pesados pode ser reduzida, enquanto cresce a necessidade de lidar com equipamentos digitais, planejamento de execução e integração entre robôs e equipes de obra.

Robôs compactos com IA já levantam paredes na Europa, carregam tijolos, aplicam argamassa e mudam a rotina da construção civil em obras reais.
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Esse movimento ocorre em uma construção civil que começa a levar automação para canteiros tradicionais, e não apenas para fábricas de pré-moldados ou sistemas de impressão 3D, mantendo materiais conhecidos, como tijolos, blocos e argamassa.

Construção civil testa robôs em tarefas repetitivas

A aplicação da tecnologia combina uma atividade antiga da construção com ferramentas digitais, como sensores, visão computacional, software de IA e veículos autônomos capazes de atuar em ambientes com poeira, acesso limitado e interferências.

A Monumental ainda precisa demonstrar, em escala maior, que seus robôs conseguem manter desempenho, custo competitivo e confiabilidade em diferentes tipos de obra, além dos projetos específicos já divulgados na Europa.

Por enquanto, os casos apresentados mostram uma aplicação concreta da automação em alvenaria, com robôs compactos assumindo tarefas repetitivas, trabalhando ao lado de profissionais humanos e alterando a forma como paredes são levantadas.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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