Aos 24 anos, Luzia Alves é filha de pedreiro, técnica em edificações e servente de obra num canteiro de Iguatu, no Ceará, mas o uniforme empoeirado esconde um plano de carreira: ela cursa engenharia civil para sair da base da construção civil e assinar, um dia, os próprios projetos.
No canteiro de obras, Luzia Alves faz o trabalho pesado de sempre: enche o carrinho de mão, carrega tijolo, areia e cimento, levanta massa e ajuda a erguer parede. A diferença é que ela enxerga cada etapa com olhos de quem estuda o projeto que está saindo do chão. Filha de pedreiro, aprendeu o ofício ajudando o pai e transformou o gosto pela obra em escolha de profissão.
Segundo o Jornal A Praça, a jovem de 24 anos é técnica em edificações e cursa engenharia civil em Iguatu, no interior do Ceará. Ela quer ser a primeira engenheira da família, fazendo o caminho completo da construção civil: da base do canteiro até a prancheta de quem assina a obra.
Quem é Luzia Alves, a servente de obra que estuda o projeto
Luzia tem 24 anos e trabalha como servente de obra em Iguatu, no Ceará.
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Antes da construção, ela já havia sido vendedora, mas foi no canteiro que se encontrou.
O primeiro mestre foi o próprio pai, pedreiro que a levou para a obra e ensinou o básico do serviço.
Como filha de pedreiro, ela cresceu vendo prumo, nível e massa virarem parede.
Hoje é também técnica em edificações, o que a coloca um degrau acima da função braçal.
Conhecer a obra por dentro é o trunfo que ela leva para a engenharia civil.
O que faz uma servente de obra no canteiro

É carrinho de mão cheio, saco de cimento nas costas e reboco na parede sob o sol.
Ela mistura massa, corta cerâmica, ajuda a cavar fundação e a descarregar material.
Cada tarefa dessas ensina, na prática, como uma construção se sustenta.
Para quem vai virar engenheira, saber o esforço por trás de cada laje é vantagem real.
Na construção civil, quem começou na base costuma entender a obra melhor do que quem só viu no papel.
Mulher no canteiro e o preconceito que ela enfrentou
Ser mulher num ambiente de maioria masculina não foi simples.
Luzia conta que enfrentou piadas e desconfiança no início, só por ser mulher na obra.
Com o tempo, o trabalho falou mais alto e os colegas passaram a respeitar o serviço dela.
Ao lado do pai e dos companheiros de canteiro, ela foi desmontando o preconceito na prática.
A presença de uma servente de obra que também é técnica em edificações já muda o jogo no dia a dia.
A competência virou a melhor resposta para quem duvidava.
Da servente de obra à engenharia civil: o plano de carreira

Ela cursa a faculdade enquanto trabalha, conciliando o canteiro com a sala de aula.
A meta é fazer a ponte entre a teoria dos cálculos e a prática que já domina na obra.
Quem é filha de pedreiro e passou pela função de servente chega ao curso com repertório de campo.
Em Iguatu, esse perfil de estudante que vem da construção civil ainda é raro, e por isso chama atenção.
A ideia é simples e ambiciosa: deixar de carregar o projeto para passar a assiná-lo.
O valor de quem entende a obra de baixo para cima
No mercado da construção civil, experiência de canteiro vale ouro.
Engenheiros que já botaram a mão na massa tendem a planejar com mais realismo.
Luzia sabe quanto tempo leva para levantar uma parede porque já levantou muitas.
Esse conhecimento de servente de obra vira critério técnico quando ela analisa um cronograma.
A construção civil brasileira convive com falta de mão de obra qualificada, e perfis assim são valiosos.
Unir a prática do canteiro ao diploma é o que pode fazer dela uma engenheira diferente.
O que a história de Luzia Alves mostra
A trajetória de Luzia une duas pontas que raramente aparecem juntas: o peão e o engenheiro.
Ela mostra que a obra também pode ser uma escola de carreira, não só de suor.
Vale manter o pé no chão, porém.
Luzia ainda está no meio do curso de engenharia civil, então o diploma e o registro ainda não vieram.
Ser a primeira engenheira da família é uma meta, não um fato consumado.
E a rotina de servente de obra somada à faculdade é dura, sem garantia de final feliz.
Mesmo assim, poucas histórias resumem tão bem a ideia de subir degrau por degrau dentro da construção civil.
De filha de pedreiro a futura engenheira, Luzia escreve essa ponte em Iguatu, no Ceará.
E você, contrataria uma engenheira que conhece a obra desde o carrinho de mão até o cálculo estrutural? Comenta aqui se na sua cidade também tem uma servente de obra mirando a engenharia civil, queremos contar essa história.
