Anos após perder fazenda com 50 mil pés de banana e caminhões por calotes no Brasil, o ex-milionário das bananas desembarca em 2011 na Flórida com 28 dólares, vira instalador de pisos, muda-se para Massachusetts, abre loja de construção própria e diz viver melhor, sem vontade de regressar ao Brasil.
Em 2011, após uma sequência de calotes que derrubou uma fazenda com cerca de 50 mil pés de banana e uma frota de caminhões em Santa Catarina e no Paraná, o ex-milionário das bananas Valdemir embarcou para os Estados Unidos com apenas 28 dólares no bolso e a passagem bancada por um amigo pastor, decidido a recomeçar longe da instabilidade brasileira.
Entre 2011 e 2017, ele passou pela Flórida, aprendeu a instalar pisos cerâmicos em obras de escolas, mudou-se para Massachusetts em busca de clima mais ameno e contratos maiores e, depois de montar equipes próprias de instalação, abriu uma loja de material de construção às margens da rota 20, em Marlborough, onde hoje afirma ter mais segurança, renda previsível e qualidade de vida do que no auge da riqueza com bananas no Brasil.
Do auge em Corupá ao colapso da fortuna com bananas

Valdemir nasceu em Corupá, no norte de Santa Catarina, região conhecida como capital catarinense da banana, em uma família de origem alemã em que o idioma de casa não era o português.
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Ele só descobriu na escola, aos 7 anos, que o Brasil falava português, depois de crescer falando apenas alemão com os pais e avós.
Na vida adulta, construiu a imagem de ex-milionário das bananas com uma fazenda de cerca de 50 mil pés de banana e uma frota de cinco a seis caminhões que cruzavam o Brasil e atendiam também clientes na Argentina.
Os caminhões saíam carregados de Corupá e da região de Jaraguá do Sul rumo a centrais de abastecimento, como o Ceasa de Curitiba, onde ele mantinha um box de venda atacadista.
O modelo de negócios era baseado em prazos longos e confiança. Cheques para 60 e 90 dias eram regra, e boa parte dos compradores não pagava o combinado.
Calotes sucessivos, inclusive de cargas enviadas para a Argentina, foram corroendo patrimônio, estoques e capital de giro, até que a pilha de cheques sem fundo se tornou maior do que a capacidade de cobrança.
Mudança para Curitiba e desistência de São Paulo após assalto armado
Antes de virar ex-milionário das bananas, Valdemir tentou reorganizar a vida em Curitiba, cidade que já conhecia desde os 18 anos por circular no Ceasa.
Em 2007, por volta dos 34 anos, deixou Corupá e se estabeleceu na capital paranaense, mantendo o foco no comércio de bananas e ampliando contatos com a cadeia de abastecimento.
Com formação em teologia e atuação como vice-presidente de uma igreja Assembleia de Deus em sua cidade de origem, ele chegou a planejar uma livraria e uma mudança definitiva para São Paulo.
O plano foi abandonado depois que, ao tentar alugar um ponto comercial na capital paulista, foi rendido em um posto de gasolina, teve arma apontada para a cabeça e viu levarem dinheiro, relógio, aliança e o carro Citroën Picasso.
O episódio marcou a decisão de não expor a família a um ambiente que considerava inseguro.
Segundo ele, o acumulado de perdas financeiras com calotes e a violência urbana reforçaram a percepção de que a fase de ex-milionário das bananas no Brasil havia chegado ao limite.
A fuga com 28 dólares e o começo como instalador de pisos na Flórida
O passo seguinte foi planejar uma temporada nos Estados Unidos, inicialmente pensada para que os dois filhos passassem um ano aprendendo inglês antes de eventual ida para a Europa.
A crise financeira, porém, deixou a família sem recursos para custear a mudança.
A solução veio quando um amigo pastor em São Paulo pagou a passagem de Valdemir, permitindo que ele deixasse o Brasil rumo à Flórida com apenas 28 dólares.
Na chegada a Miami, um conhecido o buscou no aeroporto e o levou para casa. Já no dia seguinte, o ex-milionário das bananas estava em uma obra, como ajudante de instalador de pisos.
Em três dias, passou de auxiliar a responsável por instalar cerâmica em uma escola com mais de 70 banheiros.
Ele admite que nunca havia trabalhado com construção, mas decidiu aprender observando cada movimento do colega e aceitando qualquer tarefa, inclusive limpar banheiros à noite, para conseguir se firmar.
Da Flórida ao frio de Massachusetts e o salto nas obras
Mesmo com trabalho garantido, Valdemir não se adaptou ao calor intenso da Flórida, que descreve como “infernal” para quem vinha de clima mais ameno em Santa Catarina.
Um convite de um amigo que atuava em uma companhia de pisos em Massachusetts abriu a porta para um novo teste, desta vez no norte dos Estados Unidos.
Ele viajou sozinho para fazer o teste em uma obra em Cape Cod e, ao terminar o primeiro banheiro, ouviu do contratante que seria contratado como se tivesse 20 anos de experiência, embora estivesse na função havia pouco mais de um ano.
Depois de alugar uma casa, trouxe a esposa e os dois filhos para o novo estado.
A mudança da Flórida para Massachusetts foi feita em comboio, em cerca de 26 horas de estrada, com ele dirigindo um caminhão de mudanças e a mulher em uma van logo atrás.
Do ex-milionário das bananas ao empresário de instalação de pisos
Já em Massachusetts, o trabalho do ex-milionário das bananas ganhou escala.
Ele estruturou uma companhia de instalação de pisos com aproximadamente cinco vans e diversas equipes, cada uma formada por um instalador e um ajudante, atendendo empreendimentos residenciais de maior porte.
Um dos marcos foi o contrato para instalar piso em 52 casas de um condomínio em Norwood, firmado com um incorporador de origem judaica que se tornou parceiro de longo prazo.
Para esse tipo de projeto, o modelo passou a ser integrado: o mesmo grupo que instalava o piso também fornecia os materiais.
A partir daí, a rotina profissional de Valdemir deixou de ser apenas a de um trabalhador da construção civil e passou a se aproximar do perfil de empresário especializado em acabamentos.
Ele mesmo conta que, em alguns momentos, somava 100 a 110 horas de trabalho por semana, muito acima da jornada padrão de 40 horas, para aproveitar ao máximo a demanda e consolidar a nova empresa.
A virada de 2017: loja de construção em Marlborough
A mudança definitiva de perfil ocorreu em 2017, quando o ex-milionário das bananas decidiu abrir uma loja de material de construção na rota 20, em Marlborough, cidade próxima a Boston.
No início, o espaço era menor, voltado principalmente a pisos e revestimentos; com o tempo, a loja se expandiu para um endereço maior, com centenas de coleções em exposição.
Hoje, o negócio oferece pisos, cerâmicas e soluções ligadas a banheiros e cozinhas, atendendo tanto clientes residenciais quanto construtoras que enviam compradores para escolher acabamentos de casas em construção.
O filho de Valdemir atua como general contractor, enquanto ele prefere circular entre obras, clientes e fornecedores, em vez de ficar atrás do balcão.
Ele admite que ainda fala pouco inglês, mas entende o suficiente para gerir equipes e negociar com parceiros, amparado por funcionários bilíngues e pela experiência acumulada na prática.
Segurança jurídica, rotina pesada e zero vontade de voltar
Um dos pontos que o ex-milionário das bananas mais enfatiza ao comparar Brasil e Estados Unidos é a segurança jurídica e contratual.
Ele destaca que, no modelo americano, não existe venda fiada em escala, os fornecedores cumprem prazos, o material pago chega e as regras são claras para patrão e funcionário, o que contrasta com os calotes que o fizeram quebrar no mercado de bananas no Brasil.
Do ponto de vista pessoal, ele afirma que a sensação de segurança pesa mais do que a ausência de férias, de décimo terceiro ou de feriados prolongados.
Diz que consegue chegar em casa e dormir com tranquilidade, sem medo de assaltos, e que isso compensa a rotina de trabalho intenso.
Com dois filhos adultos, uma neta recém-nascida e toda a família instalada nos Estados Unidos, declara não ter vontade de voltar a morar no Brasil, apenas eventualmente visitar.
Diante da trajetória de alguém que saiu do status de ex-milionário das bananas no Brasil para reconstruir a vida como instalador de pisos e empresário nos Estados Unidos, na sua opinião a segurança e a previsibilidade lá fora justificam abrir mão de voltar a viver no Brasil ou o custo pessoal dessa escolha ainda é alto demais?


Espera ficar mais velho ou sem condições de trabalhar e veja como será tratado nos EUA…
Até onde eu sei pra entrar lá você tem que provar que tem um valor mínimo para estadia. 28 dólares não parece ser o suficiente. Acho que essa matéria é fake.
A melhor coisa que ele fez , no nosso país não temos nada , não temos educação, saúde e nem segurança
Estou tranquilo no Brasil, funcionário público perto da aposentadoria.