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EUA ”ameaça” as importações brasileiras com tarifa de 25% citando comércio digital, Pix, desmatamento e patentes, mas isenta produtos estratégicos, enquanto a China se oferece como parceira e fala em defender a soberania do Brasil

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 02/06/2026 às 15:28 Atualizado em 02/06/2026 às 15:32
Os EUA propõem tarifa de 25% sobre o Brasil citando Pix e desmatamento, mas isentam café e petróleo, enquanto a China fala em defender a soberania do país.
Os EUA propõem tarifa de 25% sobre o Brasil citando Pix e desmatamento, mas isentam café e petróleo, enquanto a China fala em defender a soberania do país.
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O Brasil entrou na mira dos EUA: o governo Trump propôs uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, citando comércio digital, Pix, desmatamento e patentes, mas poupou produtos estratégicos como café e petróleo. Horas antes, a China se ofereceu como parceira e disse defender a soberania brasileira.

O Brasil foi alvo de uma nova ameaça comercial dos Estados Unidos. Na noite desta segunda-feira (1º de junho de 2026), o escritório de comércio do governo Trump propôs uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, ao concluir uma investigação que acusa o país de práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, Pix, desmatamento ilegal e patentes.

O tarifaço, porém, vem com ressalvas: ficam de fora produtos estratégicos para a economia americana, como café, carne bovina, petróleo, minérios e terras raras. E há um contraponto geopolítico. Poucas horas antes do anúncio, a China se apresentou como parceira do Brasil e disse defender a soberania do país, num momento em que os EUA e o Brasil tentam negociar para evitar que as taxas entrem em vigor.

Por que os EUA querem taxar o Brasil em 25%

imagem ilustrativa/explicativa
imagem ilustrativa/explicativa

A medida partiu do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu uma investigação aberta em julho de 2025, a pedido do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão afirma ter concluído que algumas políticas brasileiras são “irrazoáveis” e oneram ou restringem o comércio americano, o que justificaria a tarifa de 25% como retaliação.

A lista de queixas é longa. Washington cita o tratamento dado ao comércio digital e aos serviços de pagamento, com destaque para o Pix, que, segundo os americanos, recebe tratamento preferencial do Banco Central em prejuízo das empresas de cartão de crédito. Na leitura de Washington, o Pix virou um dos símbolos das barreiras enfrentadas por empresas americanas no país. O relatório também acusa o Brasil de punir plataformas de tecnologia dos EUA que descumprem ordens de remoção de conteúdo, questiona acordos comerciais com México e Índia, aponta falhas históricas no combate ao desmatamento ilegal, critica a falta de reciprocidade na importação de etanol e a lentidão no exame de patentes industriais.

O que fica isento do tarifaço

Nem tudo entra na conta. O documento americano exclui da tarifa de 25% os bens tratados como estratégicos para o abastecimento dos Estados Unidos. Ficam isentos produtos agropecuários como carne bovina, café, frutas tropicais e especiarias, além de petróleo, minérios metálicos, terras raras, aviões, fertilizantes e produtos farmacêuticos. Na prática, isso suaviza o golpe sobre boa parte das exportações brasileiras de maior peso.

Vale um dado que relativiza o discurso da Casa Branca. Embora Trump já tenha citado um suposto desequilíbrio comercial para justificar medidas contra o Brasil, os EUA registram superávit na balança bilateral desde 2009, ou seja, vendem mais para o mercado brasileiro do que compram. Esse ponto costuma ser lembrado por quem questiona a base econômica da retaliação.

Prazos: o que acontece até 15 de julho

Segundo o portal da CBN, a tarifa ainda não está valendo. Antes de qualquer aplicação, o governo americano abriu um período de consulta pública, com envio de comentários até 1º de julho e audiência marcada para 6 de julho. O prazo legal para a eventual adoção das chamadas medidas corretivas é 15 de julho de 2026, e a investigação, segundo o USTR, já ouviu mais de 30 testemunhas e reuniu quase 300 manifestações.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que houve reuniões construtivas com o presidente Lula ao longo do último ano, intensificadas nas últimas semanas, mas reconheceu que ainda há divergências substanciais. Do lado de cá, o Palácio do Planalto já esperava sanções, embora apostasse que a recomendação não traria taxas de aplicação imediata. Trump e Lula chegaram a se reunir na Casa Branca em maio de 2026, sinal de que o canal entre os dois governos segue aberto mesmo em meio à tensão.

A China entra em cena e fala em soberania

Enquanto Washington apertava o cerco, a China se movimentava na direção oposta. Poucas horas antes do anúncio da tarifa de 25%, o chanceler chinês, Wang Yi, recebeu em Pequim o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. No encontro, a China defendeu a soberania brasileira e afirmou que os dois países precisam, juntos, “repelir os desafios externos”, sem citar diretamente as medidas dos EUA.

Os dois governos falaram em aprofundar a cooperação e contribuir para a paz e a estabilidade mundiais por meio de diálogos estratégicos. O recado, ainda que indireto, colocou o Brasil no centro de uma disputa de influência entre as duas maiores economias do mundo, com os Estados Unidos apertando de um lado e a China acenando como parceira do outro.

O cabo de guerra deixa o Brasil numa posição delicada entre dois gigantes: ceder às exigências dos EUA para escapar da tarifa de 25% ou se aproximar ainda mais da China em nome da soberania.

Conte nos comentários se você acha que o país deve negociar com Washington, estreitar laços com Pequim ou buscar um caminho próprio.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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