Com 18 anos, o estudante Gustavo Schick recebeu do reitor Ricardo Marcelo Fonseca notícia da aprovação no Vestibular 2020/2021 da UFPR, divulgado em 31 de agosto de 2021, e ainda liderou Medicina. Após fracassar em 2020, voltou a Canoinhas na pandemia, revisou por 12h diárias e cuidou da saúde mental.
O estudante Gustavo Schick, de 18 anos, apareceu no topo da lista do Vestibular 2020/2021 da UFPR como 1º lugar geral e, ao mesmo tempo, 1º em Medicina, num resultado divulgado em 31 de agosto de 2021. A notícia veio do reitor Ricardo Marcelo Fonseca e, segundo ele, demorou a ser “processada” por causa do período atípico imposto pela pandemia.
Por trás do número, há uma escolha repetida todos os dias: manter uma rotina rígida de estudo e revisão, mesmo depois de uma tentativa anterior sem o resultado desejado. O estudante descreve que disciplina, estratégia e cuidado com a cabeça e o corpo foram peças do mesmo sistema, sem depender apenas de “facilidade” para aprender.
A tentativa anterior que virou ponto de virada
Antes de chegar ao 1º lugar geral, o estudante já tinha enfrentado a frustração de tentar a UFPR em 2020 e não conseguir a vaga.
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Esse retorno para uma segunda tentativa não veio com uma fórmula mágica, mas com a decisão de manter o objetivo principal, Medicina, sem tratar a resposta negativa como sentença definitiva.
O que muda, tecnicamente, é o tipo de preparação exigida por uma prova de ampla concorrência. O estudante afirma que ter facilidade para aprender ou memorizar não resolve tudo quando a régua é alta e o recorte é fino.
O salto acontece quando a preparação passa a ser voltada para desempenho sob pressão, com consistência ao longo de meses.
Rotina “industrial” de estudo e revisão como sistema
A rotina relatada pelo estudante é direta: um período que ia das 6h às 20h, somando mais de 12 horas por dia de estudo e revisão.
Não é só “tempo sentado”, é organização do dia para sustentar volume e repetição sem perder o controle do que foi visto, do que precisa ser retomado e do que ainda está fraco.
Esse tipo de construção tende a funcionar como linha de produção de aprendizagem: revisão para consolidar, retomada para corrigir lacunas, exercícios para transformar conteúdo em resposta.
Quando a rotina vira sistema, a memória deixa de depender do acaso, porque o estudante reencosta nos mesmos tópicos até reduzir erro e aumentar velocidade.
Pandemia, mudança de cidade e o peso da saúde mental
No meio do processo, o estudante relata que precisou voltar para Canoinhas (SC) por causa das restrições e do cenário da pandemia.
Essa mudança costuma mexer com ambiente, ritmo e suporte social, e ele aponta que dar atenção à saúde mental foi fundamental para não se desgastar no longo prazo.
A recomendação dele é prática: estudar bem, mas de maneira inteligente, cuidando da cabeça e também do corpo.
O estudante alerta que a falta de cuidado, quando se prolonga, cobra a conta e desgasta.
A rotina intensa exige freio e manutenção, porque a meta não é só estudar muito, é continuar conseguindo estudar.
Por que Medicina e por que ficar na UFPR
Ao explicar a escolha, o estudante diz que quer aplicar habilidades para um bem maior e descreve Medicina como uma profissão nobre, com possibilidade de mudança real na vida das pessoas.
Essa motivação aparece como motor de persistência, especialmente depois da primeira tentativa sem sucesso.
Ele também relata que, via ENEM, passou na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mas decidiu ficar na capital paranaense porque a UFPR era o objetivo principal.
Para o futuro, o estudante diz querer aproveitar o que a vida acadêmica oferece para ganhar experiência e se tornar um médico que retribua à sociedade.
A conquista não fecha uma história, ela abre um tipo de cobrança diferente, agora dentro do curso.
O caso do estudante que transformou mais de 12 horas diárias em rotina, voltou de uma tentativa frustrada e chegou ao 1º lugar geral da UFPR com 1º em Medicina mostra um ponto pouco confortável: volume ajuda, mas só funciona quando vira método, revisão e cuidado para não quebrar no caminho.
Na sua experiência, o que mais pesa num resultado desse tipo: a disciplina de repetir todo dia, a revisão bem feita, ou a capacidade de proteger a saúde mental quando o ritmo aperta? E, se você já tentou um vestibular duas vezes, o que mudou de verdade entre a primeira e a segunda tentativa?

Não são 12h de estudos, pois dentre esse período há pausas, idas no banheiro e ir almoçar, tomar café e jantar. Ninguém é capaz de estudar 12h de fato!