Bernardo Dias, estudante superdotado que pulou duas séries, terminou o Ensino Médio no Colégio Poliedro e, após dois anos de preparação, foi aprovado no vestibular 2019 do ITA; em São José dos Campos, ele descreve rotina rígida, provas antigas e ajuste à nova fase objetiva de 2018 com apoio familiar.
Aos 15 anos, o estudante Bernardo Dias viu o próprio nome na lista do vestibular 2019 do ITA, resultado divulgado em 20 de dezembro, e passou a encarar um calendário que costuma chegar mais tarde para a maioria: inspeção de saúde em 13 de janeiro, mudança para o alojamento H8 e início do curso de Engenharia Aeronáutica em São José dos Campos.
A aprovação não nasceu de um golpe de sorte nem de uma única habilidade. Ela foi construída em uma combinação de avanço escolar, método de estudo e readequação estratégica quando o vestibular do ITA mudou em 2018, ganhando etapa objetiva e disputa em duas fases, enquanto o estudante ainda tentava equilibrar sono, lazer e o peso de entrar cedo no funil mais duro do país.
Acelerar a escola muda o relógio do vestibular
Bernardo Dias terminou a 3ª série do Ensino Médio no Colégio Poliedro, em São José dos Campos, pouco antes de conquistar a vaga no ITA.
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O que chama atenção, além da aprovação, é o caminho que encurtou etapas: o estudante foi adiantado no 1º e no 4º ano do Ensino Fundamental, o que na prática significou pular duas séries e concluir a educação básica dois anos antes do padrão que se vê ao redor.
A decisão de avançar séries veio depois de a escola perceber facilidade de aprendizado e buscar um jeito de aproveitar melhor esse ritmo.
Bernardo é descrito como superdotado, com QI acima da média, e isso aparece na forma como ele narra a própria relação com conteúdos: a velocidade não eliminou o esforço, só antecipou o ponto de cobrança. No fim, o vestibular do ITA virou o teste definitivo desse adiantamento.
Quando o ITA vira projeto diário e não apenas prova
A rotina do estudante foi desenhada para sustentar um objetivo específico: encarar o vestibular do ITA como uma maratona de consistência.
Ele relata que, de manhã, estudava em casa das 08h às 11h30, seguindo um planejamento ajustado às suas necessidades.
À tarde e aos sábados, ia ao Colégio Poliedro, mantendo um ritmo em que a escola funcionava como eixo da preparação.
À noite, o estudante ainda encaixava estudo em alguns dias, normalmente das 22h às 23h30, dormindo entre meia-noite e 7h30.
Aos sábados, fazia aula pela manhã, voltava às 13h e retomava em casa das 16h às 21h. No domingo, buscava descansar, embora às vezes houvesse simulado pela manhã.
O detalhe do horário importa porque mostra o que fica de fora quando o vestibular vira rotina: ele reconhece que precisou cortar parte do lazer para preservar foco.
Provas antigas, seleção de questões e a virada de 2018
A base do treino foi repetição com propósito. O estudante conta que sua preparação se concentrou em responder questões de provas anteriores do ITA e de outros vestibulares, começando pelas consideradas mais fáceis e avançando conforme ganhava segurança.
Ele estima ter feito de oito a nove anos de provas antigas, o que funciona como uma biblioteca prática de padrões, erros e tempo de execução.
Em 2018, o vestibular do ITA mudou e obrigou uma reengenharia de estratégia. Segundo ele, a prova passou a incluir uma etapa objetiva e a disputa ficou em duas fases.
Na primeira fase, ele descreve um cenário de 6 questões de alto nível em quatro horas, exigindo decisões rápidas: por onde começar, quando pular, como reconhecer nível de dificuldade e como não se perder em uma única questão.
A aprovação no ITA, nesse contexto, também é uma prova de gestão de tempo e de risco.
Talento não garante vaga e o estudante sente o custo do foco
Bernardo reconhece que muita gente atribui a aprovação a facilidade com Matemática, mas ele insiste que a dedicação pesa mais do que qualquer talento.
Antes mesmo do vestibular, ele já gostava de Matemática e menciona o Kumon como parte do processo de aprender de forma autodidata, em um método individualizado nas disciplinas de Matemática e Português.
Aos 12 anos, no primeiro contato com Física e Química, ele decidiu que tentaria o ITA, transformando curiosidade em meta.
O custo aparece nas pequenas renúncias e na disciplina diante de distrações comuns, como internet e redes sociais.
O estudante diz que precisou restringir tempo e espaço para lazer, embora ainda buscasse momentos típicos da idade, como andar de bicicleta, jogar bola e ir ao shopping.
Ao mesmo tempo, ele defende que sono e lazer precisam entrar como extra-estudo, porque ajudam a aliviar o peso da rotina e protegem a saúde mental. O funil do ITA não mede só conhecimento, mede resistência.
A lista de aprovados, o H8 e a decisão sobre carreira militar
O estudante fez o vestibular do ITA duas vezes: em 2017 como treineiro e, em 2018, como candidato.
Mesmo com uma rotina intensa, ele conta que foi pego de surpresa pela aprovação e lembra a reação física ao receber a notícia, um retrato de como a ansiedade pode andar ao lado da disciplina em processos longos.
A família aparece como suporte direto: ele cita o apoio dos pais e da irmã Júlia, de 13 anos, que também está adiantada na escola em um ano.
O próximo passo já tem data e logística. Bernardo vai se apresentar ao ITA, em São José dos Campos, no dia 13 de janeiro para a Inspeção de Saúde e, se aprovado nessa etapa, pretende se mudar para o alojamento do instituto, o H8.
Por enquanto, ele não pretende seguir a carreira militar e diz que vai esperar começar o curso de Engenharia Aeronáutica para tomar decisão.
Entrar cedo no ITA abre portas, mas também antecipa escolhas que nem sempre têm resposta pronta.
O caso do estudante Bernardo Dias, aprovado no vestibular do ITA aos 15 anos em São José dos Campos, joga luz sobre um ponto pouco discutido fora dos bastidores: acelerar etapas pode mudar o relógio, mas não elimina o funil, apenas faz o funil chegar antes, com cobrança de estratégia, rotina e equilíbrio.
Se você estivesse no lugar desse estudante, o que te pesaria mais na balança: pular séries para ganhar tempo ou esperar para ganhar maturidade? E, para quem já encarou um vestibular longo, qual foi o ajuste mais difícil, o método de estudo, a gestão do sono ou o controle das distrações?

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