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Vista do espaço, uma “Grande Muralha Solar” corta 400 km do deserto de Kubuqi na China, cobre o antigo “mar da morte” com painéis gigantes, freia ventos de areia, reduz evaporação e tenta transformar terra estéril em corredor de energia e vida

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Escrito por Ana Alice Publicado em 03/07/2026 às 19:15 Atualizado em 03/07/2026 às 19:19
Assista o vídeoChina avança com a Grande Muralha Solar no deserto de Kubuqi, projeto de 400 km que une energia limpa e combate à desertificação. (Imagem: Ilustrativa)
China avança com a Grande Muralha Solar no deserto de Kubuqi, projeto de 400 km que une energia limpa e combate à desertificação. (Imagem: Ilustrativa)
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No deserto de Kubuqi, a China avança com um corredor solar que une energia renovável, contenção da areia e recuperação ambiental em uma das áreas áridas mais emblemáticas do norte do país.

A China constrói no deserto de Kubuqi, na Região Autônoma da Mongólia Interior, um corredor de painéis solares planejado para alcançar 400 quilômetros de extensão, cerca de 5 quilômetros de largura e 100 gigawatts de capacidade instalada até 2030.

Conhecido como “Grande Muralha Solar”, o projeto combina geração de energia, controle da desertificação e recuperação de áreas degradadas no norte do país, segundo informações da Nasa.

A obra ainda não foi concluída.

De acordo com autoridades chinesas citadas pela Nasa, cerca de 5,4 gigawatts haviam sido instalados até dezembro de 2024.

Imagens dos satélites Landsat 8 e Landsat 9 mostram a expansão das usinas solares entre 2017 e 2024 em uma faixa de dunas ao sul do rio Amarelo, entre as cidades de Baotou e Bayannur.

O Kubuqi já foi chamado de “mar da morte” por causa da aridez, dos ventos fortes e da baixa cobertura vegetal.

Com a implantação das usinas, parte dessa paisagem passou a receber painéis fotovoltaicos, áreas de manejo ecológico e estruturas voltadas à geração de eletricidade para polos urbanos e industriais.

A meta de 100 gigawatts coloca o empreendimento entre os maiores projetos solares em planejamento no mundo, de acordo com a dimensão informada por órgãos e empresas chinesas.

A cidade de Ordos afirma que a “Muralha Solar” deve atravessar áreas administradas pelo município, de Juungar Banner a Hanggin Banner, passando por Dalad Banner, com integração entre energia fotovoltaica e medidas de contenção da areia.

O planejamento local prevê a recuperação de cerca de 3 milhões de mu, o equivalente aproximado a 200 mil hectares de terras arenosas, por meio de projetos associados à energia solar e a ações de restauração ecológica.

Também fazem parte da estrutura bases energéticas, subestações, cabos de transmissão e iniciativas ligadas a armazenamento, fabricação de equipamentos e agricultura sob painéis.

Estendendo-se pelo outrora árido Deserto de Kubuqi, estas usinas solares visam gerar energia suficiente para milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que combatem a desertificação.
Estendendo-se pelo outrora árido Deserto de Kubuqi, estas usinas solares visam gerar energia suficiente para milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que combatem a desertificação.

Usina Junma e o recorde solar no deserto de Kubuqi

Dentro desse corredor fica a usina Junma, nome associado a “bom cavalo” em chinês.

A instalação ganhou projeção por formar, vista do alto, a imagem de um cavalo em movimento.

O Guinness World Records reconheceu o projeto como a maior imagem feita com painéis solares, composta por 196.320 módulos, em Dalate Banner, Ordos, em 9 de julho de 2019.

O recorde se refere especificamente à imagem formada pela usina Junma, e não a toda a Grande Muralha Solar.

Segundo o Guinness, a figura ocupa 1.398.421 metros quadrados e tem capacidade média diária de geração de 500 mil quilowatts-hora.

A Nasa informa que essa instalação foi concluída em 2019 e integra a expansão solar no Kubuqi.

A escolha do cavalo foi associada por organizadores do recorde à ligação cultural do animal com a região.

No contexto da Mongólia Interior, essa referência aparece como parte da identidade visual da usina, sem alterar a função principal do empreendimento, que é a geração de energia e o uso do solo em áreas áridas.

Energia solar contra a desertificação na Mongólia Interior

Uma das características do projeto é o uso dos painéis como parte de uma estratégia de controle da desertificação.

Além de gerar eletricidade, as estruturas reduzem a incidência direta do sol sobre parte do solo, ajudam a diminuir a evaporação e podem reduzir a velocidade do vento em áreas próximas às instalações.

Segundo a agência estatal Xinhua, pesquisadores locais afirmam que a sombra dos painéis, a redução da evaporação e a menor velocidade dos ventos favorecem o crescimento de plantas sob as estruturas.

A reportagem também afirma que espécies usadas para fixação de areia vêm sendo cultivadas em áreas do projeto no Kubuqi.

A China Three Gorges Corporation informa que sua base solar e eólica no Kubuqi deve fornecer cerca de 40 terawatts-hora de eletricidade por ano para a região de Pequim, Tianjin e Hebei quando estiver concluída.

A empresa também afirma que o projeto busca melhorar a ecologia local e impulsionar cadeias industriais ligadas à geração fotovoltaica, armazenamento de energia e digitalização.

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Em reportagem publicada em setembro de 2025, a Xinhua informou que a base localizada na seção central da “grande muralha fotovoltaica” prevê 8 gigawatts de energia solar, 4 gigawatts de energia eólica e 4 gigawatts de apoio a carvão.

Segundo Na Guiting, vice-presidente da Inner Mongolia Three Gorges Mengneng Energy Co., Ltd., as duas primeiras fases, de 1 gigawatt cada, já haviam sido conectadas à rede.

O mesmo levantamento informou que as duas fases transformaram mais de 63 mil mu, cerca de 4,2 mil hectares, em áreas ocupadas por painéis solares.

A estimativa divulgada pela empresa é de que, quando concluído, o projeto entregue aproximadamente 40 bilhões de quilowatts-hora por ano à região de Pequim, Tianjin e Hebei, com mais de 50% provenientes de fontes limpas.

Transmissão de energia para Pequim, Tianjin e Hebei

A geração solar em uma área remota exige infraestrutura para levar a eletricidade até os centros consumidores.

No caso do Kubuqi, a energia é planejada para abastecer a região de Pequim, Tianjin e Hebei, um dos principais eixos populacionais e industriais da China.

A transmissão permanece como um desafio técnico para projetos desse tipo.

Grandes bases renováveis instaladas no norte e no oeste chinês ficam distantes dos maiores mercados consumidores, o que exige linhas de longa distância, subestações e integração com redes de alta tensão.

Em Ordos, autoridades locais afirmam que a expansão da “Muralha Solar” ocorre em conjunto com reforços na rede elétrica e na infraestrutura de escoamento da energia.

Esse modelo faz parte de uma política nacional mais ampla.

A Reuters informou, em setembro de 2025, que a China passou a incorporar projetos solares ao combate à desertificação em regiões áridas do norte e do oeste do país.

A estratégia descrita pela agência usa a sombra dos painéis para proteger sementes e arbustos resistentes, enquanto barreiras reduzem a velocidade do vento e limitam o deslocamento de areia.

Segundo a Reuters, a China planeja instalar 253 gigawatts de energia solar entre 2025 e 2030 em projetos voltados à reabilitação de cerca de 7 mil quilômetros quadrados.

A agência também registrou que terras desertificadas representavam 26,8% do território chinês, ante 27,2% uma década antes.

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Programa chinês de combate ao avanço dos desertos

O combate à desertificação na China antecede a atual expansão fotovoltaica.

O país lançou, em 1978, o Programa Florestal dos Três Nortes, conhecido internacionalmente como “Grande Muralha Verde”, com duração planejada até 2050.

A iniciativa busca conter o avanço de desertos, reduzir tempestades de areia e ampliar barreiras vegetais no norte, nordeste e noroeste do país.

No Kubuqi, a energia solar foi incorporada a essa agenda como uma ferramenta de uso combinado.

A eletricidade gerada pelos painéis atende à demanda por fontes renováveis e à segurança do abastecimento, enquanto as estruturas físicas ajudam a alterar condições locais de vento, sombra, umidade e fixação do solo.

Pesquisadores e órgãos públicos, no entanto, tratam esse processo como gradual e dependente de manejo constante.

Em entrevista à Reuters sobre projetos de contenção de desertos na China, Wang Xiaoling, diretor da reserva natural de Baijitan, afirmou que o objetivo não é eliminar completamente os desertos, mas reduzir os danos associados ao avanço da areia.

A chamada “Grande Muralha Solar” reúne, portanto, geração elétrica, restauração de terras e planejamento territorial em uma área que já foi associada à aridez extrema.

A execução até 2030 deverá indicar em que medida esse modelo pode reduzir a desertificação e, ao mesmo tempo, ampliar a oferta de energia renovável para grandes centros consumidores.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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