Com a China dominando grande parte da mineração e do refino de terras raras, Canadá e Japão discutem estoques conjuntos, mineração, grafite, gálio e contratos de compra futura para reduzir riscos em cadeias que abastecem baterias, semicondutores, defesa, veículos elétricos e energia renovável.
As terras raras entraram no centro de uma nova articulação entre Canadá e Japão. Os dois países discutem estocagem conjunta de minerais críticos, projetos de mineração, compra futura, parcerias para diminuir a dependência da China.
A movimentação ocorreu em missão comercial em Tóquio, considerada a maior já realizada pelo Canadá na Ásia-Pacífico. O encontro reuniu 300 participantes e quase 180 empresas e organizações.
Na agenda, companhias canadenses e japonesas assinaram CA$ 1 bilhão em acordos comerciais. Também foram anunciados planos para avaliar estoques estratégicos de minerais críticos, como grafite e gálio.
-
Seis minas escondidas no solo seco da Espanha guardavam cobre, chumbo e prata, tinham cerca de 80 ferramentas de pedra e podem ajudar a explicar como parte do metal usado há 3 mil anos chegou à Escandinávia
-
Brasil tem caminhão gigante de 240 toneladas para mineração e promete elevar a produtividade com menor consumo de combustível nas operações
-
No sertão amazônico do Pará a pequena Tucumã virou polo de cobre depois que uma canadense investiu US$ 310 milhões e pôs de pé uma mina do zero e o cobre de Tucumã já sai para o mercado global de carro elétrico e data center de IA
-
Enquanto a mineração gera materiais difíceis de aproveitar, empresa instalada em Minas Gerais aquece óxidos até virar líquido e usa corrente elétrica para recuperar metais críticos escondidos em resíduos industriais
Estoques conjuntos entram na pauta
O ministro canadense do Comércio Internacional, Maninder Sidhu, confirmou que Canadá e Japão analisam reservas conjuntas. A ideia é aumentar a segurança de abastecimento diante de interrupções ou escassez.
A preocupação é direta: os dois países dependem de cadeias dominadas pela China. No caso japonês, 80% dos minerais de terras raras vêm do mercado chinês.
A China concentra cerca de 60% da mineração global de terras raras e mais de 90% do refino. Também domina grafite, gálio e materiais em grau de bateria.
Esses insumos são usados em bicos de foguetes, cones frontais de mísseis e semicondutores de banda larga. Também afetam veículos elétricos, energia renovável e sistemas de defesa.
Restrições chinesas aceleram reação
Desde 2023, Pequim passou a restringir o fluxo de gálio e germânio. As medidas foram endurecidas em 2025, ampliando a pressão sobre países dependentes.
Em 4 de abril de 2025, a China impôs controles de exportação sobre sete terras raras pesadas, compostos, metais e ímãs relacionados. Em 9 de outubro de 2025, outra onda adicionou cinco elementos, produtos, equipamentos, tecnologias e especialistas.
Em fevereiro, Pequim proibiu exportações de itens de uso dual para 20 empresas japonesas. O movimento ampliou a urgência de Tóquio em buscar fornecedores alternativos.
Mineração e contratos de compra
Canadá e Japão discutem projetos conjuntos de mineração e contratos de offtake, modelo em que um comprador garante parte da produção futura. Esse acordo dá previsibilidade a projetos minerais.
A Mitsubishi, investidora no LNG Canada, participou da missão e demonstrou interesse em desenvolver minerais críticos canadenses. O Canadá já possui acordo com a Panasonic voltado ao grafite em grau de bateria.
O movimento se conecta a uma articulação maior entre economias industrializadas. Líderes do G7 discutiram a dependência de terras raras e assinaram compromisso para manter a exposição a países fora do grupo abaixo de 60% até 2030.
Por que isso importa
Minerais críticos e terras raras aparecem em etapas essenciais da indústria moderna, da eletrônica avançada à defesa e à transição energética.
Quando a produção, o refino ou a exportação ficam concentrados em poucos fornecedores, qualquer restrição pode afetar preços, prazos e disponibilidade de componentes. Por isso, países buscam estoques estratégicos, contratos de compra futura e novos projetos de mineração.
Essas medidas não eliminam a dependência de imediato, mas criam alternativas para cadeias produtivas que precisam de abastecimento contínuo, especialmente em setores sensíveis como baterias, semicondutores, veículos elétricos e sistemas militares.
Com informações de interestingengineering.
