Tecnologia geofísica e imagens orbitais revelam construções ocultas, orientam escavações e ampliam o entendimento histórico do Egito antigo
A exploração da antiga cidade de Buto ganhou um avanço relevante com a identificação de estruturas enterradas a até 14 metros de profundidade.
O uso combinado de tomografia elétrica e imagens de radar permitiu mapear um complexo arquitetônico sem a necessidade inicial de escavações destrutivas.
O trabalho foi conduzido no sítio de Tell el-Fara’in, onde condições geológicas sempre dificultaram investigações tradicionais.
A integração de dados gerou um mapa tridimensional preciso das anomalias ocultas, revelando uma organização estrutural complexa sob o solo úmido.
Tecnologia moderna revela estruturas ocultas no subsolo
A região apresenta uma densa camada de sedimentos aluviais e uma rede de água subterrânea que compromete escavações convencionais.
Essas condições exigiram a aplicação de métodos não invasivos para análise do subsolo.
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A equipe utilizou tomografias elétricas associadas a imagens captadas pelo satélite Sentinel-1.
O equipamento é operado pela Agência Espacial Europeia e permite detectar variações estruturais invisíveis a olho nu.
O cruzamento dessas informações produziu um modelo tridimensional detalhado.
Esse mapeamento orienta escavações mais precisas e reduz intervenções desnecessárias.
Estrutura identificada indica construção de grande porte
As análises revelaram uma planta arquitetônica com cerca de 20 por 24 metros.
A dimensão da base sugere a existência de uma construção monumental.
Os pesquisadores consideram a possibilidade de um templo secundário.
Outra hipótese aponta para uma tumba ligada à elite egípcia.
Escavações confirmatórias foram realizadas entre 3 e 6 metros de profundidade.
Nesse nível, foram encontradas paredes robustas feitas de tijolos de barro.
As estruturas estavam apoiadas sobre uma base espessa de areia.
Essa configuração contribuiu para a preservação ao longo dos séculos.
Complexo pertence ao período saíta do Egito antigo
As análises preliminares indicam que o complexo foi utilizado há aproximadamente 2.600 anos.
Esse período corresponde à Dinastia XXVI, conhecida como fase saíta.
Segundo egiptólogos, essa dinastia ocorreu entre 664 a.C. e 525 a.C.
A presença da estrutura aponta para uma retomada significativa da ocupação local.
O achado encerra um intervalo de cerca de 1.500 anos sem grandes construções registradas na área.
Esse dado reforça a importância histórica do sítio arqueológico.
Objetos encontrados confirmam uso religioso do espaço
A escavação revelou uma coleção de artefatos devocionais.
Os itens encontrados indicam práticas religiosas intensas no local.
Entre os principais achados estão amuletos com representações de Ísis, Hórus e Hator.
Também foram identificadas estatuetas do deus Bes, ligado à proteção doméstica.
Um escaravelho com inscrição do faraó Tutmés III foi recuperado.
Esse objeto reforça o valor simbólico e histórico da descoberta.
Uso de satélites amplia eficiência na arqueologia
O mapeamento orbital permite identificar variações na umidade do solo.
Essas diferenças indicam a presença de estruturas enterradas.
Construções subterrâneas influenciam o crescimento da vegetação superficial.
Essas alterações são captadas por radares espaciais com alta precisão.
A técnica reduz custos e tempo das missões arqueológicas.
O método também preserva áreas ainda não exploradas.
Próximas etapas devem ampliar o mapeamento do sítio
Os pesquisadores planejam expandir o levantamento elétrico na região.
O objetivo é mapear completamente o setor noroeste do delta do Nilo.
A remoção contínua de sedimentos pode revelar novas estruturas ocultas.
Câmaras e possíveis cúpulas preservadas podem surgir nas próximas etapas.
O avanço das investigações contribui para reconstruir a cronologia egípcia.
A descoberta levanta uma questão central: o que mais ainda permanece escondido sob o solo do antigo Egito?
