Reservatórios gigantes em Itanhaém ampliam o armazenamento de água tratada na Baixada Santista, reforçam o abastecimento em cidades do Litoral Sul e mudam a rotina de famílias que conviveram por anos com baixa pressão nas torneiras e improvisos para garantir água em casa.
A entrega de dois novos reservatórios de água tratada no Centro de Reservação de Mambu-Branco, em Itanhaém, na Baixada Santista, ampliou a capacidade do sistema regional e busca reduzir um problema antigo para moradores do Litoral Sul: a falta de água nas torneiras.
Com capacidade conjunta de 20 milhões de litros, as estruturas entraram em operação após investimento informado de R$ 84,6 milhões, em uma obra tratada pelo Governo de São Paulo como reforço estratégico para períodos de maior consumo.
Instalado em uma área relevante para o abastecimento de Itanhaém e de cidades vizinhas, o centro passa a funcionar como reserva adicional de água tratada, especialmente em momentos de pico de demanda, manutenção ou pressão elevada sobre a rede.
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Nos meses de alta temporada, quando a população flutuante cresce no litoral paulista, a procura por água tratada aumenta de forma expressiva e torna mais sensível qualquer limitação no armazenamento disponível para atendimento das famílias.
A primeira etapa do projeto contempla dois reservatórios em Mambu-Branco, enquanto a previsão informada pelo governo estadual aponta capacidade final de 40 milhões de litros após a ampliação completa do complexo.
Quando concluída, a estrutura deve impactar o abastecimento de cerca de 1,2 milhão de moradores em cinco cidades do Litoral Sul, incluindo Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Peruíbe.
Reservatórios reforçam abastecimento no Litoral Sul

Parte do sistema Mambu-Branco, as novas estruturas foram planejadas para reforçar o atendimento regional e dar mais estabilidade ao fornecimento em municípios que historicamente sofrem com oscilações no abastecimento durante períodos de maior movimento.
Ao ampliar o volume armazenado, a operação ganha margem para responder a interrupções, manutenções e aumentos repentinos de consumo, sem depender apenas da produção imediata de água tratada para manter o atendimento.
Antes da ampliação, moradores relatavam uma rotina marcada por improvisos, principalmente em bairros onde a baixa pressão dificultava o enchimento das caixas d’água ao longo do dia e obrigava famílias a reorganizar hábitos domésticos.
Em muitos casos, era preciso esperar a madrugada para conseguir armazenar água, recorrer a galões, encher tambores ou buscar alternativas fora de casa para tarefas básicas como cozinhar, lavar roupa e tomar banho.
A autônoma Alzira Paulo Almeida resumiu o impacto da mudança ao relembrar o período de abastecimento irregular e a necessidade de aguardar horários de menor consumo para conseguir usar a água em casa.
“A gente sofria bastante, tinha que tomar banho depois das 22h, meia-noite, que era quando a água tinha força para encher as caixas d’água. Era péssimo”, afirmou.
Depois da conclusão dos reservatórios, segundo Alzira, o fornecimento deixou de seguir a lógica da espera e passou a permitir atividades comuns em qualquer horário, sem a mesma preocupação com a força da água.
“Agora tem água até demais, dá para tomar banho, lavar roupa a qualquer hora do dia, acabou a agonia”, disse Alzira, ao comentar a melhora percebida no abastecimento de sua residência.
Obra integra plano de saneamento da Sabesp
Responsável pelas obras em Mambu-Branco, a Sabesp incluiu o projeto em um conjunto mais amplo de investimentos em saneamento básico no litoral paulista, anunciado pelo Governo de São Paulo após a desestatização da companhia, concluída em 2024.

Na Baixada Santista, os dados divulgados pelo governo estadual indicam R$ 2,4 bilhões em investimentos entre julho de 2024 e 2025, com foco na ampliação e modernização dos sistemas de água e esgoto.
Para os próximos quatro anos, a projeção informada é de mais de R$ 8 bilhões destinados ao litoral, em obras voltadas à expansão da infraestrutura de abastecimento, reservação e esgotamento sanitário.
No caso de Mambu-Branco, a entrega dos dois reservatórios representa a primeira fase de uma ampliação planejada para elevar a segurança hídrica regional e reduzir a vulnerabilidade em períodos de consumo elevado.
Quando todas as etapas forem concluídas, o centro terá quatro estruturas, cada uma com capacidade de 10 milhões de litros, formando um conjunto de reservação capaz de armazenar 40 milhões de litros.
Esse reforço também se relaciona ao perfil turístico das cidades atendidas, onde a demanda por água tratada pode variar de maneira intensa entre a baixa temporada e os meses de maior presença de visitantes.
Moradores relatam mudança na rotina
Em Mongaguá, a moradora Maria do Carmo Santos associou a obra a uma melhora no abastecimento e relembrou que, antes da ampliação, era comum buscar água de carro no Poço das Antas.
Segundo ela, o volume transportado precisava ser guardado em tambores para uso doméstico, uma prática que exigia planejamento e revelava a dificuldade enfrentada por famílias em períodos de fornecimento irregular.
“Antigamente, a gente tinha que buscar água de carro no Poço das Antas, guardava em tambor. Agora tá muito melhor, tem os novos reservatórios e bastante água”, afirmou Maria do Carmo.
Os relatos ajudam a mostrar como uma obra de reservação interfere diretamente na vida cotidiana, ao reduzir a dependência de improvisos e aumentar a previsibilidade do abastecimento em áreas antes marcadas por instabilidade.
Mais do que ampliar a estrutura física do sistema, o projeto altera a capacidade de resposta operacional em uma região onde a falta de água fazia parte da rotina de muitas famílias.
Ainda assim, a operação plena depende da continuidade das demais etapas previstas, já que a entrega atual adiciona 20 milhões de litros à reservação regional, metade da capacidade final anunciada para o complexo.
Baixada Santista soma novos centros de reservação
Com a entrega em Itanhaém, o Governo de São Paulo informou que a Baixada Santista passou a contar com oito centros de reservação de água tratada entregues à população em diferentes pontos do litoral.
As unidades citadas ficam em Bertioga, Guarujá, Peruíbe, São Vicente e Itanhaém, com capacidade conjunta superior a 60 milhões de litros para apoiar o abastecimento regional.
Entre os centros mencionados estão Mogiano e Caruara, em Bertioga; Morrinhos, no Guarujá; Prados Baixos, em Peruíbe; Rio Branco, em São Vicente; e Centro e Mambu-Branco, em Itanhaém.
Distribuídas por municípios estratégicos, essas estruturas ampliam o volume disponível para abastecimento e criam uma rede de apoio operacional capaz de atender diferentes áreas do litoral paulista.
O governo estadual acompanha as entregas por meio do programa Na Rota da Água, iniciativa vinculada às frentes de obras previstas no contrato da Sabesp para municípios atendidos pela companhia.
Segundo a divulgação oficial, o monitoramento envolve cerca de 1.100 frentes de obras, com intervenções voltadas ao abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto em cidades contempladas pelo contrato.
Além do Litoral Sul, o pacote de saneamento inclui intervenções já concluídas em Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu, na Região Metropolitana de São Paulo.
Também foram informadas novas Estações de Tratamento de Esgoto em Caieiras e Franco da Rocha, além de um sistema de expansão de esgotamento sanitário com atendimento a Francisco Morato.
Inserida nesse conjunto de obras, a ampliação de Mambu-Branco reforça a infraestrutura de abastecimento em áreas urbanas e turísticas de São Paulo, com efeito direto sobre moradores que antes dependiam da sorte ao abrir a torneira.
