O Babusar Pass, no Paquistão, é uma rodovia construída a 4.173 metros de altitude no Himalaia Ocidental que conecta o Vale de Kaghan ao Vale de Chilas, na região de Gilgit-Baltistan. A estrada só funciona entre junho e outubro, quando a neve derrete o suficiente para liberar a passagem. Nos outros oito meses do ano, a via fica completamente bloqueada, enterrada sob metros de neve e gelo. Mesmo no auge do verão, as temperaturas no topo caem abaixo de zero.
A construção e manutenção da estrada no Paquistão são responsabilidade da Frontier Works Organisation (FWO), o braço de engenharia do exército paquistanês. O trabalho é contínuo e brutal: todos os anos, equipes com maquinário pesado precisam reabrir a rodovia removendo toneladas de neve acumulada, reconstruindo trechos destruídos por deslizamentos e reforçando encostas com muros de gabião e sistemas de drenagem avançados para conter o derretimento glacial que corrói o asfalto. A via não é simplesmente mantida, ela é praticamente reconstruída a cada temporada.
O ar rarefeito a 4.173 metros reduz a potência dos motores de combustão em até 30%, o que torna subidas íngremes ainda mais perigosas. Motoristas enfrentam curvas fechadas sem guard-rails, neblina densa que reduz a visibilidade a poucos metros e ventos que podem desestabilizar veículos menores. Caminhões pesados e ônibus de grande porte são proibidos de circular pela rodovia devido à inclinação extrema. Para quem cruza a passagem, a ascensão rápida também pode provocar o Mal Agudo da Montanha, com sintomas como tontura, náusea e falta de ar.
Como uma estrada impossível transformou uma região inteira?

Antes da pavimentação, o Vale de Kaghan era uma região isolada, acessível apenas por veículos 4×4, e a viagem entre Islamabad e Chilas levava mais de 24 horas pela rota alternativa da Karakoram Highway.
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Com a modernização do Babusar Pass, esse tempo caiu para 12 a 14 horas, e a estrada se tornou acessível para carros de passeio comuns durante os quatro meses de abertura.
O impacto foi imediato: o turismo explodiu.
A região, que vivia basicamente de agricultura de subsistência, viu nascer uma economia de hotéis, restaurantes e serviços voltados para os milhares de turistas que agora lotam a rota durante o curto verão paquistanês.
Prados alpinos, lagos glaciais como o Lulusar e picos nevados que cercam a estrada se tornaram alguns dos destinos mais procurados do país.
Dados da Autoridade Nacional de Rodovias do Paquistão (NHA) mostram que a modernização do traçado também reduziu acidentes na via, que antes era uma das mais letais da região.
O Babusar Pass funciona como atalho estratégico para a Karakoram Highway, uma das rodovias mais famosas do mundo, que conecta o Paquistão à China atravessando o passo de Khunjerab a 4.693 metros.
Juntas, as duas vias formam um corredor de infraestrutura em alta montanha que tem poucos paralelos no planeta.
O que a engenharia do Babusar Pass ensina sobre construir no extremo?
Manter uma rodovia acima de 4 mil metros é um desafio que poucos países enfrentam.
A Índia faz isso no Ladakh, a China no Tibete e o Peru nos Andes.
Mas o Babusar Pass se diferencia pela sazonalidade extrema: nenhuma outra rodovia estratégica no mundo tem uma janela de operação tão curta, apenas quatro meses, exigindo que toda a infraestrutura seja projetada para resistir a oito meses de abandono sob condições polares.
A engenharia empregada combina técnicas de estabilização de encostas usadas em zonas sísmicas com sistemas de drenagem projetados para lidar com o volume imprevisível de água do degelo.
O asfalto utilizado é formulado para suportar ciclos extremos de congelamento e descongelamento, e mesmo assim precisa de reparos anuais.
A Pakistan Tourism Development Corporation (PTDC) recomenda que viajantes não pernoitem no topo e façam paradas em vilas mais baixas para aclimatação antes de cruzar o ponto mais alto.
Uma estrada que precisa ser reconstruída todo ano, que só funciona 4 meses, onde motores perdem 30% da potência e o corpo humano começa a falhar.
Comenta aí: você cruzaria o Babusar Pass?


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