A fila de espera do Sistema Único de Saúde para cirurgias eletivas chegou a 924.835 pessoas antes do início do programa federal de redução de filas, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo jornal O Globo. Esse número, que não inclui quem espera por consultas especializadas nem exames, é maior do que a população inteira do Suriname (614 mil), de Luxemburgo (660 mil), de Montenegro (620 mil), de Malta (535 mil), da Islândia (383 mil) e do Brunei (449 mil). A fila de um único sistema de saúde brasileiro caberia em seis países europeus e sul-americanos ao mesmo tempo.
O dado sobre o SUS fica ainda mais impressionante quando se observa a concentração geográfica da fila. Goiás liderava a lista nacional com 125.894 pacientes esperando cirurgia, seguido por Rio Grande do Sul com 108.066 e Pernambuco com 103.955. Só esses três estados somam mais de 337 mil pessoas aguardando procedimento, número superior à população da Islândia inteira. Em abril de 2026, o Rio Grande do Norte registrava 46.930 pessoas na fila, com Natal concentrando 8.861 casos. O procedimento com maior demanda no estado é a cirurgia de varizes, com 3.296 pacientes à espera.
O tempo médio de espera para uma cirurgia no SUS foi de 52 dias em 2024, praticamente o mesmo de 2023 (53 dias), que havia sido o maior da série histórica iniciada em 2009. Mas essa média esconde extremos: dependendo da especialidade e do estado, a espera pode chegar a 634 dias, quase dois anos. E o cálculo do Ministério da Saúde começa a contar a partir do momento em que o paciente consegue a solicitação, sem incluir o tempo prévio de espera por consulta e exames.
O governo bateu recorde de cirurgias e mesmo assim a fila não acabou
Em 2025, o SUS realizou 14,5 milhões de procedimentos cirúrgicos eletivos, um crescimento de 37% em relação a 2022 e o maior número da história do sistema.
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Para contextualizar: o Brasil operou mais gente em um ano do que a população inteira de Portugal (10,3 milhões).
O governo investiu R$ 600 milhões no Programa Nacional de Redução de Filas e realizou o maior mutirão nacional da história, reunindo mais de 210 hospitais em todo o país.
Mesmo com esse esforço recorde, a fila não zerou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que assumiu a pasta com a missão específica de reduzir as filas, afirmou que a prioridade continua em 2026 com foco em cinco áreas: oncologia, oftalmologia, cardiologia, ortopedia e otorrinolaringologia.
Novos mutirões estão programados, incluindo um voltado exclusivamente para saúde da mulher em março de 2026.
Por que a fila resiste mesmo com investimento recorde?
O problema é estrutural.
As cirurgias eletivas foram suspensas durante a pandemia de Covid-19, e a demanda represada se acumulou sobre um sistema que já operava no limite.
Quando estados e municípios começaram a unificar suas listas dispersas em hospitais e secretarias num cadastro único, a fila visível cresceu, não porque mais gente adoeceu, mas porque a real dimensão da espera apareceu nos números pela primeira vez.
O Senado aprovou em novembro de 2025 um projeto de lei que obriga a publicação online dos dados de fila do SUS, incluindo posição do paciente, número de pessoas aguardando por especialidade e tempo médio de espera.
Até hoje, não existe um portal nacional consolidado com essas informações em tempo real.
Isso significa que o número real de brasileiros esperando por algum tipo de atendimento no sistema público, incluindo consultas e exames, permanece desconhecido.
Estimativas de gestores e pesquisadores apontam que o total pode chegar a dezenas de milhões quando se somam todas as modalidades de espera.
A fila de cirurgias do SUS tem mais gente do que a Islândia, Luxemburgo e Malta juntos.
E ninguém sabe quantos milhões esperam por uma simples consulta. Comenta aí: quanto tempo você já esperou pelo SUS?

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