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Estado do Rio instala 480 câmeras escondidas em reservas para flagrar onças, iraras e queixadas e descobrir quais animais ainda vivem nas matas após 27 anos sem atualizar lista de fauna ameaçada

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 22/06/2026 às 19:33
Atualizado em 22/06/2026 às 19:36
Assista o vídeoEstado do Rio instala 480 câmeras escondidas em reservas para flagrar onças, iraras e queixadas e descobrir quais animais ainda vivem nas matas após 27 anos sem atualizar lista de fauna ameaçada
Com sensores instalados em unidades de conservação, o Rio de Janeiro pretende ampliar o levantamento da biodiversidade fluminense, identificar animais difíceis de observar e transformar imagens captadas nas matas em informações para políticas de preservação.
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Com sensores instalados em unidades de conservação, o Rio de Janeiro pretende ampliar o levantamento da biodiversidade fluminense, identificar animais difíceis de observar e transformar imagens captadas nas matas em informações para políticas de preservação.

O Estado do Rio de Janeiro vai instalar 480 câmeras em reservas e unidades de conservação para mapear animais silvestres, registrar espécies difíceis de encontrar e entender melhor o que ainda vive escondido nos fragmentos de Mata Atlântica. A ação envolve a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, o Inea e municípios fluminenses.

O dado mais forte não está apenas na quantidade de equipamentos. As imagens também vão ajudar a atualizar a Lista da Fauna Ameaçada do Estado do Rio de Janeiro, que não era revisada desde 1998. Na prática, são 27 anos de defasagem em um levantamento essencial para orientar políticas de conservação.

As câmeras fazem parte do projeto Fauna Ameaçada e serão distribuídas pelo Inea em pontos estratégicos de mata. A proposta é transformar registros de animais em dados concretos para pesquisadores, guarda-parques e gestores públicos.

Câmeras vão funcionar como olhos escondidos dentro das reservas

Técnicos instalam armadilha fotográfica em área de Mata Atlântica no Rio, parte do projeto que vai espalhar 480 câmeras por unidades de conservação para registrar animais silvestres, apoiar pesquisadores e atualizar uma lista de fauna ameaçada que estava sem revisão desde 1998.
Técnicos instalam armadilha fotográfica em área de Mata Atlântica no Rio, parte do projeto que vai espalhar 480 câmeras por unidades de conservação para registrar animais silvestres, apoiar pesquisadores e atualizar uma lista de fauna ameaçada que estava sem revisão desde 1998.

Os equipamentos são conhecidos como armadilhas fotográficas. Segundo o WWF e o dicionário ambiental de ((o))eco, esse tipo de tecnologia usa sensores de movimento, temperatura ou infravermelho para registrar fotos e vídeos quando um animal passa diante da câmera.

O grande diferencial é que a câmera trabalha sem depender da presença humana. Ela pode registrar animais noturnos, discretos ou raros, justamente aqueles que quase nunca aparecem durante uma visita comum de campo.

No caso do Rio, esse recurso pode revelar desde mamíferos de grande porte até espécies menores que ajudam a indicar a saúde dos ecossistemas. A tecnologia não entra na mata apenas para gerar imagens bonitas. Ela entra para produzir evidência.

Projeto deve alcançar municípios e unidades de conservação fluminenses

De acordo com a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro, as 480 câmeras serão distribuídas para todos os municípios fluminenses e também para unidades de conservação estaduais.

Entre as áreas citadas estão o Parque Estadual Cunhambebe, na Costa Verde, o Parque Estadual dos Três Picos, na Região Serrana, e o Refúgio da Vida Silvestre do Médio Paraíba.

A cobertura do Eu, Rio!, com informações da Agência Brasil, destacou que a Região Serrana terá peso importante no projeto. Cachoeiras de Macacu, Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis devem receber cinco câmeras cada uma, por causa da relevância ambiental dessas áreas.

Outros municípios serranos, como Duas Barras, Bom Jardim e Areal, também serão contemplados. Ao todo, a região deve reunir quase 60 equipamentos.

Reserva de Araras concentra um dos maiores potenciais visuais

Registro noturno de felino silvestre mostra a força das armadilhas fotográficas que serão usadas no Rio: o estado vai distribuir 480 câmeras em áreas protegidas para revelar animais escondidos na Mata Atlântica e atualizar uma lista de fauna ameaçada parada desde 1998.
Registro noturno de felino silvestre mostra a força das armadilhas fotográficas que serão usadas no Rio: o estado vai distribuir 480 câmeras em áreas protegidas para revelar animais escondidos na Mata Atlântica e atualizar uma lista de fauna ameaçada parada desde 1998.

Um dos pontos mais fortes para a história é a Reserva Biológica Estadual de Araras, na Região Serrana. A unidade foi citada como beneficiária e já tem histórico de registros importantes por câmeras de monitoramento.

Segundo a Tribuna de Petrópolis, imagens captadas na Rebio Araras já mostraram onça-parda, macuco, uru-capoeira, queixada, cateto, gato-maracajá, gato-do-mato-pequeno, mão-pelada, irara, tamanduá-mirim, capivara e paca.

A reserva tem cerca de 3.837,82 hectares e é administrada pelo Inea. Esse tipo de área mostra por que a tecnologia pode ser decisiva. Mesmo perto de cidades e estradas, a mata ainda guarda animais que muita gente nunca viu de perto.

Queixadas reapareceram após mais de 80 anos sem registros conhecidos

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O caso dos queixadas mostra o impacto desse tipo de monitoramento. Segundo ((o))eco, a espécie voltou a ser registrada na Região Serrana depois de mais de 80 anos sem registros conhecidos.

As armadilhas fotográficas confirmaram grupos de 20 a 60 indivíduos na Reserva Biológica Estadual de Araras em 2022. Para pesquisadores, esse tipo de registro indica não apenas a presença de uma espécie, mas também a possível conexão entre fragmentos de Mata Atlântica.

É um detalhe importante porque a conservação não depende apenas de proteger uma área isolada. Ela também precisa entender como os animais circulam, onde se alimentam, quais trechos usam como passagem e quais regiões ainda conseguem sustentar populações viáveis.

Lista de fauna ameaçada deve ser atualizada em até dois anos

Placa do Projeto Fauna Ameaçada indica área de monitoramento no Rio, onde armadilhas fotográficas serão usadas para registrar animais silvestres e ajudar na atualização da lista estadual de fauna ameaçada, parada desde 1998.
Placa do Projeto Fauna Ameaçada indica área de monitoramento no Rio, onde armadilhas fotográficas serão usadas para registrar animais silvestres e ajudar na atualização da lista estadual de fauna ameaçada, parada desde 1998.

A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade informou que o material reunido pelas câmeras será analisado por pesquisadores e usado na atualização do Livro da Fauna Ameaçada do Rio de Janeiro.

A previsão oficial é que o documento fique pronto em até dois anos. Uma empresa especializada deverá ser contratada por edital público para apoiar a organização e a análise dos dados.

Esse processo é relevante porque uma lista desatualizada pode prejudicar decisões ambientais. Sem dados recentes, fica mais difícil definir prioridades, proteger espécies em risco e planejar ações de manejo.

Mata Atlântica fluminense reúne mais de 1.300 vertebrados identificados

A Secretaria também aponta que mais de 1.300 espécies de vertebrados já foram identificadas na Mata Atlântica. O número inclui cerca de 620 espécies de aves, 200 de répteis, 280 de anfíbios e 260 de mamíferos.

Entre os exemplos citados no contexto do projeto estão a onça-parda e o mico-leão-dourado, espécies tratadas como ameaçadas. O Inea administra 40 unidades de conservação estaduais, que somam aproximadamente 494.017 hectares de área protegida.

No mesmo evento, realizado no Museu do Amanhã, também foi lançado o primeiro Atlas das Unidades de Conservação municipais do Estado do Rio de Janeiro. O documento reúne informações sobre mais de 400 unidades municipais, com dados levantados junto às prefeituras entre 2019 e 2022.

Tecnologia entra na mata para transformar imagem em decisão

A instalação das 480 câmeras faz parte de um movimento maior. Segundo a própria Secretaria e a resolução citada pela LegisWeb, o estado trabalha com a Estratégia e Plano de Ação Estadual para a Biodiversidade do Rio de Janeiro, voltada ao período de 2025 a 2030.

A diferença agora é que a política ambiental passa a contar com uma ferramenta visual poderosa. Cada imagem pode mostrar uma espécie rara, confirmar a presença de um animal ameaçado ou revelar comportamentos que antes ficavam invisíveis.

Mais do que vigiar a floresta, o Rio tenta enxergar o que ainda resiste nela. Em um estado marcado por cidades densas, estradas e pressão sobre áreas naturais, essas câmeras podem mostrar que a biodiversidade não está distante. Ela continua se movendo nas matas, muitas vezes em silêncio, esperando ser vista para poder ser protegida.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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