Prédio histórico no Centro de Vitória deixa para trás anos de abandono e entra em nova fase, com projeto habitacional que prevê 44 apartamentos populares em uma área marcada por comércio, serviços, imóveis ociosos e disputa sobre o uso social de estruturas vazias.
O antigo edifício da Caixa Econômica Federal, localizado na Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória, será requalificado para receber 44 apartamentos populares destinados a famílias de baixa renda, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, na Faixa Urbano 1.
Lançado pela Prefeitura de Vitória na terça-feira (19), durante cerimônia na sede do município, o edital abriu o processo para contratar a empresa responsável pela elaboração do projeto e pela execução das obras de adaptação do imóvel.
Conhecido como Edifício Jerônimo Monteiro, o prédio passou anos sem uso efetivo e acumulou problemas em uma das áreas mais tradicionais da capital capixaba, marcada pela presença de comércio, serviços públicos e intensa circulação de pessoas.
-
Um advogado britânico pediu por anos que o governo limpasse um rio poluído, não teve resposta, organizou voluntários para remover 200 sacos de lixo em 10 dias e agora enfrenta até dois anos de prisão
-
Sem dinheiro para comprar uma casa comum e sem querer continuar no aluguel, mulher aprendeu construção na prática e ergueu uma moradia compacta sobre rodas com materiais reaproveitados
-
Mulheres da periferia de Belo Horizonte aprenderam a desenhar, calcular materiais e planejar reformas para transformar a própria casa sem depender apenas de pedreiros, dívidas e improvisos
-
Ele achou que uma casa compacta sobre rodas resolveria o problema do aluguel, gastou as economias da vida toda para a construção, instalou energia solar e banheiro seco, mas acabou enfrentando ordem de demolição em uma das regiões mais caras da Austrália
Segundo o Século Diário, a estrutura sofreu arrombamentos, furtos de peças metálicas e deterioração progressiva, além do desabamento da marquise em fevereiro de 2024, antes de ser incluída no projeto habitacional.
Apartamentos populares no Centro de Vitória
A proposta prevê a transformação do antigo prédio em unidades habitacionais com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, em uma intervenção voltada ao uso residencial permanente de uma estrutura pública já existente.
De acordo com a Prefeitura de Vitória, os apartamentos terão áreas entre 58 m² e 62 m², com adequações nas instalações prediais e soluções voltadas à acessibilidade, segurança e conforto dos futuros moradores.
Com financiamento do Fundo de Arrendamento Residencial, o empreendimento integra o Minha Casa, Minha Vida e busca ampliar a oferta de moradia de interesse social em uma região que já conta com infraestrutura urbana instalada.
Em vez de demolir o imóvel para abrir espaço a uma nova construção, a intervenção seguirá o caminho da requalificação, alterando o destino de um prédio degradado e recolocando a estrutura em uso cotidiano.
Prédio da Caixa ficou anos sem uso
Pertencente à União, o imóvel havia sido cedido ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo em 2017, quando havia a intenção de instalar unidades do Judiciário no local, mas a proposta não avançou.
Sem a reforma prevista naquele período, o edifício permaneceu sem ocupação regular e passou a integrar o debate sobre prédios públicos vazios em áreas centrais com serviços, transporte e circulação de trabalhadores.
A situação do antigo prédio da Caixa também se conecta a uma discussão mais ampla sobre imóveis ociosos ou subutilizados no Centro de Vitória, onde movimentos comunitários defendem o cumprimento da função social da propriedade.
Em 2022, levantamento do projeto de extensão Imóveis em Abandono, feito por professores e estudantes da Faculdade Faesa em parceria com a Prefeitura de Vitória, identificou ao menos 217 imóveis ociosos ou subutilizados na região central.
Esse número reforça a relevância do caso para entidades locais, que veem na recuperação de edifícios vazios uma alternativa para aproximar famílias de baixa renda de áreas com infraestrutura e serviços públicos.
Imóveis ociosos e função social

Para movimentos ligados à moradia, a conversão de prédios vazios em habitação popular pode reduzir distâncias entre casa, trabalho, transporte, comércio e atendimento público, especialmente para famílias que dependem da rede urbana diariamente.
O presidente da Associação de Moradores e Amigos do Centro de Vitória, Walace Bonicenha, afirmou ao Século Diário que a reutilização do edifício faz parte de uma discussão mais ampla sobre o modelo de revitalização da região.
Na avaliação da entidade, a recuperação urbana não deve ficar restrita à estética, ao turismo ou ao comércio, mas também precisa incluir permanência de moradores, habitação popular e uso social de imóveis abandonados.
A articulação em torno do Edifício Jerônimo Monteiro nasceu de diálogos envolvendo a Universidade Federal do Espírito Santo, por meio do Departamento de Arquitetura, movimentos comunitários da região central, a Secretaria do Patrimônio da União e a Prefeitura de Vitória.
A partir dessa construção institucional, o imóvel passou a ser tratado como uma possibilidade concreta de reaproveitamento habitacional, em vez de permanecer fechado em uma área com demanda por moradia e infraestrutura disponível.
Edital abre caminho para requalificação
Durante a cerimônia de lançamento do edital, o superintendente da Secretaria do Patrimônio da União no Espírito Santo, Fhilipe Pupo, afirmou que a discussão sobre a destinação do Edifício Jerônimo Monteiro começou há cerca de três anos.
Segundo ele, o processo enfrentou desafios técnicos, administrativos e jurídicos, mas teve como objetivo evitar que o imóvel continuasse ocioso e garantir uma função social para a estrutura localizada no Centro.
Representantes da administração municipal, parlamentares e integrantes da sociedade civil também participaram do ato, que marcou uma nova etapa do projeto de requalificação do antigo prédio da Caixa.
A prefeita Cris Samorini destacou a parceria entre o município e a Secretaria do Patrimônio da União como parte das ações voltadas à revitalização da região central, conforme informou a Prefeitura de Vitória.
Fiscalização de prédios abandonados
A cobrança pelo uso adequado de imóveis abandonados também envolve instrumentos previstos na legislação urbana, como medidas de fiscalização, notificação de proprietários e mecanismos para combater a permanência de espaços sem utilização.
O Século Diário informou que a Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo e a Amacentro defendem a aplicação do Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios e do IPTU progressivo para imóveis ociosos.
Em audiência no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, a Prefeitura de Vitória informou que prepara um decreto para regulamentar a fiscalização de imóveis ociosos no Centro da capital.
Essa medida aparece no mesmo contexto das cobranças por ações capazes de impedir que prédios vazios permaneçam fechados em áreas com infraestrutura urbana consolidada e demanda habitacional.
Outro imóvel da região central também entrou no debate sobre moradia popular: o antigo prédio do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, localizado na Praça Costa Pereira.
Segundo o Século Diário, a estrutura é discutida para receber mais de 100 unidades habitacionais pelo Minha Casa Minha Vida Entidades, dentro de uma pauta que amplia a pressão pelo reaproveitamento de edifícios vazios.
No caso do antigo prédio da Caixa, a obra ainda depende da contratação da empresa responsável e da execução das etapas técnicas previstas no edital lançado pela Prefeitura de Vitória.
Até a conclusão desse processo, o Edifício Jerônimo Monteiro permanece como símbolo de uma disputa urbana que envolve abandono, reaproveitamento de patrimônio público e necessidade de moradia em áreas centrais.


Seja o primeiro a reagir!