Processo apresentado em San Francisco acusa administradores da Uber de falhas na supervisão de denúncias, acessibilidade e práticas de cobrança
Uma nova disputa judicial colocou o conselho de administração da Uber Technologies sob pressão nos Estados Unidos nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026.
Acionistas da empresa acusam integrantes da gestão de ignorarem alertas relacionados à segurança dos passageiros, às normas de compliance e aos casos de assédio.
A ação sustenta que essas supostas falhas ampliaram a exposição jurídica da companhia e contribuíram para o avanço de milhares de processos.
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Até 1º de junho de 2026, a Uber enfrentava 3.571 ações judiciais reunidas em um litígio supervisionado pelo tribunal federal de San Francisco.
Processo contra a Uber parte dos próprios investidores
O processo foi apresentado no tribunal federal de San Francisco e divulgado pela agência de notícias Reuters.
A iniciativa é liderada pelo Sistema de Aposentadoria da Polícia e dos Bombeiros da Cidade de Detroit, um fundo de pensão norte-americano.
Segundo os acionistas, integrantes do conselho receberam repetidos avisos internos e externos sobre possíveis falhas no tratamento de denúncias de abuso sexual.
Medidas consideradas suficientes, segundo a acusação, não teriam sido adotadas para reduzir os riscos enfrentados pelos passageiros e pela própria empresa.
Os investidores também afirmam que menos de 40% dos usuários acreditariam que a Uber trata a segurança com seriedade.
Mais de 3,5 mil processos ampliam a pressão
Os 3.571 processos existentes até junho de 2026 envolvem acusações de conduta sexual imprópria atribuídas a motoristas da plataforma.
As denúncias ainda dependem de análise judicial. Por essa razão, as acusações não representam decisões definitivas contra a Uber ou seus administradores.
O volume de ações, conforme os acionistas, revela a dimensão dos riscos relacionados às supostas falhas de segurança e supervisão.
A cobertura negativa também teria prejudicado a reputação da empresa diante de passageiros, investidores e autoridades reguladoras.
Acionistas também citam acessibilidade e cobranças
A ação menciona disputas iniciadas pelo governo federal dos Estados Unidos em 2025.
Uma dessas ações acusou a Uber de recusar repetidamente o atendimento a passageiros com deficiência.
Entre os usuários citados estavam pessoas acompanhadas por animais de assistência e passageiros que utilizavam cadeiras de rodas dobráveis.
Outro processo apontou possíveis práticas enganosas relacionadas a cobranças e cancelamentos realizados pela plataforma.
Os acionistas classificam a empresa como reincidente em problemas envolvendo conformidade regulatória e supervisão corporativa.
Ação busca ressarcimento para a própria companhia
O processo foi apresentado no formato de ação derivativa.
Esse tipo de medida permite que os acionistas processem administradores em nome da própria companhia quando identificam possíveis prejuízos.
O objetivo é obrigar os diretores a indenizarem a Uber por supostas violações de deveres fiduciários.
Possíveis infrações à legislação federal do mercado de valores mobiliários dos Estados Unidos também foram mencionadas na ação.
Dara Khosrowshahi aparece entre os réus
O presidente-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, está entre os administradores citados no processo.
Khosrowshahi ocupa o comando da empresa há quase nove anos.
Os acionistas reconhecem que o executivo adotou uma postura regulatória menos agressiva do que seu antecessor.
A acusação sustenta, porém, que a companhia ainda teria economizado recursos destinados ao cumprimento das normas internas e regulatórias.
Disputa sobre motoristas também chegou a Nova York
Uber e Lyft processaram a cidade de Nova York no início de junho de 2026.
As empresas tentam impedir uma nova legislação municipal relacionada à retirada de motoristas considerados inadequados das plataformas.
A regra, segundo as companhias, dificultaria a exclusão desses profissionais e poderia afetar a segurança dos passageiros.
As ações da Uber acumulavam queda superior a 25% desde o pico registrado em 22 de setembro de 2025.
A Uber ainda não havia respondido aos pedidos de comentário no momento da divulgação inicial da Reuters.
Os advogados responsáveis pela ação dos acionistas também não haviam apresentado uma manifestação pública imediata.
Pressão jurídica aumenta os desafios da Uber
A nova disputa amplia o debate sobre o papel do conselho na fiscalização das práticas adotadas pela empresa.
Segurança dos passageiros, acessibilidade, cobrança e conformidade regulatória aparecem entre os principais pontos questionados pelos investidores.
O andamento do processo poderá definir se os administradores deverão responder financeiramente pelos prejuízos atribuídos às supostas falhas de supervisão.
Quais medidas a Uber deveria adotar para fortalecer a segurança dos passageiros e melhorar a fiscalização de seus serviços? Deixe sua opinião nos comentários.

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