Resíduo da agroindústria do caju entrou em pesquisas brasileiras sobre pavimentação para melhorar a aderência do asfalto e reduzir danos causados pela umidade, aproximando engenharia rodoviária, química de materiais e aproveitamento de subprodutos regionais em soluções mais sustentáveis para estradas.
Um subproduto da agroindústria do caju foi estudado no Brasil como alternativa para melhorar o desempenho de misturas asfálticas diante da ação da água, um dos fatores associados à deterioração de pavimentos flexíveis.
Conhecido como Líquido da Casca da Castanha de Caju, ou LCC, o material foi analisado em pesquisa voltada à modificação de ligantes usados em misturas asfálticas.
A pesquisa não indica a substituição integral do asfalto convencional por resíduos da castanha, mas avalia o uso do LCC como aditivo para modificar o ligante asfáltico.
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No estudo, o objetivo foi aumentar a aderência entre o Cimento Asfáltico de Petróleo, o CAP, e os agregados minerais usados no revestimento.
Desenvolvida na Universidade Federal do Ceará, a investigação do pesquisador Edeilto de Almeida Ribeiro analisou o efeito da modificação do ligante asfáltico com LCC na resistência ao dano por umidade em misturas asfálticas.
A dissertação foi apresentada em 2011 e trata o dano por umidade como um fator relacionado ao desempenho e à durabilidade de pavimentos flexíveis.
Líquido da casca da castanha de caju no asfalto
Extraído da casca da castanha de caju durante o beneficiamento industrial do produto, o LCC está ligado a cadeias produtivas presentes no Nordeste brasileiro.
No campo da pavimentação, o líquido passou a ser investigado como matéria-prima com propriedades químicas capazes de alterar características do ligante asfáltico.

Em misturas asfálticas tradicionais, o desempenho do pavimento depende da interação entre o ligante derivado do petróleo e os agregados minerais.
Quando a água interfere nessa ligação, a película de asfalto pode perder aderência, o que favorece defeitos associados à redução da vida útil da camada de rolamento.
Esse processo é conhecido como dano por umidade e aparece em estudos técnicos como uma das ocorrências que afetam a durabilidade das misturas asfálticas.
Entre os efeitos observados na literatura sobre pavimentos estão perda de coesão, descolamento do ligante, fissuras e desgaste precoce em áreas submetidas a chuva, variação térmica e tráfego.
Por essa razão, a adesividade entre ligante e agregado é tratada em pesquisas da área como um dos parâmetros relevantes para avaliar o comportamento do revestimento.
Pesquisa da UFC mira resistência à água no pavimento
Na proposta avaliada na UFC, as propriedades físico-químicas do LCC foram consideradas para verificar sua influência na ligação entre o CAP e os agregados.
O aditivo é incorporado ao ligante, e não aplicado como substituto completo do asfalto usado nas rodovias, conforme a abordagem apresentada na pesquisa.
Essa distinção delimita o alcance da tecnologia e evita associar o estudo a uma troca direta do asfalto convencional por resíduos da castanha.
Em vez disso, a investigação observa pequenas modificações no material que reveste as vias para avaliar efeitos sobre problemas relacionados à umidade e ao envelhecimento do pavimento.
No setor de transportes, modificadores de ligantes são estudados para alterar características como comportamento reológico, resistência mecânica, adesividade e resposta ao envelhecimento.
Nessa linha de investigação, o LCC aparece como alternativa ligada a uma cadeia agroindustrial brasileira, com origem renovável e disponibilidade regional dependente da produção do caju.
Resíduo agroindustrial com aplicação em infraestrutura
O interesse pelo líquido da casca da castanha de caju decorre da possibilidade de uso técnico de um material originalmente associado ao processamento agroindustrial.
Em laboratório, esse subproduto passa a ser avaliado como componente capaz de influenciar o desempenho de misturas submetidas à ação da água, da carga e da temperatura.
A conexão entre agroindústria e pavimentação tem relevância para um país com extensa malha rodoviária e presença significativa de cadeias agrícolas regionais.
Ao utilizar um subproduto do caju, a pesquisa aproxima a investigação sobre pavimentos das condições de produção brasileiras, sem depender apenas de insumos desenvolvidos em outros contextos industriais.
Ainda assim, os resultados de pesquisa não significam adoção imediata do LCC em obras públicas ou aplicação em larga escala nas rodovias.
Entre a etapa de laboratório e o uso frequente em pavimentação, devem ser avaliados custo, padronização, disponibilidade do material, compatibilidade com diferentes agregados e desempenho sob tráfego real.
Sustentabilidade em rodovias sem promessa exagerada
O uso do LCC em ligantes asfálticos integra a discussão sobre aproveitamento de resíduos e desenvolvimento de materiais alternativos para obras viárias.
Nem toda inovação em pavimentação envolve sensores, painéis solares ou sistemas eletrônicos; em parte das pesquisas, a mudança ocorre na composição química do material usado no revestimento.
Quando um resíduo agroindustrial recebe aplicação de maior valor agregado, a pesquisa amplia as possibilidades de uso de matérias-primas renováveis e de subprodutos de cadeias regionais.
No caso do caju, a relação com o Nordeste brasileiro e com o beneficiamento da castanha ajuda a explicar o interesse acadêmico pelo LCC em estudos de materiais para pavimentação.
O ponto central da pesquisa, porém, permanece técnico e depende de medições de desempenho em diferentes condições de serviço.
A viabilidade do LCC exige resultados consistentes em formulações variadas, faixas de temperatura, tipos de agregados e volumes de tráfego antes de qualquer aplicação mais ampla.
Sem essa etapa, o material deve ser descrito como objeto de estudo em ligantes asfálticos, e não como solução pronta para os problemas das rodovias brasileiras.
A pesquisa mostra que a durabilidade do asfalto também pode ser investigada com materiais disponíveis em cadeias produtivas nacionais, desde que o desempenho seja comprovado por critérios técnicos.
Em um pavimento, alterações no ligante podem influenciar a resistência à água, ao desgaste e à degradação prematura, conforme parâmetros avaliados em estudos de misturas asfálticas.


Esse produto é altamente ácida, produto perigoso para a pele e inflamável, não sou químico mas não vejo relação o uso como aditivo do asfalto !!!!!!