Nutrólogo explica como alimentos ultraprocessados impactam a alimentação diária, esclarece dúvidas sobre embutidos, suplementos e produtos industrializados e mostra o que merece atenção na busca por uma dieta equilibrada
Muitas pessoas que buscam uma alimentação saudável costumam se perguntar se alimentos como presunto, salame, whey protein, iogurte de coco e lasanha congelada podem fazer parte de uma dieta equilibrada. Afinal, vários desses produtos aparecem frequentemente no dia a dia dos brasileiros e, muitas vezes, são vistos como fontes práticas de proteína.
A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, por meio do projeto Vida Boa, que reuniu respostas do médico do esporte e nutrólogo Eduardo Rauen, considerado uma das principais referências em nutrição do Brasil. O especialista esclareceu dúvidas enviadas por leitores e explicou como a classificação dos alimentos pode influenciar diretamente a saúde.
Além disso, o debate ganha relevância porque o consumo de alimentos ultraprocessados continua crescendo em diversas faixas da população. Por isso, entender a diferença entre alimentos naturais, processados e ultraprocessados tornou-se fundamental para quem deseja melhorar a alimentação e fortalecer a saúde a longo prazo.
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Embutidos podem entrar na meta diária de proteína?
Uma das dúvidas mais comuns envolve os embutidos. Produtos como presunto, presunto parma e salame costumam ser consumidos como fontes rápidas de proteína. Segundo Eduardo Rauen, eles realmente fornecem proteína de alta qualidade.
Entretanto, isso não significa que devam ser consumidos livremente ou em grandes quantidades. O especialista destaca que esses alimentos apresentam riscos conhecidos para a saúde quando consumidos com frequência.
No caso do presunto Parma, por exemplo, ele não é considerado um alimento ultraprocessado. Segundo a classificação NOVA, pertence ao Grupo 3, que reúne alimentos processados. Ainda assim, seu consumo excessivo pode trazer prejuízos devido à quantidade de sódio e aos processos de conservação utilizados.
Portanto, embora os embutidos possam contribuir para a ingestão proteica diária, especialistas recomendam moderação e preferência por fontes mais naturais de proteína, como carnes frescas, ovos, peixes e leguminosas.
Whey protein é ultraprocessado? Especialista explica
Outra dúvida bastante frequente envolve o whey protein. Muito utilizado por praticantes de atividade física, o suplemento é considerado um alimento ultraprocessado segundo a classificação NOVA.
Isso acontece porque sua fabricação envolve substâncias de uso industrial, incluindo isolados proteicos e aditivos específicos. Apesar disso, Eduardo Rauen explica que o whey protein pode ter um papel importante em situações específicas.
Segundo o nutrólogo, o suplemento pode ajudar atletas, idosos e pessoas que apresentam dificuldade para atingir a necessidade diária de proteína apenas por meio da alimentação tradicional.
A recomendação diária citada pelo especialista varia entre 1,2 e 1,5 gramas de proteína por quilo de peso corporal para adultos saudáveis. Já para idosos, a recomendação fica entre 1,5 e 1,8 gramas por quilo de peso.
Dessa forma, o whey deve atuar como complemento e não como substituto das refeições. Além disso, ele pode ser consumido com água, leite desnatado ou iogurte, dependendo do objetivo nutricional.
Se o foco for ganho proteico, o leite pode ser uma opção interessante. Por outro lado, quem busca controle calórico costuma preferir o preparo com água.
Iogurte de coco, lasanha congelada e os ultraprocessados mais consumidos
O iogurte de coco também desperta curiosidade entre consumidores preocupados com alimentação saudável. Segundo Rauen, a classificação depende diretamente da composição do produto.
Se o alimento contiver apenas leite de coco natural e culturas bacterianas vivas, ele pode ser considerado processado, pertencendo ao Grupo 3 da classificação NOVA.
No entanto, a maioria das versões disponíveis no mercado contém ingredientes como isolados proteicos vegetais, amidos modificados, emulsificantes, espessantes, corantes, aromatizantes, açúcar e adoçantes artificiais. Nesse cenário, passam a ser classificados como ultraprocessados.
Já a lasanha pronta representa um exemplo clássico de alimento ultraprocessado. Produtos desse tipo passam por diversos processos industriais e geralmente contêm ingredientes formulados especificamente para aumentar prazo de validade, textura e sabor.
Segundo a classificação NOVA, lasanhas prontas, pizzas congeladas, massas pré-preparadas e hambúrgueres industrializados pertencem ao Grupo 4, destinado aos alimentos ultraprocessados.
Existe ultraprocessado saudável?
Uma das questões mais debatidas atualmente é se existe algum ultraprocessado considerado saudável.
De acordo com Eduardo Rauen, as evidências científicas mostram que todos os ultraprocessados são inferiores às versões minimamente processadas ou naturais equivalentes.
Isso não significa que todos tenham o mesmo impacto negativo. Alguns produtos, como determinados iogurtes, cereais e pães industrializados, podem apresentar perfil nutricional melhor do que refrigerantes, biscoitos recheados ou sorvetes.
Ainda assim, quando se compara um alimento ultraprocessado com sua versão natural ou minimamente processada, a opção menos industrializada continua sendo a mais recomendada para a saúde.
A classificação NOVA divide os alimentos em quatro grupos principais. O Grupo 1 reúne alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, carnes frescas, leite e grãos. O Grupo 2 inclui ingredientes culinários processados, como sal, açúcar, manteiga e óleos. Já o Grupo 3 engloba alimentos processados, enquanto o Grupo 4 reúne os ultraprocessados.
Por isso, especialistas reforçam que a melhor estratégia para fortalecer a imunidade, controlar a inflamação e manter uma alimentação equilibrada continua sendo priorizar alimentos naturais e reduzir o consumo frequente de produtos altamente industrializados.
Você costuma consumir presunto, whey protein ou outros alimentos ultraprocessados no dia a dia? Como tenta equilibrar praticidade e alimentação saudável?

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