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Só a China ficou na frente: 64 jovens do SENAI e do SENAC colocaram o Brasil em 2º lugar na WorldSkills 2024, o mundial das profissões, com 8 medalhas em Lyon, e o ouro veio das mãos de uma cabeleireira do Rio de Janeiro

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 02/07/2026 às 23:39 Atualizado em 02/07/2026 às 23:41
WorldSkills 2024: Brasil ficou em 2º lugar no mundial das profissões em Lyon, atrás só da China, com 8 medalhas e ouro de cabeleireira do RJ
WorldSkills 2024: Brasil ficou em 2º lugar no mundial das profissões em Lyon, atrás só da China, com 8 medalhas e ouro de cabeleireira do RJ
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Na 47ª edição da maior competição de educação profissional do planeta, a delegação brasileira enfrentou 1.400 competidores de 69 países e deixou França, Taiwan e Índia para trás no ranking de pontos

A WorldSkills 2024 terminou com o Brasil no pódio dos países. Entre os dias 10 e 15 de setembro de 2024, em Lyon, na França, 64 alunos e ex-alunos do SENAI e do SENAC disputaram 56 das 59 modalidades do mundial das profissões técnicas e fecharam a competição com 8 medalhas, segundo o Portal da Indústria: 1 de ouro, 4 de prata e 3 de bronze.

No ranking geral de soma de pontos, segundo a CNI, o Brasil terminou em 2º lugar, atrás apenas da China e à frente de França, Taiwan e Índia. Além das medalhas do pódio, 27 brasileiros levaram medalhas de excelência em 23 ocupações, o reconhecimento dado a quem pontua acima da média mundial da sua profissão.

O tamanho da disputa: 1.400 competidores de 69 países

A WorldSkills é o equivalente a uma olimpíada, só que de profissões. A cada 2 anos, os melhores jovens profissionais do planeta se enfrentam em provas práticas cronometradas de soldagem, mecatrônica, confeitaria, robótica, eletricidade e dezenas de outras ocupações, julgados por bancas internacionais com critérios milimétricos.

A WorldSkills 2024, 47ª edição da história, reuniu em Lyon 1.400 competidores de 69 países, segundo o Portal da Indústria. O Brasil desembarcou com uma força-tarefa de cerca de 170 pessoas: 64 competidores, 57 especialistas técnicos e 36 intérpretes, uma estrutura de seleção nacional montada para brigar de igual para igual com potências industriais.

O ouro saiu do salão: a campeã mundial do Brasil

O único ouro brasileiro da edição tem nome, sobrenome e endereço: Bruna Pimentel Martins, do Rio de Janeiro, campeã mundial na modalidade Cabeleireiro, segundo o Portal da Indústria. Diante do resultado, a reação dela resumiu o tamanho do feito: “Quando eu vi o resultado eu fiquei, ‘eu não acredito’!”

Vale dimensionar o que esse título significa. Numa prova em que cada detalhe técnico de corte, coloração e acabamento é pontuado por jurados de vários países, a jovem carioca superou as melhores profissionais de potências como França, Coreia do Sul e Japão dentro da especialidade, provando que alta performance técnica não mora só nas fábricas.

As 4 pratas: da fresadora CNC ao cuidado de pacientes

Jovem competidor opera máquina industrial de precisão em bancada de competição de profissões técnicas.
Jovem competidor opera máquina industrial de precisão em bancada de competição de profissões técnicas.

A prata brasileira veio de onde o país tem tradição industrial. Segundo o Portal da Indústria, André Luis Dono, de São Paulo, ficou em 2º do mundo em Fresagem a CNC, e João Lucas Gomes Guimarães, também de São Paulo, repetiu a posição em Tornearia a CNC, as duas modalidades que medem a elite mundial da usinagem de precisão, base de toda a indústria metalmecânica.

Completaram a lista de pratas Victor Rodrigo de Freitas Ferreira, de Minas Gerais, em Tecnologia em Design Industrial, e Estéfany Mariana dos Santos Marengoni, do Paraná, em Cuidados de Saúde. Quatro estados diferentes, quatro áreas distintas, uma mesma régua: o topo do mundo.

Os bronzes e as 27 medalhas de excelência

O pódio brasileiro fechou com 3 bronzes, segundo o Portal da Indústria: João Luiz Diniz Carvalho (MG) em Mecânica Industrial, Nathan Crepaldi Rodrigues (SP) em Optoeletrônica e Samuel França dos Santos (SP) em Logística e Envios Internacionais.

Tão revelador quanto o pódio é o pelotão logo atrás dele. Foram 27 medalhas de excelência em 23 ocupações diferentes, o selo dado a quem performa acima da média mundial. Traduzindo: em quase metade das modalidades que disputou, o Brasil colocou gente entre os melhores do planeta, de mecatrônica a serviços de restaurante.

Essa distribuição importa mais do que parece. Um país pode ter sorte com um talento isolado numa modalidade; nenhum país espalha desempenho acima da média por 23 ocupações sem um sistema de formação sólido por trás. É a diferença entre ganhar na loteria e ter uma linha de produção de excelência funcionando em série, turma após turma.

Só a China na frente: o placar final da WorldSkills 2024

Arena de competição internacional de profissões lotada, com bancadas de provas técnicas e bandeiras de dezenas de países.
Arena de competição internacional de profissões lotada, com bancadas de provas técnicas e bandeiras de dezenas de países.

No placar final por soma de pontos, segundo a CNI, a ordem ficou assim: China em 1º, Brasil em 2º, seguidos por França, Taiwan e Índia. O detalhe que dá peso ao resultado: o Brasil bateu a própria anfitriã França dentro de casa e deixou para trás economias com tradição secular de formação técnica.

Para um país que ainda luta contra o estigma de que ensino técnico é plano B, terminar um mundial de profissões na frente de quase todo o planeta industrializado é um recado e tanto sobre a qualidade da educação profissional brasileira quando ela recebe estrutura de verdade.

Uma máquina de formar campeões desde 1983

O resultado de Lyon não caiu do céu. Segundo a CNI, o Brasil disputa a WorldSkills desde 1983 e vem empilhando campanhas de elite: em Kazan 2019, por exemplo, o país terminou em 3º lugar geral, com 13 medalhas, sendo 2 de ouro, 5 de prata e 6 de bronze, além de 28 certificados de excelência.

Quatro décadas de participação transformaram a seleção brasileira das profissões numa das mais respeitadas do torneio, com um sistema próprio de seletivas estaduais e nacionais que filtra, entre milhões de alunos da rede SENAI e SENAC, os 60 e poucos nomes que vestem a camisa do país.

O que isso diz sobre o mercado de trabalho técnico

Por trás das medalhas existe uma tese econômica. Gustavo Leal, diretor geral do SENAI e delegado oficial do Brasil na competição, resumiu o ponto: os maiores méritos da competição são mostrar aos jovens o caminho da educação profissional e provar que um ensino conectado à empresa e ao mercado de trabalho transforma vidas, segundo o Portal da Indústria.

A conta fecha com o que a indústria brasileira vive hoje: falta gente qualificada em usinagem, mecânica, eletricidade e automação, exatamente as áreas em que o país acabou de subir ao pódio mundial. Cada medalha dessas é um outdoor para as carreiras técnicas que pagam bem e seguem com vagas abertas.

O caminho de quem quer chegar lá

A esteira que leva um aluno de curso técnico ao mundial passa por competições internas, seletivas estaduais e uma seletiva nacional, sempre dentro da rede de ensino profissionalizante. O competidor treina por anos com especialistas dedicados, no mesmo formato de um atleta olímpico, até representar o país.

O detalhe que costuma passar despercebido é que esse treinamento não forma só medalhista: forma instrutor, técnico de fábrica e empreendedor. Boa parte dos ex-competidores volta para a rede como especialista, multiplicando o padrão internacional de qualidade entre milhares de novos alunos. É um ciclo que se retroalimenta a cada edição do torneio.

Para o jovem que está escolhendo carreira agora, a mensagem de Lyon é direta: a formação técnica virou rota de elite, com pódio mundial, emprego garantido nas áreas industriais e salários que disputam com carreiras universitárias tradicionais.

O que fica depois de Lyon

O 2º lugar na WorldSkills 2024 recoloca o Brasil na briga pelo topo que já ocupou em edições anteriores e joga pressão sobre a próxima geração de competidores, que já começa suas seletivas mirando a edição seguinte do torneio. A régua da WorldSkills 2024 está definida: só a China ficou na frente.

E fica a provocação para o leitor: se o ensino técnico brasileiro compete de igual pra igual com o mundo inteiro, por que ele ainda é tratado como segunda opção por aqui? Conta pra gente nos comentários se você faria, ou já fez, um curso técnico industrial.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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