Estrutura PG-08 tem capacidade prevista de 250 mil litros por hora, passou por perfuração, limpeza, testes e adutora, e deve aliviar o abastecimento das Zonas Sul e Leste de Marília em meio à pressão crescente sobre os sistemas urbanos de água.
O novo poço artesiano profundo PG-08, instalado no Distrito de Lácio, em Marília, no interior de São Paulo, entrou no radar do saneamento local por um número difícil de ignorar. A estrutura foi projetada para captar 250 mil litros de água por hora diretamente do Aquífero Guarani.
A obra é conduzida pela RIC Ambiental, concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário das áreas urbanas de Marília. Segundo informações divulgadas pela empresa em 7 de junho de 2025, a perfuração, a instalação das tubulações e a perfilagem do poço já haviam sido concluídas naquele momento.
O trabalho seguinte envolvia limpeza interna, remoção de resíduos sólidos deixados pela perfuração e teste de vazão. Esse teste mede a capacidade real de produção do poço artesiano e ajuda a verificar se a estrutura entrega, na prática, aquilo que foi previsto no projeto.
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Em publicação posterior, a concessionária informou que o PG-08 já estava em operação, ainda com ajustes finais para funcionar de forma plenamente integrada à rede. O poço é tratado pela empresa como uma peça de reforço para as Zonas Sul e Leste de Marília, regiões que dependem de maior estabilidade no fornecimento.
O número de 250 mil litros por hora muda a escala do abastecimento em Marília

A capacidade prevista do PG-08 equivale a 6 milhões de litros de água por dia, caso a estrutura opere por 24 horas na vazão máxima estimada. Na prática, a operação depende de testes, outorga, integração hidráulica, reservação, qualidade da água e equilíbrio da rede.
Mesmo assim, o volume mostra o peso da obra dentro do sistema local. Em uma cidade com bairros em expansão, mais imóveis conectados à rede e períodos de estiagem cada vez mais sentidos pela população, ampliar a produção de água não resolve tudo sozinho, mas reduz um gargalo visível.
De acordo com a RIC Ambiental, o poço artesiano profundo foi planejado para atender milhares de famílias das Zonas Sul e Leste. Em outubro de 2025, a empresa também informou que a adutora ligada ao PG-08 teria 2,5 quilômetros de extensão, com tubulação em PEAD, material usado em redes pressurizadas por sua resistência e vida útil elevada.
Essa adutora é a ligação que transforma o poço em abastecimento real. Sem ela, a água captada no subsolo não chega aos reservatórios, às casas e aos comércios. Por isso, a etapa de interligação à rede pesa tanto quanto a perfuração.
A água vem do Aquífero Guarani, uma reserva estratégica que exige controle
O PG-08 capta água do Aquífero Guarani, um dos sistemas subterrâneos mais conhecidos da América do Sul. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, esse aquífero ocupa cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e se espalha por áreas do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
No Brasil, o sistema aparece sob partes de estados como São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Não é uma “caixa d’água” uniforme no subsolo. A qualidade, a profundidade, a pressão e a vazão mudam conforme a região.
No caso do PG-08, a RIC Ambiental informou que a água captada apresenta pH alcalino e maior concentração natural de minerais. Essa característica pode gerar a sensação de “água lisa” ao toque, segundo a própria empresa, sem indicar, por si só, risco à saúde.
A concessionária também informou a previsão de instalar um tanque para processo de acidificação, com o objetivo de reduzir essa sensação sem comprometer a qualidade da água. Esse tipo de ajuste mostra que poço profundo não é apenas perfurar e bombear. O tratamento e a operação precisam acompanhar a característica da água encontrada.
Teste de vazão, limpeza interna e outorga definem o que pode sair do poço
A fase de limpeza interna é uma etapa técnica comum após a perfuração. Ela remove areia, fragmentos de rocha, lama e resíduos que podem comprometer bombas, tubulações e a própria leitura da produção do poço.
Depois vem o teste de vazão. É nele que os técnicos observam quanto o poço entrega, como o nível da água se comporta durante o bombeamento e se a captação pode ser mantida sem provocar queda inadequada no sistema subterrâneo.
Em São Paulo, o uso de águas subterrâneas depende de autorização. Como informou a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, a outorga determina quanto cada usuário pode captar, disciplina o uso compartilhado e prevê controle quantitativo.
Para poços profundos usados em abastecimento público, a autorização tem validade de 10 anos. Também há exigência de medição da vazão explorada e envio de relatório anual com volume extraído e níveis estático e dinâmico do poço.
Esse ponto é decisivo para qualquer debate sobre poço artesiano ou poço profundo no Brasil. A obra pode aumentar a segurança hídrica de uma cidade, mas a captação precisa ser medida, autorizada e monitorada para não virar exploração desordenada.
PG-08 faz parte de uma sequência de obras no sistema de água da cidade
O poço de Lácio não é uma ação isolada. A RIC Ambiental informou que também reativou e aprofundou poços estratégicos em Marília. No sistema Água do Norte, os poços PSG.02 e PSG.03 elevaram a produção em 90 mil litros por hora, beneficiando a Zona Leste e a região do aeroporto.
Outro ponto citado pela empresa é o poço conhecido como “Gigantão”, na Zona Norte, com capacidade de 75 mil litros por hora. Ele reforça o abastecimento de bairros como Santa Antonieta e Altos do Palmital.
A concessionária também mencionou o PG-09, no bairro Figueirinha, com previsão de adicionar cerca de 250 mil litros por hora para a Zona Norte. Somados, esses projetos indicam uma estratégia baseada em aumento de produção subterrânea, recuperação de estruturas existentes e interligação com redes de distribuição.
O contrato de concessão dos serviços públicos de água e esgoto em Marília foi assinado em 5 de setembro de 2024 e, no portal da Prefeitura, aparece como vigente até 5 de setembro de 2059. O registro municipal informa valor contratual de R$ 2,03 bilhões, dentro da concessão de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Você acha que poços profundos são a melhor saída para cidades que sofrem com falta d’água, ou o investimento deveria priorizar redução de perdas e recuperação de redes antigas? Deixe sua opinião nos comentários e conte se a sua cidade também depende de água subterrânea.
