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Enquanto o Brasil discute reduzir a jornada de trabalho, a Argentina caminha na direção oposta com a reforma de Javier Milei, já aprovada no Senado da Argentina em 12 de fevereiro e pronta para encarar votação decisiva antes de 1º de março

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 18/02/2026 às 15:20
Atualizado em 18/02/2026 às 15:22
jornada de trabalho entra no centro da reforma: Argentina aprova no Senado e leva à Câmara o texto de Javier Milei antes de 1º de março, sob protestos em Buenos Aires e ameaça de greve geral.
jornada de trabalho entra no centro da reforma: Argentina aprova no Senado e leva à Câmara o texto de Javier Milei antes de 1º de março, sob protestos em Buenos Aires e ameaça de greve geral.
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A reforma trabalhista de Javier Milei, aprovada no Senado da Argentina em 12 de fevereiro, chega à Câmara dos Deputados sob pressão de sindicatos e protestos em Buenos Aires. O governo defende jornada de trabalho com banco de horas, férias fracionadas e 12 horas diárias, enquanto se anuncia greve geral.

A jornada de trabalho virou o ponto mais sensível da nova reforma trabalhista do presidente Javier Milei na Argentina, aprovada no Senado na madrugada de 12 de fevereiro e agora encaminhada para a Câmara, com votação programada antes de 1º de março de 2026. O debate ficou inevitável porque corre em sentido contrário ao que hoje mobiliza parte do Brasil.

No texto aprovado no Senado, a proposta prevê flexibilizações como ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas, criação de banco de horas para troca de horas extras por folgas e possibilidade de fracionar férias em períodos menores. Sindicalistas e oposicionistas reagiram, e a discussão ganhou as ruas de Buenos Aires, com confrontos durante a sessão, enquanto centrais anunciam greve geral para pressionar a Câmara.

O que mudou no Senado e por que a Câmara vira a linha de chegada

A aprovação no Senado, registrada na madrugada de 12 de fevereiro, marcou uma virada política para a equipe de Javier Milei.

O texto chegou ao plenário após mudanças feitas justamente para viabilizar votos, num movimento típico de reformas que mexem com rotina e renda.

Quando a jornada de trabalho entra na pauta, cada palavra vira disputa de poder.

Agora, a etapa decisiva está concentrada na Câmara.

A votação foi programada para antes de 1º de março de 2026, e o governo trabalha com a ideia de usar o tema como vitrine ao abrir as sessões ordinárias do Congresso, com discurso planejado por Milei.

O relógio importa porque, quanto mais perto da data, maior o espaço para pressão de rua, negociação de bastidores e risco de paralisações ligadas à greve geral.

O núcleo da reforma e a jornada de trabalho de até 12 horas

O ponto que mais chama atenção no texto é a possibilidade de ampliar a jornada de trabalho para até 12 horas.

A redação sinaliza uma flexibilização do desenho tradicional, com a promessa de dar mais margem de ajuste a empresas e setores que operam em turnos longos, sem que isso dependa de renegociação caso a caso.

É uma mudança que mexe diretamente no cotidiano e no corpo do trabalhador.

Junto disso, entra o banco de horas, com a lógica de permitir troca de horas extras por folgas.

Na prática, a proposta tenta substituir parte do pagamento imediato por compensação futura, criando uma espécie de conta corrente de tempo.

Esse mecanismo, ao lado da jornada de trabalho estendida, tende a exigir fiscalização e registro consistentes, porque o conflito mais comum aparece quando horas se acumulam e a compensação não chega no ritmo esperado.

Férias fracionadas, custos e a aposta na formalização

Outro eixo é o fracionamento das férias em períodos menores. A ideia, segundo a apresentação política do governo, é dar flexibilidade para empregadores e empregados encaixarem descanso em calendários irregulares, sem travar operações em blocos longos.

O problema é que a flexibilidade pode ser percebida como ganho ou como perda, dependendo de como é aplicada.

A reforma também é apresentada como tentativa de alterar regulamentações dos anos 1970, reduzir custos e formalizar empregos numa economia descrita como marcada por alta informalidade.

Essa justificativa ajuda a entender por que a jornada de trabalho virou símbolo: para o governo, ela faz parte do pacote de modernização; para críticos, ela concentra o risco de fragilizar direitos adquiridos e empurrar o ajuste para quem já tem menos poder de negociação.

Protestos em Buenos Aires e a greve geral como instrumento de veto

A tensão não ficou restrita a gabinetes.

Durante a aprovação no Senado, houve protestos violentos em Buenos Aires, com confrontos entre manifestantes e polícia, sinalizando que a reforma tem potencial de ultrapassar o debate técnico e virar crise de governabilidade.

Quando a rua entra na agenda, o Congresso perde o controle total do roteiro.

Além disso, a Federação dos Trabalhadores do Transporte anunciou paralisações em setores como transporte terrestre, aéreo e marítimo, afetando operações essenciais à economia.

A central sindical CGT convocou greve geral para coincidir com a votação na Câmara, numa tentativa de ampliar custo político e encurtar o espaço de manobra do governo.

A greve geral, aqui, não é apenas protesto; é ferramenta para testar até onde a Argentina aceita redefinir sua jornada de trabalho.

Brasil discute reduzir e a Argentina reabre o relógio do trabalho

O contraste regional chama atenção porque, enquanto setores do Brasil discutem reduzir a jornada de trabalho, a Argentina discute elevar o teto diário para 12 horas.

Essa diferença de direção cria um ruído natural nas comparações: em um país, o foco recai sobre tempo de vida e produtividade; no outro, sobre custo, formalização e atração de investimentos, segundo a narrativa do governo Milei.

Isso não significa que as duas realidades sejam espelhos, mas ajuda a explicar por que o caso argentino reverbera por aqui.

A jornada de trabalho, quando muda, altera contratos, salários, escalas e a própria relação entre empresa e trabalhador.

E, na Argentina, a sequência Senado, Câmara e greve geral antes de 1º de março tende a definir não só o texto final, mas também o nível de conflito que acompanhará a implementação.

A reforma trabalhista de Javier Milei colocou a jornada de trabalho no centro da política argentina, com aprovação no Senado em 12 de fevereiro e corrida para votação na Câmara antes de 1º de março.

Entre promessa de modernização, banco de horas, férias fracionadas e teto de 12 horas, a disputa já ultrapassou o plenário e chegou às ruas, com protestos em Buenos Aires e anúncio de greve geral.

Se você tivesse de escolher no seu setor, preferiria uma jornada de trabalho mais curta e rígida ou um modelo com banco de horas e compensação em folgas mesmo com dias de 12 horas? E, olhando para a Argentina e para o Brasil, você acha que a greve geral muda votos na Câmara ou apenas endurece o conflito?

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Bruno Teles

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